quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Uma pérola por dia # 7

À conversa comigo depois de um telefonema do avô:
- Eu gosto muito do meu avô Maneli, diz ela, numa bela pronuncia alentejana. O meu avô sabe muitas coisas.
- Que coisas, Madalena?
- Sabe muitas histórias.

(ai o avô babado, ai, ai...)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Uma pérola por dia # 6

Dona Madalena já domina perfeitamente as relações familiares. Sabe quem é pai de quem, mãe, irmão, tio e por aí fora. Depois, quando brinca com a boneca favorita - o João - aplica os seus conhecimentos às histórias que inventa. Ela é a mãe do João, eu a avó do João, o pai o avô do João. O Pedro também entra e ontem, decidiu ela, era "o Rui do João".

(O Rui, para quem não sabe, é o tio da Madalena)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dez meses de Pedrinho

Dez meses de descobertas, o meu pequenino enrugado e vermelhusco tornou-se num menino lindo, com um sorriso maravilhoso, sempre atrás da mamã, a dar miminhos e beijinhos. Está grande, redondinho, come lindamente, e corre pela casa atrás da mana não vá ela fugir-lhe. Foram dez meses tão rápidos, tão rápidos que quando me ponho a pensar nisso ainda me parece que foi há dois dias que ele resolveu sair cá para fora. Anda tão excitado com o que pode fazer, agora que gatinha furiosamente por todo o lado, que se recusa a dormir mais do que o estritamente necessário. Por outras palavras, de vez em quando, a meio da noite, lá está ele de pé na caminha, a refilar connosco porque não lhe ligamos nenhuma. E o pior é que não adianta não lhe ligar. Isto vai ter de ser pago com juros, meu menino. Prepara-te!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Natal

Foi primeiro no Alentejo, com direito a Pai Natal vestido a rigor, que trouxe um gorro e um cachecol da Kitty, mais o tão esperado cavalinho, mais jogos, livros, roupas, num carrossel de prendas para um e para outro, que até eu já estava pronta.
Depois foi em Lisboa, com mais jogos, roupas, livros, uma máquina de fazer café com água à séria e um adorado computador do Noddy que já deu origem a várias fraternais discussões. Mais uma inundação de presentes, dos quais uma boa parte já foi devidamente arrumada no cimo do roupeiro para voltar a ser distribuída em doses mais reduzidas e periódicas.
O Pai Natal não veio para Lisboa, mas dona Mada explicou muito bem à avó Gracinha que o tinha visto no Alentejo, que, aliás, toda a gente o viu menos o avô Manel, que nesse preciso momento estava na casa de banho por ter comido muitos doces.
Foi o terceiro Natal da minha pequenina, o primeiro do meu pequenino e um dos melhores da minha vida, porque tê-los comigo é a maior prenda que alguma vez eu poderia ter (vá lá, no meu papel de mãe destas duas criaturinhas maravilhosas, tenho o direito a ser um bocadinho pirosa, certo?...)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pai babado

Anda a aprender as cores, mas ainda é um bocadito trapalhona. Hoje, a caminho da escola íamos a treinar com os carros estacionados. Este é verde, aquele é azul, aquele... aquele não lembro, diz ela. Vá lá, Mada, tu sabes. De que cor é aquele? insisto. Resposta airosa: aquele... é cor do Benfica.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Lição filial

Olha, papá, o livro da Kitty, para pintar!
Traz os lápis e pintamos aqui, responde o Sérgio, sentado no sofá, embrulhado numa manta.
Aqui não, papá. O sofá fica muito sujo! Pintar é na mesa. Ai, ai, ai papá!

Entretanto já pintaram, já fizeram bonecos de plasticina, e agora andam a correr pela casa a brincar às escondidas. Um, três, seis, catorze, conta ela, excitadissima, e lá vai, a correr pelo corredor fora, linda e maravilhosa.

Domingo em família

Domingo, nove da manhã. Madalena, com infecção respiratória, chora furiosamente porque não quer fazer aerossois, não quer antibiótico, não quer nada. Pedro acorda com o barulho e recusa-se a continuar na cama. Mamã deita-se mais um bocadinho com Dona Mada, a ver se a acalma. Pai levanta-se, trôpego e estremunhado, e vai para a sala fazer legos com Pedrinho. Mada Adormece, finalmente. Pedro desata aos berros porque quer mais leitinho e ainda continua com sono. Papá levanta-se do sofá, ainda trôpego e estremunhado, e vai fazer mais um biberão. Finalmente as duas crias adormecem. São dez da manhã e vamos finalmente tomar o pequeno almoço. As torradas e os corn flakes estão prontos e nós instalamo-nos no sofá a ver as manchetes de Domingo na Net. Passam cinco minutos, talvez dez, de puro sossego, até que uma vozinha ecoa pela casa: quero mamã, quero fazer cocó, quero, quero, quero...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Coração de mãe

"E há um dia em que no coração de mãe nascem flores... Quando descobre que vai nascer outro filho"

(Para a minha amiga querida que descobriu que vai ser mãe e está em pânico. Isabel Minhós Martins, Coração de Mãe)

Uma pérola por dia # 5

Dona Mada, sentada no sofá a tentar encaixar uma peça mais difícil no seu puzzle de madeira, sai-se de repente com esta: Oh, não, caraças! Olho para ela e pergunto, muito suavemente: O que disseste, filha? Caraças, respondeu-me, já num tom informativo, uma vez que a peça tinha finalmente encaixado. A conversa ficou por ali.

E não, dona avó, a culpa não é minha, que nem tenho o hábito de usar tal expressão. E o pai ainda menos, que que nas três vezes por ano em que realmente perde a paciência usa outras bastante piores.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Homo erectus

Agora, além de gatinhar a 200 à hora pela casa toda, senhor Pedro descobriu que, fazendo um bocadinho de força na pernoca, agarrando a mão ao que calha, consegue levantar-se e ficar de pé. O facto de já ter desandado para trás uma meia dúzia de vezes, batendo com a carola no chão, foi coisa que não o demoveu. Tanto que acorda a meio da noite e quando dou conta lá está ele, de pé, agarrado às grades da cama, em regra já a choramingar porque o leite está a demorar muito. Quando está de barriga cheia, brinda-me com um orgulhoso sorriso, como quem diz, estás a ver,mamã, o que eu já consigo fazer?
A vontade de estar de pé é de tal ordem que corre atrás de mim, trepa pelas minhas pernas acima e agarra-se com unhas e dentes. Literalmente, porque até fico com marcas dos dois dentinhos de baixo e dois de cima. Depois, quando lhe pego ao colo, dá-me beijinhos. Beijinhos a sério, com a boquinha aberta, daqueles que me deixam com a cara cheia de baba e o coração apertadinho de felicidade.
O meu homem pequenino está a crescer.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma pérola por dia # 4

Sérgio - Anda cá, filha, que eu ajudo-te a vestir o casaco.
Madalena vai, muito obediente, mas avisa: - A mãe e o pai estão cá para ajudar.

Ora toma, papá, para o caso de alguma vez te teres esquecido.

(A frase é da música do Ruca, os desenhos animados favoritos do momento)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Uma pérola por dia # 3

Esta é para eu não me esquecer de ser sempre simpática e paciente para a minha filha linda, mesmo quando estou cansada e irritada e tenho de lavar um bacio todo sujo)

Eu, num tom ligeiramente esganiçado de quem está a sonhar com um sofá e tem de limpar cocó - Sai daqui, Madalena!
Ela, muito ofendida - Eu fui só ver, mamã, desculpa.
E foi-se embora para a sala. Logo a seguir, naturalmente, sofreu um violento ataque de beijinhos. Estava mesmo a pedi-las.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Uma pérola por dia # 2

Eu - Sérgio, este carro está cheio de merdas! (sim, dona Fátima, bem sei que não se dizem palavrões, mas um carro com os bancos cheios de terra da árvore de Natal justifica uma linguagem um bocadinho mais escatológica...)
Madalena, de imediato - Merdas mãe?
Eu - A mãe enganou-se. Queria dizer pedras. Pedras.
Ela, já instalada na sua cadeirinha, a saborear a palavra nova - Merdas. Merdas.
Achámos melhor fingir que não era nada connosco e ela não voltou a repeti-la. Sabe Deus até quando, que estas antenas, sempre ligadas, são um perigo ...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma pérola por dia # 1

[Abre-se aqui uma nova rubrica neste blogue, uma espécie de baú de lembranças para dona princesa e senhor Pedro]

Estamos a ver anúncios na televisão, um dos passatempos preferidos da Madalena. Um deles, da Chicco, é de um cavalinho de baloiço. "Gosto de cavalinhos", anuncia ela. "Avó Fatinha vai dar um".

