terça-feira, 5 de junho de 2012

No casamento do Carlos

Eu teria uns sete anos, o Rui dois e a Zézinha doze. Tínhamos ido ao casamento do Carlos, o primo da minha mãe, filho da tia Bárbara dos Merendeiros.Os Merendeiros era o monte da minha avó Teresa, de que agora, provavelmente já pouco mais restará do que ruínas. O Carlos casou com a Manuela, que era muito bonita, e não os vejo há muitos anos, mas é deles que me lembro sempre que vejo esta fotografia. E lembro-me de, depois da igreja, os convidados terem ido todos para o Salto, outro monte, onde foi o copo-de-água. Antes da festa, os homens foram até ao quarto onde os noivos iam passar a noite de núpcias e deixaram notas em cima da cama, como presente de casamento. Eu  fui com o meu pai, e ainda me lembro que a colcha da cama era cor-de-rosa brilhante com folhos. E que a cama era de madeira e o guarda-fatos tinha um espelho. Depois não me lembro de mais nada, a não ser que o meu irmão naquele dia tinha o nariz partido porque tinha caído, coisa que nele era muito comum, porque andava sempre a inventar novas aventuras, como saltar um muro altíssimo para casa da vizinha Amerildes e do Zé Quico.
Hoje, a Madalena olhou para esta foto e disse, muito segura de si: mamã, Rui e Zezinha. Como é que sabes isso tudo, Mada? Porque vi a cara. Pronto, está explicado.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

E a primeira frase do Pedrinho foi...

... "mamã, qué  mimi". Ou, traduzindo, "mamã, quero miminhos". Diz e depois encosta-se a mim a pedir colo e pronto, é uma carga de trabalhos para não o encher de beijinhos e não o largar.

domingo, 3 de junho de 2012

A menina dança?

E de repente, em plena Lisboa, um bailarico tal e qual os que se faziam - e fazem ainda - no meu Alentejo profundo. E não, até nem foi em nenhum bairro popular, não senhor. Foi no centro da cidade, ali para os lados de um jardim cheio de VIPs que nem devem ter achado muita graça ao barulho da música ao vivo. Mada gostou e dançou, e rodopiou, e fez sensação, a tal ponto  que uma senhora dançarina mais entusiasmada até quis dançar com ela, acabando por ser firmemente rejeitada. Pedrinho também abanou a anca, mas dado o adiantado da hora remeteu-se ao colo da mamã, e o pai deliciou-se com as habituais farturas, que ele, a bem da verdade, sempre que vai a estas coisas arranja lá os seus incentivos gastronómicos. A nossa primeira noite de santos populares, em que só faltou a sardinha, que, aliás, já me anda a apetecer há muito tempo. Nem que seja por isso, lá teremos de agendar mais uma incursão pelas festas da freguesia.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Marie: a prenda da Bia

Chama-se Marie e foi a prenda da melhor amiga, a Bia, que achou que seria "o presente ideal" para a Madalena, que "adora gatos". Eu e o Sérgio, num momento de pura insanidade, resolvemos aceitar e agora estamos os dois de cócoras no tapete da sala, a olhar para dez centímetros de gata e a discutir sobre quem é que lhe vai ensinar onde é o tabuleiro da areia.
(...) 
Fui eu, naturalmente.
Não tenho a certeza de ter sido bem sucedido, mas dona gata não poderá queixar-se de falta de informação quando, amanhã, a Inna a apanhar a fazer xixi pelos cantos.

