segunda-feira, 26 de abril de 2010

A mãe de todas as birras

O tio Brazelton já nos tinha avisado que a coisa chegava lá pelos dois anos e que de repente o nosso anjinho havia de se transformar num diabinho e que só nos ia apetecer pregar-lhe uma bela palmada no rabo. Dona princesa resolveu adiantar-se e um nadinha antes do segundo aniversário presenteou-nos com a maior birra de que há memória cá em casa e que consistiu, basicamente, em dez ou quinze minutos (perdemos-lhe a conta) a berrar furiosamente. Não dizia porquê, não dizia o que queria, não queria o pai, não queria a mãe, não queria a chucha e a única coisa que lhe saía era "nã quéio, nã quéio". E eu,que nunca a tinha visto assim (o Brazelton sabe mesmo destas coisas), quase temi que lhe tivesse dado algum peripapo. Nada disso. Foi apenas a birra mor, a mãe de todas as birras, e logo no fim-de-semana em que fomos para o Alentejo, com mais uma data de gente em boa idade para procriar e que com esta fita toda vão de certeza pensar duas vezes (ou mais) antes de se meter numa destas. Não sabem o que perdem, claro, que, finda a birra, a Madalena continuou linda e maravilhosa como sempre, com uns pais orgulhosissímos do rebento e deles próprios: é que conseguimos manter a calma e deixámo-la resolver a coisa sózinha e sem grandes dramas (nem palmadas). Terminada a birra, jantou lindamente, como se não fosse nada, e foi tranquilamente para a cama, como de costume.

1 comentário:

Oficinas RANHA disse...

De longe em longe a Alice tinha uma destas, da mais pura frustração... eu senti-as parecidas com as minhas, as de outrora ou as que por vezes me apetecem agora... então abraçava-a e dizia-lhe simplesmente para ela chorar o tempo que precisasse... é uma ideia, connosco resultou sempre. Pior são as outras, as birras de teimosia, de má educação, de teste aos limites dos pais... mas essas vocês ainda não viram bem...
Beijos, Rita