(Vem isto a propósito de uma promessa telefónica feita pela avó vai para mais de três meses e da qual dona princesa, naturalmente, ainda não se esqueceu. Assim sendo, avó, mais palavras para quê?)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Efeméride

Dona bebé faz hoje dois anos e meio. Ontem, a antecipar a comemoração e porque a mãe fez greve e ficou em casa, foi ao cabeleireiro cortar a franja que já lhe tapava os olhos. Lá ficou, a olhar-se no espelho, seguindo atentamente a operação, vaidosa que se farta, ao ponto de, pacientemente, deixar que lhe cortassem o cabelo e, ainda, que lho esticassem até desaparecerem os caracóis. Depois rumámos à Baixa, a assistir ao concerto dos grevistas e comer castanhas assadas, programa só de mãe e filha, como ela gosta. Temos grandes conversas as duas e, mesmo sabendo muito bem que não é assim e que um dia ela há-de ir à sua vida, gosto de pensar que com ela ao meu lado nunca mais na vida me hei-de sentir sozinha.

Do contra

Sabem aquelas teorias de que os anti-estamínicos dão sono? Eu estava mesmo muito esperançada, mas com senhor Pedro, nem isso funcionou. A alergia passou, a conjuntivite e a constipação também passaram, mas o que não lhe passou foi aquela energia toda que o faz achar que dormir é uma verdadeira perda de tempo. Continua a acordar-e eu também- várias vezes durante a noite, das quais pelo menos duas são para beber leite.
O que é que se faz? Espera-se que passe, que não estou a ver mais nenhuma alternativa.
Aquelas teorias de deixar a criança chorar até desfalecer e não lhe dar comida não são para mim. Sei muito bem que ele não tem fome, que está é mal habituado, que já tem mais do que idade para que o estômago aguente pelo menos seis ou sete horas sem reforços, mas a verdade é que não sou capaz de o deixar aos berros. Até porque se o deixo acordar a mana estou ainda mais tramada. Assim sendo, salto que nem uma mola mal o ouço a acordar, saco do biberão que fica sempre previamente preparado e enfio-lho pela boca. Depois adormecemos os dois, ele e eu, ele no meu colo, eu encostada à parede. E são assim as minhas noites. Encho-o de beijinhos, mergulho o meu nariz no pescoço dele e aproveito para o abraçar até não mais poder, enquanto ele não cresce e decide que não está para aturar os mimos da mãe.

domingo, 21 de novembro de 2010

Pedrinho o sedutor

Ficou a olhar para a médica pelo canto do olho, como se não fosse nada com ele, assim meio a esconder a cara, para logo depois a presentear com um belo sorriso, ainda cheio de lágrimas do berreiro de há dois minutos atrás. Um verdadeiro atiranço, foi o que foi. Ela não lhe resistiu e lá ficaram os dois, descaradamente, numa animada troca de sorrisinhos. É um sedutor, este rapaz, tenha cuidado com ele, que com 18 anos as raparigas não lhe largam a porta, disse-me a doutora à laia de despedida, estendendo-me a receita com o anti-estamínico e o colírio para os olhos. Quanto ao senhor Pedro, milagrosamente, já não chorava e continuou, corredor fora, a distribuir sorrisos à esquerda e à direita.
É certo que o rapaz tinha tudo menos ar de doente, mas eu, à cautela, resolvi levá-lo à Estefânia, porque na hora do banho tinha a pele que parecia carne viva, tamanha era a borbulhagem. Além disso a coisa estava claramente a incomodá-lo e a perspectiva de mais uma noite sem dormir não me animava nada. Foi da manga que lhe dei a provar e que lhe fez a primeira alergia dos seus nove meses, diz a médica com 90% de certezas. A conjuntivite veio com a constipação e também teve direito a tratamento, que espero que faça rapidamente efeito porque descolar-lhe os olhos de manhã é um tormento.
E pronto, mais uma vez o balanço da ida à Estefânia (a segunda do Pedrocas) foi bastante positivo. A espera não chegou sequer a uma hora e até teria sido divertido se não fosse haver lá miúdos mesmo doentes, coisa que me deixa sempre com o coração muito apertadinho.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Homem pequenino é bom dançarino

Confirma-se. O nosso homem pequenino cá de casa descobriu a Lagarta Flora e põe-na a tocar sozinho, ao mesmo tempo que, sentado nobumbo, vai abanando os ombros a marcar o ritmo. Todo satisfeito consigo próprio, brinda-nos com belos e orgulhosos sorrisos, arriscando-se a terríveis ataques de beijinhos.
Está maravilhoso. E hiper activo, agora que descobriu que pode gatinhar e partir à conquista do mundo. Desconfio que até sonha que anda pela casa, porque acorda várias vezes durante a noite e obriga-nos todos os dias a madrugar, como que a dizer que há coisas muito mais interessantes do que ficar com o rabinho na cama. Espero que lhe passe rapidamente esta fase de excitação, que isto de acordar de três em três horas está a deixar-me de rastos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dom Pedro, o Explorador

Deixei sua magestade no tapete dele na sala, entretido com o comando da televisão - mais um achar que o comando é dele - e fui espreitar a máquina de lavar roupa nova que vieram entregar hoje, confiante que o rapaz nem se atreveria a descer o degrau para me seguir. Acontece que ele não foi da mesma opinião. Desceu mesmo e quando démos por ele, eu e a Madalena, estava atrás de nós, com um sorriso vitorioso, pronto a meter a mão na comida dos gatos. Foi apenas a primeira expedição da noite. Trouxe-o de volta à sala, armei-me de máquina de filmar e deixei-o ir à descoberta da casa. Andou por todo o lado, quase sempre atrás da mana, e finalmente decidiu ficar no quarto dos brinquedos, para grande transtorno de dona Madalena, que tratou de trasladar metade dos seus pertences para a cozinha, numa tentativa de os pôr a salvo do mano. Está tudo registado em vídeo, até o meu sorriso de mãe babada, que estava tão grande e rasgado que também tinha de ficar para a posteridade. Quanto a dom Pedro, de pijama encardido nos joelhos, caiu na cama que nem uma pedrinha mas ainda com o sorriso feliz e vitorioso da noite.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

500 palavras? ná...

Papá a tomar o pequeno almoço e com preguiça de ir buscar mais um copo para a filha, que resolveu pedir suminho. Bebemos os dois por este, é o nosso copo, diz-lhe, a ver se a convence. Nã quéio, papá beber tudo e para mim nada, responde ela muito indignada. E lá foi o pai, muito caladinho, buscar um copo para a princesa.

Ora bem, os especialistas dizem que nesta idade o vocabulário ronda as 500 palavras. Eu por mim nunca contei, mas tenho a certezinha absoluta que a rapariga, além de umas boas centenas de palavrinhas, bem mais que meio milhar, conhece também a gramática inteirinha. Ai que orgulho.

Madalena GPS

Chuvinha lá fora, papá de folga e toca de nos armarmos em finos e, muito airosos, levar dona princesa de carro para a escola. Ao fim de três minutos de percurso, o primeiro desvio, por causa de umas obras quaisquer. Madalena topou imediatamente e tratou de avisar que não senhora, que não queria ir para a piscina, que queria era ir para a escola. Lá lhe explicámos que sim, que iamos a caminho da escola, mas que desta vez tinhamos de ir por uma rua diferente e que por acaso era o mesmo caminho da piscina. Um pouco mais à frente, trânsito parado. Dez minutos depois, a passo de caracol, mais obras e um novo desvio a obrigar-nos a andar no sentido oposto ao que precisávamos. Do banco de tras nova reclamação: mamã, quero ir para a escola! Nessa altura resolvemos pôr o CD da "música da Madalena", a ver se a distraíamos. Entretanto eu já estava atrasada para uma entrevista, o pai estava atrasado para uma reunião e Madalena berrava lá atrás que não queria ir para casa, que queria era ir para a escola. Estava coberta de razão, aliás, porque meia hora depois de termos saído de casa, a porcaria dos desvios tinha-nos conduzido exactamente ao ponto de partida, ou seja, à nossa rua. Quarenta minutos passados, lá chegámos à escola e Mada estava tão farta daquilo tudo que ficou sem um queixume que fosse e com um ar aliviadissimo.

Moral da história:
1. mais vale levar a miúda a pé, mesmo com chuva;
2. andar de carro em Lisboa é uma seca (como andamos sempre a pé, às vezes esquecemo-nos);
3. dona Mada veio com um GPS incorporado e conhece as ruas de Lisboa (as do nosso bairro, pelo menos) tão bem como a palma da mão.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Privilégios

Já não sei porquê, Mada e o pai estão a falar da vizinha do primeiro andar, uma senhora já velhota e muito simpática. O pai pergunta-lhe: gostas da dona Helena? Um segundo de silêncio e responde: gosto da mãe. E logo a seguir: gosto do Pedrinho. Gosto do pai. E gosto da gatinha.
Eu, que estou no meu quarto, às escuras, a dar a maminha da noite ao Pedro, só me apetece abraçá-la imediatamente. Abraçá-los aos dois com muita, muita força. E sinto-me a mãe mais privilegiada do mundo. Porque ser mãe destes miudos é um privilégio muito grande. E, mais, é um privilégio a dobrar acompanhar o crescimento deles, aprender com eles como a vida pode ser, e é, uma coisa tão bela e fantástica em que vale a pena aproveitar cada segundo. São lindos, os meus filhos.