O(s) dia(s) em que dona Princesa fez quatro anos

Foram tantos como cinco. Cinco bolos de aniversário, outras tantas velas apagadas ao som dos parabéns a você. Desconfio que tanta fartura até acabou por banalizar um bocadinho a efeméride, mas dona princesa, sempre no centro das atenções, adorou.
Primeiro foi o Rui que, logo de manhã, lhe fez a surpresa de lhe levar um queque de chocolate com uma vela e de lhe cantar os parabéns à porta da escola. Durante a tarde houve festa na sala azul, com o bolo das winx que a mamã fez e, à noite, a avó e as tias vieram jantar e trouxeram mais um, desta vez devidamente engalanado com uma Sininho.
Muita emoção, muitas prendinhas, mas a verdadeira festa foi no sábado, no parque infantil do Parque Eduardo VII. Também houve bolo, naturalmente, acabado à pressa durante a manhã, por dois pais extenuados de tanto fazer sandes e preparar outros petiscos para o piquenique. Saímos de casa já em stress, não fosse algum convidado chegar antes de nós - como de facto aconteceu - e quase tivemos um colapso quando chegámos e descobrimos que as únicas duas mesas estavam já ocupadas com outras festas de anos.
Um pequeno percalço sem importância, já que acabámos por fazer um daqueles piqueniques à séria, na relva, em cima de uma manta, mesmo ao pé dos baloiços e dos escorregas, papás sentados no chão, miúdos a correr por todo o lado, Madalena feliz, feliz, feliz, Pedrinho também, a festa de anos perfeita.
Da escola vieram Bia (a melhor amiga e a primeira a chegar), Matilde, Mohamed e mana Fátima, Maimuna e Ester. E vieram também a Laurinha e o mano Vicente, Alice e mana Sofia, Alice e mano Vasco. Mais os papás respectivos, mais o Rui, mais a tia Xanda, a Ana e a Catarina.
Um mar de gente a encher a relva e, três horas de puro prazer depois, regresso a casa, banho tomado, jantar na Rampa e um sono mais que merecido para toda a família.
O quinto bolo foi no dia seguinte, no Alentejo, juntamente com a festa de crisma da Joana e à mistura com mais uma leva de mimos e de prendas.
Amanhã,finalmente, é dia de regresso à escola e ao trabalho. Para descansar das festas de anos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ainda o vocabulário do Pedrinho

Depois de ter duplicado o seu vocabulário nas últimas férias, Pedrinho, 27 meses, está lançado e estou certa de que, mais uns tempos e ninguém o pára. Além de "papá" e "mamã" diz "vô", que tanto dá para avô como para avó, "miau", "ão, ão" e faz mais umas imitações de animais que só ele é que entende. De vez em quando também chama pelo Rui - "Gu" - e hoje, quando cheguei a casa ao fim do dia, deparei com uma Inna a rebentar de orgulho porque o Pedrinho tinha uma palavra nova: "cocoio", leia-se, Pocoyo, esse ícone dos desenhos animados para miúdos.
Tenho a mais absoluta das certezas que ele percebe tudinho o que ouve, mas prefere não dizer nada porque não se sente seguro das suas potencialidades. Quando perceber que afinal é tão fácil, solta-se-lhe a língua. A dra. Filomena, a médica dele, respondeu-me muito calmamente que "ele está a absorver informação". "Dê-lhe tempo", aconselhou, perante a minha impaciência em ouvir finalmente o meu filho a falar e saber o que vai naquela cabecinha. É esperar, portanto, que a paciência é uma virtude muito importante.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Em contagem decrescente

Primeira frase ao acordar: Mãe, é hoje que eu faço anos? Não, Madalena, é só na sexta-feira. Mas porque é que não pode ser hoje? Porquê?
Hoje entrámos na contagem decrescente para o grande dia dos quatro anos e ontem à noite estivemos a preparar os cartões de convite para os amigos da escola. Uma emoção muito grande a antecipar o grande dia dos quatro anos, uma emoção quase tão grande para mim como para ela, a minha filha que há dois dias acabou de nascer, mais uns aninhos e entra-me para a universidade. É que já não falta muito, a ter em conta o primor com que escreveu o nome dos amiguinhos em cada um dos convites, como os  ilustres leitores poderão confirmar na foto aqui do lado.