quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tempo

Uma hora. Foi quanto passei hoje à noite com os meus filhos. Cheguei às nove, eles deitam-se às dez, é fazer as contas. A Madalena já tinha jantado, o Pedro ainda não e devorou um prato de sopa em menos de nada. Enquanto ele comia, ela chorava, porque queria colo, porque estava "triste" porque a Inna se tinha ido embora. Acalmou quando me sentei com eles no chão da sala dos livros e com dois brinquedos novos, um para cada um, resgatados da colecção do Natal que ainda estava guardada em cima do armário. Brincámos, lemos histórias, cantámos a canção do sport lisboa e Benfica, fizemos puzzles e de repente estava na hora.
Foi uma hora pequenina, mas foi uma hora boa.
A Madalena faz puzzles a alta velocidade.
O Pedro arruma as peças do lego na caixa uma a uma e depois volta a tirá-las meticulosamente. E rouba os brinquedos à mana. E vai buscar o outro comando da televisão para substituir aquele que eu acabei de lhe surripiar.
Se calhar fazem coisas que eu nem imagino. Se calhar há coisas sobre eles que eu não sei.
Passam mais tempo na escola, ou com a Inna do que comigo.
Os meus filhos pequeninos precisam de mim, eu preciso deles e não tenho mais tempo para lhes dar...

domingo, 3 de abril de 2011

Fim-de-semana no Alentejo

Dona Madalena foi ao parque com o Rui, brincou com a Cláudia e com a Inês, teve miminhos de toda a gente, muitos miminhos, tomou banho na banheira com o Pedro e inundou a casa de banho perante o olhar de desvelo dos avós, brincou às escondidas no quintal com o avô, ajudou a apanhar as alfaces na horta, foi à missa com a mãe e a avó, brincou com a Joana, telefonou para a avó Gracinha, ganhou bolachas da prima Silvina, comeu paio e quijinho fresco até fartar, teve mais miminhos de toda a gente e depois, na hora de vir embora, chorou durante dez minutos, até finalmente adormecer no carro, porque não queria vir para Lisboa, queria era ficar em Castro Verde com a avó e com o avô e, claro, com a mãe.

Senhor Pedro subiu e desceu várias vezes a Ladeira da Carreira, agarrou-se de pé ao galinheiro para espreitar as galinhas, desceu de cabeça o (enorme) degrau da cozinha sem se magoar, quase rasgou as calças de tanto gatinhar pelo quintal, deu voltas e voltas à casa, abriu todos os armários que havia para abrir, andou ao colo de toda a gente, tomou banho de banheira com a Madalena e ajudou a inundar a casa de banho, foi mimado e beijocado até dizer chega (ou não fosse aquele pescocinho completamente irresistível), jogou à bola com o Pedro e depois, na hora de vir embora, sentou-se na sua cadeirinha do carro e adormeceu ao fim de dois minutos.

Moral da história: temos de arranjar tempo para ir mais vezes ao Alentejo. Muitas mais.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Momento perfeito do dia

Oito da manhã, mais coisa menos coisa. Madalena acorda, salta da cama sozinha e vai ter connosco, que ainda estamos completamente adormecidos. Eu levanto-me, a cambalear e vou à cozinha buscar dois biberões de leite. Entretanto acorda ele e o pai lá tem de se arrastar para o trazer também para a nossa cama. Quando volto está a família toda reunida. Eu dou o leite à Madalena, o pai dá o leite ao Pedro e há uns minutinhos de perfeito silêncio, todos deitadinhos, quentinhos, tão bom, tão bom que eu e o Sérgio quase adormecemos novamente, cada um com o seu biberão na mão. Acaba-se o leite e claro que já ninguém dorme. É o momento da brincadeira, das cócegas, dos puxões de cabelo, dos gritos, do choro, do riso, eu no meio dos dois, a dar miminhos à vez e a resolver os inevitáveis litígios. É o momento perfeito do meu dia, aquele que me dá energia para dez horas na redacção, para ler e escrever todas as notícias sobre crise política e financeira que inundam os jornais. É o meu momento diário de felicidade.

Uma pérola por dia # 11

- Mamã, mamã, está aqui um "alerta pivete" muito grande, anuncia dona Madalena, em grande excitação. - Onde, onde, pergunto eu. - No rabinho do Pedro, informa ela.

domingo, 27 de março de 2011

Piscina

Domingo, nove da manhã. Ensonados, ligeiramente ranhosos, rabugentos da noite mal dormida, sem pequeno almoço que não há tempo para essas coisas, a família ruma a São Bento para pôr o pézinho na piscina. O pezinho e não só, que aquilo são aulas a sério, meia hora de exercício físico a cantar "salto eu e saltas tu e salta também o canguru".
Dona Madalena adora, está sempre na linha da frente para os mergulhos e não diz que não a nada. Pedrinho nem se fala. Schlap, schlap, schlap do princípio ao fim, sempre a dar à pernoca, sempre a bater os bracinhos, diversão em estado puro.
Saimos de lá já depois do meio dia. Os pais exaustos, eles exaustos, Pedro já alimentado, que ninguém quer arriscar uma choradeira de fome, Madalena a perguntar, de dois em dois minutos o que é o almoço.
E agora, o que é que fazemos? Vamos para casa cozinhar? Ná! Maquedonáldes com eles e é já, antes que a mãe lhe dê um ataque de arrependimento e se lembre que uma menina de três anos não deve comer porcarias.
E pronto, assim foi. A manhã de Domingo perfeita.
Para a semana há mais.

domingo, 20 de março de 2011

Adeus ou vai-te embora

Pedrinho aprendeu a fazer adeus.Ele, que não é nada dado a estas habilidades e que tem sempre qualquer coisa mais interessante para fazer, como correr pela casa a gatinhar, aprendeu a acenar e agota repete a gracinha até à exaustão. Não apenas com uma, mas com ambas as mãos e ao mesmo tempo.Depois brinda-nos com um daqueles seus sorrisos sedutores, cheio de orgulho nele próprio

sábado, 19 de março de 2011

Uma pérola por dia # 10

Dona Madalena:
Mamã, estou com uma fome de leão.

Mamã:
Que bom, filha, temos aqui uma sopinha muito boa. E onde é que aprendeste isso?

Ela:
É o Ruca que diz. Não quero sopinha, mamã

Pouco depois, já terminado o jantar:

Dona Madalena:
Hoje foi um dia cheio, mamã. Gostei muito de brincar com o meu amigo Francisco.

Desta vez já não lhe perguntei nada. Esta miúda é uma esponja, apanha tudo, percebe tudo e aplica as expressões apropriadas, no momento apropriado, sempre com a resposta na ponta da lingua. E isto é assim agora, que tem dois anos e meio - vou fazer três, diz, orgulhosa -, o que fará quando for grande, grande como o papá, como ela diz que vai ser?