Mais uma data memorável

Além de lhe termos descoberto mais um dente, que o anda a chatear à brava, Pedrinho presenteou-nos ontem com uma bela exibição da sua mais recente mobilidade. Começou por se retirar graciosamente do Bumbo para cima do tapete - se bateu com a cabeça no chão, coisa que me parece muito provável, não se queixou nem nós nos démos conta. Depois, dirigiu-se calmamente para onde a mana estava sentada, a fazer o seu puzzle do Noddy, a mais recente aquisição. Uma vez aí chegado, apropriou-se de várias peças que examinou atentamente e tratou de encher de baba, para grande irritação da Madalena, chateada, não só com a apropriação indevida, mas também com o facto de aquilo estar tudo encharcado. Como a mana não lhe deu grande conversa, decidiu ir explorar os vários cantos à sala. E lá foi, a arrastar-se pelo chão frio, mais do que propriamente a gatinhar e com os dois pais babadissimos a seguir-lhe cada movimento de máquina de filmar em punho.
Assim foi, portanto. Senhor Pedro já gatinha. Muito à sua maneira, é certo, mas o pontapé de saída está dado. E o nosso já mísero sossego está a chegar ao fim.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Orgulho a quanto obrigas

Na semana passada levei-a à escola e aproveitei para me actualizar sobre como se tem andado a portar. Muito bem, muito faladora, canta, dança, brinca com todos sem problemas, dorme bem, já anda o dia todo sem fralda (e sem acidentes), como bem e... bom, como não há bela sem senão, a Susana lá me informou que dona princesa come tudo, sim senhora, mas nunca pela sua mão. Senta-se à frente do pratinho e, basicamente, espera que a sirvam e lhe levem a colher à boca. Isto quando praticamente todos os meninos da sala comem sem qualquer ajuda. Eu tive de reconhecer que em casa ainda lhe dou a comida, porque são dois e tenho de me despachar, senão saímos da mesa lá para as dez da noite, mas vim-me embora com o compromisso de a incentivar a ser mais autónoma na hora das refeições.
Insisti um bocado, é certo, mas também lhe contei a conversa com a professora. Só tu e a Carolina é que não comem sozinhas, disse-lhe. E tu não percebo porquê, porque sabes muito bem como se faz. Ficou a matutar na coisa e disse-me: Susana muito zangada. Pois claro que sim, respondi-lhe.
Hoje, fui buscá-la à escola e nas informações diárias que colocam na parede, lá estava o habitual "comeu bem", seguido de duas palavrinhas: "sem ajuda". Dona princesa, essa não cabia em si de orgulho.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Comemoração

Este ano fomos para Tomar e para o Hotel dos Templários. No ano passado foi no Porto, ainda com o Pedro na barriga e em 2008 no Crato, pela primeira vez com a princesa. Em 2007 estivémos em Borba e em 2006 tinhamos viajado de combóio até Madrid. Em 2005, o primeiro ano do resto das nossas vidas e ainda tão longe daquilo que temos hoje, estávamos no Vietname, em Hoi-Han. Era o dia 30 de Outubro, véspera da chegada do furacão Kai-Tak.

Gostava de poder viajar sempre para qualquer sitio diferente no dia da nossa-comemoração-pirosa, porque foi, afinal, com uma viagem, que tudo isto começou. Antes a dois e daqui para a frente sempre a quatro.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Amigos

Tem duas bonecas, ambas vestidas de cor-de-rosa e com lacinhos na cabeça. Passeia-as à vez, dá-lhes maminha (levanta a camisola e tudo, tal qual como me vê a fazer com o mano), leva-as ao médico (está muito doente, mamã, diz com ar preocupado) e, naturalmente, já as baptizou às duas. São o João e o Noa. Os nomes dos colegas do ano passado que este ano mudaram de escola. Falta o Nuno, que foi morar na Alemanha, mas desse só fala quando aparece algum principe nas nossas histórias. Nesse caso, é sempre o principe Nuno.

Mimi

"Era uma vez uma menina, chamada Mimi. Morava numa casa muito bonita, com um jardim. Vivia com a mamã, o papá e um mano, chamdo Pedro. A Mimi tinha um gatinho, chamado Pom-pom e um cãozinho, chamado Ão-ão. Um dia, a Mimi acordou e a mamã disse-lhe..."

E a história vai por aí fora, ao sabor da imaginação, dos acontecimentos do dia ou dos pedidos da princesa. A Mimi foi inventada numa noite qualquer, em que o sono estava a demorar muito a vir, e desde aí marca presença quase diária na cama da Madalena. O início é sempre o mesmo e ela já antecipa as palavras, que sabe de cor. Aliás, já a apanhei a contar ela própria histórias da Mimi às bonecas. Identifica-se com a personagem, claro, mas se por acaso nós nos enganamos e em vez de Mimi dizemos Madalena, fica toda indignada e trata logo de nos corrigir. A Mimi, essa já faz parte da família.

domingo, 24 de outubro de 2010

O recurso aos grandes métodos

Pedrinho não quer a papa e chora furiosamente, ameaçando lançar-se do bumbo abaixo (já o fez uma vez, portanto agora andamos sempre de olho nele). Mada acabou de acordar, está de mau humor e também não quer a papa. A mãe está a preparar-se para entrar no duche (finalmente) e não pode ir fazer de bombeiro. O pai, só com duas mãos, também não se safa. Solução: Ruca. Liga-se a televisão, coloca-se o filme e os dois anjinhos estão de volta, ela enroladinha no sofá, ele na sua cadeirinha, muito sério, a papar o episódio do princípio ao fim (com esta idade, dona Madalena só se concentrava mesmo nos anúncios da televisão). O papá aproveita e vê também. É pouco pedagógico? Se calhar é, mas pronto, há momentos em que é preciso recorrer aos grande métodos.

sábado, 23 de outubro de 2010

Senhor Pedro tem um dente

É sempre um momento importante, assim uma espécie de meta, um rito de passagem, e senhor Pedro lá chegou: hoje, a uma semana de fazer oito meses, saiu-lhe finalmente o primeiro dentinho. É um dos incisivos inferiores e há já uns dias que se sentia ali qualquer coisa, quando por lá roçava a colher da sopa. Não anda tão comilão como de costume, irrita-se mais, choraminga em coro com a mana, mas de resto está óptimo. E o dente, bem, o dente, como seria de esperar é lindo que se farta. Eu diria mesmo que é o dente mais lindo que alguma vez se viu.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Amores e desamores

Madalena, gostas do papá?
Sim.
Muito ou pouco?
Muito, muito... grande
E da mamã?
Sim, muito, muito linda.
E do Pedro?
Não.
Então porquê, filha?
Quero a mamã aqui!

Isto de ter um mano em casa quando ainda só se tem dois anos de idade não é coisa fácil. Pelo contrário, é obra. Porque é preciso partilhar a mãe, partilhar o pai e, sobretudo, porque se perde o estatuto de estrela da estação. Lá na cabecinha dela, as emoções devem misturar-se todas e, de vez em quando, foge-lhe a boca para a verdade. Com o mano, tem uma relação engraçada: Na maior parte do tempo ignora-o olimpicamente. De vez em quando dá-lhe uma festinha ou um beijinho de manhã antes de ir para a escola, mas em regra faz de conta que ele não está por perto. E é até muito toletante com a história dos brinquedos, mas já a ouvi dizer-lhe "Pedro, não mexe nas coisas da Manena", coisa que, aliás, era absolutamente impossível, porque estavam os dois no quarto dos brinquedos, mas ele enfiado na espreguiçadeira, de onde não conseguia tocar em nada. Hoje, quando lhe contei que o mano tinha ido à vacina e tinha chorado um bocado, disse-me, muito séria e solidária, "coitadinho do Pedro". Depois foi brincar e não lhe ligou mais o resto da noite. Tem dois anos. E está cada vez mais linda e maravilhosa

Oito meses, oito quilos e picos

Pedrinho foi à vacina com o papá e a enfermeira Cristina actualizou o peso. A uma semana de fazer oito meses, já vai em 8,740 kg e 70,5 cms. O mesmo comprimento da mana com a mesma idade, mas mais um quilo e meio do que ela. Lá no Alentejo aplica-se a palavrinha perfeita: maciço. O rapaz não é gordinho, nem coisa que se pareça. É maciço. Tem um musculo rijinho e cheio de força. E come tão bem que é uma delícia dar-lhe a sopa e a fruta. A mana também era assim, de boa boca, mas manteve sempre a sua elegância de modelo de alta costura. Ele tem uma pernoca forte, à jogador de futebol, como diz o papá, já a planear levá-lo aos sábados de manhã à escolinha do Benfica.
Em suma, senhor Pedro, também conhecido por senhor Volumoso, está maravilhoso e se o deixássemos já cirandava pela casa toda. É que, embora só consiga gatinhar para trás, mexe-se com toda a desenvoltura para onde muito bem quer e lhe apetece (normalmente na direcção de um brinquedo qualquer da mana, que esta se apressa rapidamente em esconder).

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Post para a M. que vai ser mamã

A M. está grávida. É mais uma das minha amigas jornalistas a lançar-se nesta aventura maluca de conciliar filhos com horários perfeitamente impossíveis numa profissão maluca em que tudo pode acontecer de repente, quando estamos quase a sair para vir para casa, já a correr porque daí a pouco está na hora da empregada sair e não há quem fique com as crianças. É uma aventura de doidos, que nos faz disparar o coração porque passámos a tarde a fazer um texto e ele desaparece precisamente quando o vamos mandar para o editor. Ou porque quando estamos a fechar o computador chega aquele email com uma resposta das Finanças pela qual esperámos o dia inteiro. Ou, ainda, porque o Governo decide apresentar o seu plano de medidas de austeridade e é preciso ficar à espera do Sócrates, que resolveu falar ao País às oito da noite, a hora a que os miudos já deviam estar a jantar. E os exemplos podiam continuar por aí fora, porque se há coisa de que não podemos queixar-nos nesta profissão e de monotonia. Mas, apesar de tudo isto, é tão bom chegar a casa e abraçá-los, receberem-nos com o sorriso mais lindo do mundo inteiro e arredores, correr para alimentar um e outro, ouvir as historias do dia na escola, conversar e dar beijinhos enquanto se mudam as fraldas, contar histórias da Mimi enquanto o sono não chega, ouvir um "boa note mamã" e adormecer a sonhar com eles. É tão bom, tão bom, querida M., que o resto, as correrias do dia a dia, não têm importância absolutamente nenhuma. Parabéns.

sábado, 9 de outubro de 2010

Mais um post escatológico

Madalena! Onde estás? Sérgio, viste a Madalena?
Estou aqui, mamã, responde-me ela lá de dentro, estou no Bacio.
Estava na casa de banho, completamente às escuras, e tinha ido sozinha fazer xixi. Quando fui ver onde ela andava, que já não a ouvia há algum tempo, vinha já toda airosa, a puxar as calças para cima.
Ai que orgulho na minha filha.
Tenho esperanças que tenha finalmente dado descanso ao sofá...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Reincidente

Alguém quer um sofá (quase) novinho em folha e apenas ligeiramente fedorento? Está disponível depois de hoje dona princesa ter voltado a descuidar-se enquanto via o Noddy. Desta vez zanguei-me com ela e tirei o filme, o que a deixou ofendidissima e num pranto.
A coisa foi de tal ordem, que o mano decidiu seguir-lhe o exemplo e desatou também a chorar, assim se mantendo durante todo o tempo em que a levei para o quarto para lhe mudar o pijama. Voltei rapidamente à sala para confortar o mais novo, com ela ainda meia despida, a apertar-lhe os botões, enquanto com a outra mão tentava limpar o sofá com uma toalha ainda na esperança de conseguir absorver alguma coisa do xixi.
Acalmados os ânimos, todos para a mesa, para jantar.
Ela chora porque não quer sopinha.
Ele chora porque quer e eu não estou a ser suficientemente rápida.
Depois ela já quer e é ele que muda de ideias porque prefere a maminha.
Quando finalmente os consigo acalmar, estou a dar-lhe a sopa a ela e mama a ele ao mesmo tempo.
O sofá, esse cheira mal.

Somos os maiores

Cá em casa já só se usam fraldas tamanho 4. Dão para a mana e dão para o mano. Ela elegante e magricelas. Ele lindo e gorducho.
O grande utilizador, naturalmente, é ele, que a nossa princesa já anda (quase sempre) sem fralda. Tirando alguns descuidos, coisitas sem importância. Como ontem, que se entusiasmou a ver o Noddy e molhou ligeiramente o sofá da sala.

Se alguém souber como é que raio eu vou lavar um sofá de tecido e em que as almofadas não saem, agradeço que me informe, porque há um cheiro terrivel a pairar na sala...

domingo, 26 de setembro de 2010

Novo amor

O Rui trouxe-lhe um filme da Hello Kitty e agora não quer outra coisa. Senta-se no sofá, o mano ao lado no bumbo, e devora a coisa, acaba e repete, acaba e lá vai ela de dedinho estendido para o play do dvd. Ninguém a ouve. E a ele também não, igualmente concentrado nos desenhos animados (horriveis, por sinal - só para terem uma ideia, o episódio chama-se "Kitty Branca de Neve").
Com tanta paixão televisiva, combinámos que não iriamos além da meia hora diária, depois do banho e enquanto eu e o pai preparamos o jantar.
Hoje a meio da tarde dona Madalena fez birra. Queria a Kitty, porque queria e porque queria. Como não lhe valeram de nada os gritos, resolveu mudar o ângulo de abordagem e fazer birra para... ir tomar banho. Foi uma bela tentativa, temos de concordar. Não estava mal pensado, não senhora.

sábado, 25 de setembro de 2010

Festa no bairro

Então havia uma festa aqui no bairro e nós não iamos? Ná, nem pensar. Até porque havia comida e cerveja alemãs e o homem cá de casa ainda não tinha jantado. Reunidas as condições, lá rumámos ao jardim do Campo dos Mártires da Pátria para a festa 'Munique em Lisboa'. Crianças no carrinho novo, casacos, mantinhas, boina, gatinha, chuchas, maluquice q.b., porque estava frio e já eram quase dez da noite. Afinal valeu a pena. As salsichas eram muito boas, a cerveja também, o Pedro fez um sucesso junto das miudas loiras com a sua boina, o carrinho de dois lugares também e conseguimos voltar para casa sem perder nenhum dos rebentos. Estamos a ficar peritos nestas saídas, por isso tomámos uma decisão importante: no próximo Verão retomamos os nossos planos de visitar todas as capitais europeias e avançamos para Berlim. Não é pela cerveja nem (seguramente) pela comida, é porque em Berlim as ruas são muito direitinhas e não há cá colinas como na nossa querida cidade, em que empurrar um carrinho com duas crianças é tão fácil como uma sessão de alterofilismo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Primeiras frases

"Mamã, ajuda a abrir a cama pequenina."
A frase saiu-lhe assim, com as palavras e os artigos definidos na ordem certa.
A cama pequenina é a cama de gaveta, por baixo da cama dela, que abrimos todas as noites para o caso de dar meia volta e se estatelar lá em baixo.
Antes tinha pedido para ir à sanita fazer xixi e depois foi lavar os dentes.
É o meu orgulho, esta rapariga.

domingo, 19 de setembro de 2010

Dez coisas

Sobre o senhor Pedro

1. Tem o sorriso mais charmoso do mundo
2. Come sopa como se o mundo fosse acabar daí a pouco. Devora, mais exactamente. E isto depois de um começo difícil, em que achei que ele nunca na vida ia comer mais nada senão leite
3. Refila imenso antes de dormir, como quem acha que dormir é uma enorme perda de tempo com tantas coisas para ver e aprender
4. Adormece sempre para o lado esquerdo. Às vezes, durante a noite dá mesmo a volta completa e vou dar com ele de barriga para baixo, com o nariz completamente esborrachado e vermelho
5. Inunda o quarto de cada vez que toma banho, tal é a hidroginástica que faz na banheira. No fim acabo quase tão molhada como ele
6. Não gosta de água na cara
7. Com quase sete meses, continua a acordar pelo menos uma vez durante a noite para mamar
8. Tem um sono muito leve e mal acendemos a luz no quarto resmunga logo
9. Já consegue gatinhar um pouco, mas só se movimenta para trás, tipo caranguejo
10. Derrete-se todo com a mana e se a apanha desprevenida mimoseia-a com festinhas e puxões de cabelos. Lindos ao lado um do outro...
Senhor Pedro tem seis meses e três semanas

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tal pai, tal filhos

O mais pequeno na sua espreguiçadeira, ela ao lado, sentada no tapete, e o pai devidamente refastelado no sofá. Na televisão está o Noddy, o mesmo filme, com a história da estrela cadente, a passar pela enésima vez. Não se ouve mais nada, tal é a concentração. São os trinta minutos diários de televisão a que estão autorizados e é preciso aproveitá-los bem. Papá e meninos, os três mergulhados nos desenhos animados. Apetece-e ir lá e abraçá-los aos três com muita força, mas não me atrevo porque provavelmente iam correr comigo dali para fora. Assim sendo fico aqui, de longe, a observá-los. Tão maravilhosos. Meus.

Quem é, mamã?


Praça de Londres e Jardim Zoológico de Lisboa, nos anos 70.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dez coisas

Sobre dona princesa

1. Continua linda e maravilhosa
2. Está na fase do "qué isto,mamã?" e, cusca como é, repete a pergunta até à exaustão e por tudo e por nada
3. Come sozinha quando não lhe dá a preguiça e praticamente sem cair nada. O iogurte é o mais difícil, mas não se deixa intimidar
4. Faz xixi e cocó na sanita quando calha e não lhe dá a preguiça. Depois limpa conscienciosamente o rabiosque, puxa o autoclismo e diz adeus à coisa
5. Deixou de adormecer sozinha e agora obriga-me a mim ou ao pai a ficarmos com ela até lhe dar o sono
6. Acorda durante a noite com frequência, coisa que antes era raro acontecer, pede leitinho e insiste em vir comigo buscá-lo à cozinha: "Fica aí, Madalena", "Não, qué ir também", diz, e nada a demove
7. Não larga a gatinha nem por nada. Leva-a para todo o lado,inclusivé para a escola e não há maneira de a convencer que é preciso dar-lhe banho. Era branca, mas neste momento já adquiriu um belo tom de cinzento
8. Deixou de chamar "Body" ao Noddy e anda apaixonada por um filme do dito, oferta do Francisco que já é um menino crescido e agora prefere outras coisas
9. Anda obcecada pelo Mafarrico e pelo Sonso, os dois gnomos maus dos filmes do Noddy. Diz que são feios e quando aparecem salta rapidamente para o colo do pai
10. Anda sozinha no escorrega e está um mimo a subir e a descer escadas
Dona princesa tem 27 meses e uns pózinhos

domingo, 12 de setembro de 2010

É para que vejam, meninos...

Rita e Pedro
A Rita tem 34 anos. O Pedro tem 17. Conhecem-se desde sempre. Ela era amiga da mãe dele e fazia de baby sitter. Mas isso foi há muito tempo. O Pedro Cresceu e um dia caiu-lhe na cama. 16 anos, acabados de celebrar com bolo, velas, avós e tios. A Rita, que é casada há dez anos, deixou de ter dores de cabeça à noite e descobriu que está com muito menos rugas. Vai divorciar-se. Estão à espera que o Pedro faça 18 anos para comunicar ao mundo. Entretanto, ela passou a escrever SMS com "k" em vez de "que", ouve menos ópera, começou a comprar as últimas novidades do rock e leva a vida colada ao telefone, à espera de uma das 324 chamadas diárias. Também deixou de ser a melhor amiga da mãe dele.


Era 2004 quando escrevi este texto. A Rita e o Pedro, que não se chamam assim, naturalmente, ainda não viviam juntos. Ela continuava em casa, com o agora ex-marido, à espera do divórcio, ele continuava em casa dos pais, a ir todos os dias para a escola como qualquer outro adolescente.
Nos seis anos que entretanto se passaram aconteceu muita coisa. Aconteceu um divórcio, depois um casamento, uma casa nova, muita gente lhes virou as costas, muita gente comentou, muita gente ficou a falar na rua quando eles passavam, apaixonados, decididos a não se deixar intimidar.
Nestes seis anos, a Rita voltou a ser (quase) amiga da mãe do Pedro. Continuam a viver juntos. Estão felizes um com o outro. Ele tem 23 anos, está a terminar a faculdade. Ela também voltou a estudar e acabou o curso no ano passado. O filho dela é agora adolescente e vive com os dois.
A Rita e o Pedro têm muito para nos ensinar sobre como a vida é melhor se nos deixarmos de preconceitos bacocos.

Regresso - parte 2

Duas semanas depois de regressada ao trabalho, consegui ir ao ginásio uma vez. Consegui não telefonar mais do que duas vezes por dia para casa, uma antes do almoço, outra a meio da tarde. Consegui não passar o tempo todo a pensar nos meus bebés (o facto de ter escrito quase todos os dias há-de ter ajudado). Consegui sair metade dos dias por volta das sete, outra metade quase às oito. Menos mal, porque dei muitas vezes banho ao Pedro e como ainda é quase Verão consegui em muitos dias ir lá para fora para o jardim, assistir ao pôr-do-sol no baloiço.
Menos mal. Temi que fosse pior. Por outro lado, as coisas pouco mudaram por lá, tirando as caras novas dos estagiários, que são mais que as mães. As fontes são as mesmas, até as notícias são as mesmas. Enfim, pode dizer-se que é reconfortante. Seria (quase) perfeito se eu conseguisse ir três vezes por semana ao ginásio. Assim, e apesar de continuar a ir a pé e a duzentos à hora para não me atrasar, continuo com os mesmos 53 quilos. Blargh.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Regresso

Ao fim de quase oito meses em casa, entregue às delícias da maternidade e da dondoquice, houve um momento em que soube que estava na hora de voltar ao trabalho. Não foi nenhum ataque de saudades, nenhum súbito desejo de voltar a escrever, nenhuma inesperada angústia pré-regresso. Nada disso. O que me fez dar o clique foi, muito simplesmente, um programa de televisão. Foi, mais exactamente, esse portento da comunicação chamado Julia Pinheiro, que pariu uma coisa chamada As Tardes da Júlia. Ora estava eu a fazer um pequeno zapping, a seguir à minha novela favorita - sim, que eu de vez em quando via o Poder Paralelo a seguir ao almoço, talvez a pior novela brasileira de que me recordo - quando deparo com um senhor, convidado especial das Tardes da Julia, embrenhado numa brilhante exposição sobre fezes. Exactamente. Estive aqui a pensar numa palavra alternativa, mas não me ocorre nenhuma, porque o objecto da exposição eram mesmo as ditas. E lá estavam exemplos, primorosamente moldados em barro, exibidos à medida que o especialista explicava às embasbacadas senhoras da assistência quais as formas e consistências mais adequadas para um dia feliz e sem necessidade de laxantes. Foi aqui que eu mudei de canal e disse a mim própria que estava na altura de voltar, que as Tardes da Júlia não são para mim. Nem as manhãs do Goucha, nem o Verão Total, nem toda a restante catrefada de lixo televisivo com que nos bomabardeiam as nossas televisões. E pronto, foi assim. Voltei ao trabalho esta semana e estou novamente confinada à Fox e ao AXN e à RTP memória e mesmo assim só à noite, já depois das dez, quando finalmente consigo pôr os rebentos a dormir. Foi um bom regresso, apesar de tudo. Já estava com saudades e agora o meu único problema é não ligar de dez em dez miutos para casa a perguntar à Inna se está tudo bem com o Pedro.

domingo, 29 de agosto de 2010

Breves de dona princesa (a que só os pais acham piada)

Sopa é lá coisa que se coma?

À custa de muita conversa para a distrair, lá consigo que coma o prato de sopa todo, apesar dos protestos periódicos de "nã quéio sopinha, mamã". "Que bom, Madalena, comeste tudo, agora vou buscar o resto", digo-lhe. "Sim, mamã, a comida. Quéio comida."

Doutores e bruxos, é tudo a mesma coisa

Logo depois de mais uma ida à bruxa horrivel - para leitores menos informados, trata-se da pediatra dela -, estava a ver televisão com o pai quando aparece o Pinto da Costa. Seguindo os conselhos dos melhores manuais de pedagogia infantil, o progenitor tratou de a informar que aquele senhor é muito mau, é um bruxo. Resposta imediata da pequena: é um doutor, papá.

O seu desejo é uma ordem, menina

Passamos pela loja da Chicco do Saldanha, onde ela nunca tinha entrado, mas pôs o pé lá dentro percebeu logo onde estava e foi à procura dos balões que costuma haver na Chicco para oferecer às crianças. Foi a primeira chatice porque, logo por azer, naquela não havia. Depois tomou-se de amores por cavalinho de baloiço e foi uma carga de trabalhos para a convencer a vir embora sem ele. Já em desespero disse-lhe para pedir à avó que talvez ela lhe comprasse um. Voltámos para casa e não se falou mais no assunto até que, muito mais tarde, ela me apanhou ao telefone com a minha mãe. Muito despachada tirou-me o auscultador e anunciou "quéio cavalinho, vovó". Depois foi brincar novamente, que, como ela sabe muito bem, os seus desejos são ordens.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Seis meses

E vão seis. Seis meses à velocidade da luz e um rapaz já tão diferente do bebé que saiu da barriga da mãe. Olhos grandes, quase pretos, arregalados para o mundo, sorriso sempre aberto, choro pronto a sair se tem fome ou se quer dormir. É assim o nosso Pedro. Muito bom feitio, charme a disparar para todos os lados e um moço que acha que dormir é um desperdício de tempo. Aliás, a mim parece-me que algures nos primeiros minutos em que se apanhou cá fora engoliu um despertador e nunca mais se apartou dele, porque mais certinho do que isto é impossível: de três em três horas pede maminha e pouco lhe interessa se são três da tarde ou três da madrugada. Nestes seis meses, só por uma vez dormiu sete horas seguidas (um verdadeiro milagre) e talvez tenha havido uma ou outra em que se manteve sossegadinho durante cinco horas. Acorda, mama e volta a dormir. Já eu acordo, dou-lhe mama, deito-me, levanto-me novamente para ver a Madalena que acordou, pego nela, que não quer ficar na cama, vou ao frigorífico buscar leite, levo-a de volta para a cama, adormeço enquanto lhe dou o biberon e acordo novamente três horas depois, quando ao senhor Pedro lhe volta a dar a fomeca. E só não é assim todas as noites, porque a mana continua a dormir bem e até nem são muitas as vezes em que lhe dá a espertina. Já li e reli o que diz o guru Brazelton sobre o assunto e ao que parece não me resta muito mais a fazer do que esperar. E ir babando com as gracinhas do rapaz, para não pensar muito no pormenor sem importância das noites mal dormidas.

domingo, 22 de agosto de 2010

Primos


A mais velha tem 14 anos, a mais nova vai ainda a caminho dos três meses. São todos giros que se farta, os seis primos. Para a Madalena, o encontro na Várzea foi um dos grandes acontecimentos do Verão. Obrigada, Ana, pela nova brincadeira que lhe ensinaste. Agora passa a vida a perguntar "que quéi, mamã?", qual verdadeira dona de um restaurante a impingir comida aos clientes. Um dia destes já tinha esgotado todo e qualquer imaginário menu e dei por mim a pedir uma sandes de courato. Felizmente não tinha.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

91 centímetros de gente

É uma brincadeira cá de casa: gritamos "abraço de família" e eu e o pai ao mesmo tempo estrafegamos os miúdos. Ela ri-se imenso, ele encolhe-se todo e nós babamos de orgulho e pronto, ficamos todos felizes. Hoje repetimos a gracinha, mas sem o Pedro, que já estava a dormir, e ela, muito rápida, tratou de nos informar que faltava o mano e que portanto não era um abraço de família completo. E nós, mais uma vez, reluzimos de orgulho com este pedacinho de gente - doze quilos e 91 centímetros, medidos hoje na médica -, um cérebro que é uma esponja, a quem não escapa nada. Não a levávamos à bruxa horrível há seis meses e desta vez explicámos-lhe previamente ao que ia. Começou a choramingar ainda antes de entrarmos no prédio e depois, como de costume, berrou durante todo o tempo. É um estilo que vem desde a primeira consulta e há que mantê-lo, apesar de estar uma menina crescida, que já fala que se farta - um bocado trapalhona, mas isso são pormenores - entende tudo o que lhe dizemos, conta até dez e come sozinha sem deixar cair (quase) nada. Só se mantem ainda muito ligada às fraldas, apesar de ontem ter ficado sentada no bacio, de livro na mão, durante uns bons 15 minutos. Não saiu uma gotinha que fosse e quando se fartou levantou-se muito despachada, lavou os dentes e foi para a cama grande, onde adormece sozinha e toda orgulhos de si própria. Como foi que ela cresceu tão depressa?

Sopinha? não obrigado.

A mamã que coma e é se quiser, que ele a bem dizer não lhe apetece, obrigado. Eu é mais maminha, responde, todo sorridente, como se pudesse mesmo falar e depois de me ter boicotado toda e qualquer tentativa de lhe enfiar uma colher de sopa pela goela abaixo. É que não entra nada. Cerra os lábios com toda a força, como fazia com o antibiótico da bronquite, mas a diferença é que eu desta vez não posso insistir, para não correr o risco de ele ganhar aversão à coisa. É desesperante. Mas normal, assegura a médica, que insiste em que eu é que já não me lembro, mas a Madalena há-de ter feito o mesmo. Se calhar fez, mas desta vez estou um bocadinho mais ansiosa, porque se aproxima a grande velocidade o dia do regresso ao trabalho, em que o rapaz deixará de ter as maminhas da mãe à disposição à hora a que bem lhe apeteça.
Hoje fomos à médica e o nosso homem portou-se à altura e só refilou quando ela lhe quis espreitar a garganta, provavelmente a precaver a chegada de uma eventual colher de sopa. Com o calendário a marcar seis meses daqui a uma semana, pesa 7,420 kg e mede 67,5 cm. Tudo à conta da vaquinha mimosa e um quilo mais do que a mana quando tinha a mesma idade (ela, no entanto, ganhava-lhe em altura, com um centímetro a mais).

Tão iguais e tão diferentes. Os mesmo olhos abertos para o mundo, grandes de espanto com tudo e com todos. Ele sempre sorridente, ela sempre séria. Lindos os dois.

domingo, 15 de agosto de 2010

Benfica

Grande. Foi o que me disse quando chegou a casa, cheia de sono, mas demasiado excitada para ir directamente para a cama. Foi o último dia de férias e foi, também, o dia do seu primeiro jogo de futebol na Luz. Foi à má-fila, porque só deixam entrar crianças com mais de três anos - o pai mentiu descaradamente ao segurança - e aguentou-se uma hora e meia sem reclamar. Voltou muito vaidosa, de cachecol do Quenquica, e a anunciar que tinha comido um pacote de batatas fritas, que tinha visto a águia vitória e que os senhores gritavam muito. Foi o primeiro jogo da temporada e, diz o pai, um Benfica-Académica, tal como o avô António teria gostado. Não ganhámos, mas não faz mal. O que ficará na memória de princesa há-de ser o estádio grande, grande, visto da sua perspectiva de menina de dois anos.

Bronquítico

Primeira febre, primeira ida ao centro de saúde (em pleno Alentejo), primeiro raio-x, primeiro antibiótico, primeira ida à Estefânia, primeira bronquite. E tudo isto em plenas férias. Um mix que se saldou em várias noites sem dormir - ou a acordar de duas em duas horas, o que dá no mesmo. Não sei onde nem como é que o rapaz apanhou esta porcaria, mas apanhou e bem, com uma profusão de ranho nunca vista, febre que voltava de oito em oito horas e dificuldades em respirar. E eu sentada na cama, a olhar para ele, a verificar os altos e baixos da respiração, para me certificar que tudo estava bem e, quando a coisa ficava mais negra, a desentupir o belo do nariz, com o único método eficaz para quem tem cinco meses e que me abstenho aqui de descrever (só digo que implica aspirar ranho por um tubinho). Foi bom, portanto. Enquanto o pai e a mana rumavam à piscina para se livrarem dos 40º à sombra que estavam em Castro Verde, mamã e Pedrinho ficavam em casa, de janelas fechadas para impedir a esturreira de entrar. E o pior é que nem dava para ler ou mesmo para brincar, porque os humores do pequeno, como facilmente se percebe, não estavam lá grande coisa. E assim se passaram os primeiros oito dias de férias. Menos mal, já que andava tão cansada que apesar de me vingar na comida maravilhosa da minha mãe, acabei por não engordar novamente.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Os erres

Dona princesa fala pelos cotovelos. Canta pelos cantos. Conta histórias aos bonecos. Lê livros ao mano. Quando não sabe inventa, mas lá atrapalhar-se, isso é que não. Há palavras que lhe saem muito perfeitinhas, mas na maioria dos casos é um bocado trapalhona e só a mãe e o pai é que a percebem (quase) sempre. Uma das grandes dificuldades são os érres, que lhe saem em forma de g ou então desaparecem mesmo - os livros, por exemplo, são uios e Rui sai sempre Gui. Ou saía, porque o próprio Rui tratou de lhe ensinar a dizer o nome na maior das correcções. A referência foi ... o ressonar do papá. Isso mesmo. Madalena, como é que o papá ressona? rrrrrrrrrrrrrrrrr, responde ela. Agora diz rrrrrrrrrrrrrrrrui. E ela, muito airosa, repete, um érre muito puxadinho e enroladinho, um Rui muito perfeito e um tio a inchar de orgulho. Qualquer dia está a dizer que o rato roeu a rolha da garrafa do rei da rua da rússia.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Filhos

Quando era miúda, costumava dizer que quando fosse crescida havia de trazer para casa meninos que nascessem sem pai nem mãe, daqueles que viviam em casas cheias de meninos sozinhos, à espera que alguém os fosse buscar. Durante muito tempo fui gozada na família, pela óbvia impossibilidade prática de alguém nascer sem pai nem mãe, mas a verdade é que a coisa nunca me saiu da cabeça. Anos mais tarde, já adulta, sem filhos e sem pai potencial à vista, muitas vezes pensei que havia de adoptar uma criança, mas a ideia manteve-se no ar, um daquele projectos de longo prazo, para os quais achamos sempre que ainda não estamos preparados. Com o nascimento da Madalena e, depois, do Pedro, o projecto ficou ainda mais adiado, pelas razões mais ou menos óbvias. Duas crianças já dão trabalho que chegue, a casa é pequena, precisamos de mais quartos, o dinheiro nunca dá para tudo e ainda menos para mais uma boca, e depois há os maus horários do trabalho, e a falta de tempo, e os argumentos vão por ai fora, todos muito óbvios, muito óbvios e muito egoístas e egocêntricos. Tudo isto me passou em flecha pela cabeça hoje à tarde, quando alguém que vai ter um bebé em Janeiro, me contou que se candidatou para adoptar uma criança, que está na fila de espera e que pode chegar a todo o momento, antes ou depois do seu filho biológico, não se sabe. Dei por mim a balbuciar umas desculpas merdosas por nunca ter tido a coragem de fazer o mesmo e por, diga-se a bem da verdade, não ter a certeza se alguma vez terei a generosidade suficiente para isso. Porque é preciso uma grande dose. Muito grande, mesmo.

Miss pizza

Adora pizza. Deêm-lhe pizza todos os dias e é uma rapariga feliz. Também podem ser salsichas, mas pizza é, de longe, a grande preferência. Se lhe dizemos que vamos jantar fora é a primeira palavra que diz, pelo que ultimamente conhecemos mais algumas novas pizzarias à conta dela. Hoje encomendei para o meu jantar, mas a ela dei-lhe, previamente, massa com peixe e legumes, que comeu e repetiu. Quando chegou a pizza já ela estava a sair da mesa, mas rapidamente regressou e quase jantou novamente. Para a convencer a parar disse-lhe que já não podiamos comer mais, que o resto era para o papá, que como sempre está a fazer serão. Dona Madalena, muito despachada, resolveu logo a coisa: não, papá não, papá sopa, pizza não, sentenciou, enquanto apontava para mais uma fatia. Tive de a arrastar da mesa e, escusado será dizer que já não houve espaço para sobremesa. E o pai bem me pode agradecer, senão não lhe restaria mesmo mais do que sopinha.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Gaja

Fomos as duas ao cabeleireiro. Ficou de pé na cadeira, para chegar ao espelho, e seguiu atentamente cada corte da tesoura. Muito direita, sem um queixume, com vários sorrisos para a sua própria imagem. E nem reclamou no final, quando a cabeleireira insistiu em lhe secar a franja com o secador, ela que sempre detestou tal coisa. Linda, mamã, linda, disse-me quando saímos. E estava realmente linda. Como sempre, claro.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pequenos heróis

Farto de tantas vezes lhe ler os livros do Gui, o pai levou dona princesa à Bertrand, para renovar a biblioteca. E caiu no erro de lhe dizer que podia ser ela a escolher. Um erro, porque a rapariga mal poisou os olhos num livro da Kitty agarrou-se a ele e já nada a demoveu. Nada. Nem dois exemplares da colecção do Noddy, outro dos seus grandes amores. Escolhe, Madalena, levas um da Kitty ou dois do Noddy? Nem um sinal de dúvida: Um da Kitty. E pronto. Voltámos para casa com um manual para raparigas, em que a boneca japonesa explica coisas sobre moda, cores de baton, dicas para as amigas e receitas para piqueniques. Ou seja,um livro que não dá jeito nenhum, pois para lhe contar uma história a partir daquilo é o cabo dos trabalhos. E escusado será dizer que não quer mais nenhum antes de de dormir. O que eu não percebo é de onde lhe vem este amor pela irritante boneca japonesa, já que cá em casa os vestígios da Kitty se resumem a uma camisola que lhe deram nos anos (obrigada Carla!) que ama de paixão e que já tem provocado sérias birras matinais quando está para lavar e ela decide que a quer vestir. Ah, e temos também uma mala (obrigada Carla, mais uma vez), mas essa anda desaparecida em combate, suspeito que debaixo de algum móvel.
Suponho que isto só vem provar que não vale a pena eu jurar que cá em casa não vamos atrás de modas, que aqui não entram noddies, rucas, kitties, playstations e companhia (de resto só quem jurou fui eu, que o pai acha o máximo estas coisas). Pouco a pouco, todos vão entrando e os neurónios da rapariga, autênticas esponjas, não deixam passar nada. Mas eu não me resigno. Nunca. Jamais.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Reunião de pais

A escolha da escola da Madalena não foi um processo fácil. As dúvidas eram muitas, as opções nem por isso, e acabámos por nos decidir pela que seria aparentemente a hipótese mais improvável, uma IPSS de um centro social e paroquial aqui da zona. Não é a João de Deus com o seu método de ensino xpto, não é um daqueles colégios privados caríssimos - desses só sinto a falta da carrinha que leva e traz as crianças - é apenas uma escolinha de bairro, com educadoras bastante competentes e meninos de todas as cores e feitios, todos lindos que se farta e com pais muito simpáticos. O primeiro ano está a chegar ao fim, e o balanço não podia ser mais positivo. A princesa - como todos lhes chamam lá na escola - cresceu muito, aprendeu muitas coisas, tem amigos novos e ontem fomos à reunião de pais e trouxémos de lá uma pasta de trabalhos digna de qualquer aluno de pós graduação. E derretemo-nos de alegria, coramos de orgulho, saímos de lá cheios de saudades dela que estava já em casa à nossa espera. Obrigada Susana, obrigada Paula, por tudo o que dão à nossa filha e por nos terem feito acreditar que deixá-la convosco é quase tão bom como tê-la sempre ao pé de nós.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Música

Conhece de trás para a frente as canções do CD que saiu na caixa de farinha Cérelac. Até já lhe fizémos uma cópia para levar para a escola. Do "atirei o pau ao gato", às "pombinhas da catrina", "cavalinho de papel" a "loja do mestre André" ou a "falua de Belém", sabe-as todas, sempre muito afinadinha. E se falha na letra não se atrapalha e inventa. A sua preferida foi durante muito tempo "o balão do João", de tal forma que fizémos uma versão caseira, entoada até à exaustão à hora do jantar:

O papá está a chegar
o papá está quase aí
Madalena, muito linda
logo sorri
o papá quando chegar
põe a chave na porta
e depois, diz contente,
já cheguei filhota.

(Ok, não é propriamente um poema do Pessoa, mas não está mal. E fica aqui para nos lembrarmos mais tarde, quando dona princesa já for uma menina grande.)

sábado, 10 de julho de 2010

Mãos para que vos quero

O Pedro está a descobrir que tem mãos e que lhe pode dar vários usos. Dois, mais exactamente: enfiá-las todas na boca ou agarrar com elas o brinquedo que estiver à mão e metê-lo todo na boca. Também já consegue colocar a chucha sozinho, se bem que me parece que na maior parte das vezes a coisa ainda vai lá por acidente, depois de várias passagens pelo nariz, olhos e queixo. Fica que tempos nisto, entretido com ele próprio e em grandes conversações também com os seus botões. Quando olha para mim, o tom de voz sobe ligeiramente e só se cala quando lhe dou atenção. Nessa altura presenteia-me com um daqueles seus olhares apaixonados a transbordar de amor e largo imediatamente o que estou a fazer, seja lá o que for, para o atacar com uma sessão de beijinhos. Às vezes ainda me custa a acreditar que o tenho aqui e que fui abençoada com este privilégio tão grande que é ser mãe deste bebé.

Anjinho de volta

Não foi preciso palmada, nem vozes mais altas, nem nada. Depois de ter visto atentamente a nova série (blargh...) da Catarina Furtado - tão atentamente que de vez em quando repetia uma ou outra frase - foi calmamente para o quarto, com passagem pela casa de banho para lavar os dentes (já usa pasta e anda entusiasmadíssima com o processo). O pai leu-lhe pela 46ª vez o novo livro do Gui, meteu-a na cama dela e veio para a sala em bicos de pés, sempre à espera de a ouvir chamar. Mas não. Nada. Nem uma palavra. Dorme como um anjinho, agarrada à gatinha, ao ursinho e com o livro do Gui ao lado, também na cama. Só apetece enchê-la de beijinhos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ainda as birras

Tanto falei, tanto a elogiei, que a coisa acabou por dar para o torto: há vários dias que se recusa a ficar na sua cama e dormir sozinha, como faz praticamente desde que nasceu. E não há nada que a convença, nem palavrinhas doces nem frases mais bruscas. Nada. Se a deixo no quarto berra furiosamente e vem atrás de mim. Se fico lá com ela, quer que me deite ao seu lado na cama grande e logo a seguir, como me recuso, lá vem mais um dilúvio lacrimal. Se a ignoro e deixo simplesmente a chorar, fica num tal estado de nervos que quase perde a voz e quando chega a esse ponto, as minhas tentarivas de me armar em dura vão por água abaixo. Não aguento vê-la naquele estado, não há nada a fazer.
Recorro mais uma vez ao tio Brazelton, mas não chego a grandes conclusões. Ela tem de aprender a auto-controlar-se, diz o guru. É muito bonito, pois, mas e o que faço ao Pedro, que dorme no quarto ao lado e que, por sua vez, também já foi o cabo dos trabalhos para se deixar dormir? Além disso, dona princesa não é rapariga para se deixar ficar. Quando lhe dá para a birra, segue-me por toda a casa a gritar "mamã, mamã" e se for preciso fica assim a noite toda.
Se amanhã fizer outra fita do género - ontem foram duas horas nisto e hoje repetiu a gracinha - juro que lhe dou uma palmada no rabo. Talvez se me vir realmente zangada perceba que não é aos berros que resolve a vidinha dela. Que raio de rapariga, torta que se farta - e linda até mais não poder - que eu fui arranjar...

domingo, 4 de julho de 2010

ingenuidades

Que há blogues que ganham dinheiro à conta da publicidade já eu sabia, que não sou totalmente ingénua, agora que os houvesse, assinados por jornalistas e a ganhar à custa da dita publicidade, era coisa que não me passava pela cabeça. Não passava porque sou ingénua, naturalmente, mas isso agora é um pormenor de somenos importância. O facto é que, de repente, fez-se luz e percebi porque é que há quem tenha blogues onde escreve a sua vidinha tim-tim por tim-tim, sem omitir informações como o nome do restaurante onde vai jantar ou a marca das cuecas que compra para oferecer ao marido. E nós, leitores curiosos, que até nos rimos daquilo, mas de vez em quando lá vamos espreitar, com a curiosidade de quem no dentista folheia a última Caras, engrossamos a lista dos on-line ou dos que deixam comentários e ajudamos à coisa.
Como, perguntam vocês, ilustres leitores tão distraídos como eu. Pois bem, é fácil. Na verdade, é tudo obra dos nossos especialistas de marketing, que escolhem blogues muito frequentados e lhes propõem lá colocar os seus produtos - sob a forma, por exemplo, de passatempos -, num método de publicidade encapotada e, pelos vistos, muito eficiente.
Não tem nada de mal. Absolutamente. Se alguém que até escreve bem pode ser remunerado por isso, acho lindamente. Mas jornalistas? Não há uma norma qualquer, relacionada com a ética profissional, que proibe estas coisas? Há.

Pronto, foi só um à parte...

Bebé adormece mamã

Bebé não. Manena grande. Pedro bebé, esclarece logo dona princesa. É grande, grande, do tamanho das suas birras e quando mete uma coisa na cabeça, não há nada a fazer. Hoje decidiu que queria que eu dormisse com ela e recusou-se a adormecer na sua cama, como sempre fez sem qualquer problema. Foi um braço de ferro que durou quase duas horas e em que o choro chegou, seguramente, ao quarto andar. Acabou por adormecer no seu quarto, mas na cama grande e eu só não fiquei lá com ela porque não tinha conseguido jantar e estava cheia de fome, porque os olhos já se me estavam a fechar. Não me atrevi a deixá-la a chorar na cama de grades porque temi que no meio da fúria se atirasse de lá abaixo, mas se calhar fazer-lhe a vontade não foi a melhor solução. O Pedro, felizmente, ficou a dormir mal o coloquei no berço, depois de lhes ter lido pela enésima vez os livros do Gui. Ainda não está na idade das birras. Os dois ao mesmo tempo era uma dose para a qual não me sinto ainda preparada. Lá chegarei, suponho. Que remédio.

Mães que me lêem, digam-me, por favor, como é que é possível que o nosso anjinho se transforme de repente num diabinho e agora esteja ali, novamente a dormir, como se nada se tivesse passado?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quatro meses

O meu bebé tem o sorriso mais doce do mundo. A sério. E nem é por ser mãe dele, que digo isto, naturalmente. Tem um sorriso que é assim como uma luz que se acende e ilumina tudo à sua volta e não há a menor hipótese de não nos rirmos também, de tal maneira é contagiante. Consegue manter a boa disposição mesmo nos piores momentos. Quando vai às vacinas, por exemplo. Ou quando é dia de visitar a bruxa horrível, como hoje. Fomos à consulta dos quatro meses e o rapaz aguentou-se estoicamente, presenteando toda a gente com o sorriso número cinco (só vacilou no finalzinho, mas cheio de razão, porque já não comia havia para cima de três horas). Está lindo e recomenda-se: 6,300 kg e 63 centímetros só com maminha da mamã.
Já dorme seis ou sete horas seguidas por noite, está muito mais tempo acordado durante o dia e continua com o seu relógio suiço muito afinadinho. Tem imensa pachorra para mim, porque não lhe dou todo o colo que gostaria e que ele também queria, mas só se chateia mesmo quando está com sono. Aí abre a goela e chora a bandeiras despregadas, mas mal o deito na caminha adormece (tal qual o progenitor, mas sem ressonar) e não acorda nem com a Madalena a fazer uma birra das suas mesmo ali ao lado. Está um homenzinho, portanto. Mais um mês e começamos com as sopas. Mais um tempinho e o rapaz vai para a Universidade. Ai valha-me Deus...

sábado, 26 de junho de 2010

Pontapé na gramática

Mamã e papá novamente aos beijinhos.
Mada - Não.
Eu - O papá é meu, não é teu.
Mada - Não.
Eu - É meu, é.
Mada - Não, é teu!
Eu - É teu?
Mada - Sim.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Bebés

E vão cinco. Hoje, dia de São João, foi a Sofia, do Bruno e da Josélia. Em Janeiro foi a Maria do Silvestre e da Margarida. Em Fevereiro o Pedro. Em Junho a Ritinha da Sofia e do Bruno e a Francisca da Mónica. Qualquer dia vem aí a Teresa, da Lina e do António e a Diana, do Vítor e da Sónia. E depois também os rebento da Carla e do Vítor Matos e da Luisa e do Luis, que ainda não sei como se chamarão. É um ano de boa fornada, este de 2010.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Coisas que me chateiam à brava...

... são aqueles senhores que vão para a praia, chegam de manhã cedo, têm um areal imenso por ocupar, e insistem em espetar o chapeu de sol com anúncios à coca-cola mesmo na nossa frente. Chateiam-me, pronto. Fico com vontade de lá ir e sugerir, educadamente, que se desloquem um bocadito. Uns míseros centímetros, coisita pouca, que me restituam a vista de mar, em vez de ter pela frente o calçãozinho lycra do marido e a celulite instalada e definitiva da senhora. Já anunciei várias vezes que ia lá, falar com eles, mas o homem cá de casa, ponderado, como sempre, insiste em lembrar-me que a praia é de todos e que cada um se senta onde quiser, e bla, bla e bla, bla. Faço-lhe a vontade, mas lá vou rogando umas pragas aos infelizes, ao mesmo trempo que lhes sorrio cinicamente, quando levantam os olhos do Record ou da revista Lux. É que agora tenho novos aliados que, na hora de vir embora, presenteiam a vizinhança com largos minutos de choradeira da grossa. Ora tomem lá que é para aprenderem.

domingo, 20 de junho de 2010

Na piscina

Pais, mães e miúdos, todos abaixo dos seis anos e que, portanto, não têm aulas e podem vir para o Algarve em Junho. Algumas das mulheres estão grávidas, outras foram mães há pouco tempo e levam os recém-nascidos para apanhar sol. A fauna na piscina é esta, enquanto não chegam os espanhóis que invadem o aldeamento para o fim de semana e falam tão alto que abafam tudo o resto. As conversas são, quase invariavelmente, sobre os filhos, o que fazem, as gracinhas, as doenças, as alergias... Ou então, no caso dos pais, sobre os melhores restaurantes de Cabanas ou os jogos do Mundial da África do Sul. Eu por mim, prefiro comparar barrigas e volto quase sempre para casa toda satisfeita comigo própria, apesar dos meus três quilos a mais (ou seis, se começar a contar desde o período pré-Madalena). Amanhã como mais uma bola de berlim na praia. Sem creme, naturalmente.

Coisas mais lindas a que só os pais é que acham piada

Papá dá beijinhos na mamã na mesa do restaurante. Ao lado, com ar ligeiramente desinteressado, dona princesa explica a quem a quiser ouvir: mamã menina bonita do papá.

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Madalena toda besuntada de molho de tomate depois de ter devorado vários pedaços de pizza. Ai, ai, miúda, e agora como é que eu tiro estas nódoas, pergunto eu, ao melhor estilo de anúncio de detergente. Com água, responde ela, toda despachada, enquanto volta a limpar o polegar e o indicador ao casaco.

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Novamente no restaurante, já no final do jantar. Tenho o Pedro no colo e ela, como de costume, também quer e insiste em sentar-se nas minhas pernas. Abraça-se a mim e ao mano e depois aponta para a máquina fotográfica, já a peparar o sorriso pepsodente: fogafia, papá, fogafia.

(em actualização)

Top das palavras mais escutadas nestas férias

Sozinha (está cada vez mais independente e quer fazer tudo sozinha. Em regra safa-se bem)
Carrinho não (o anúncio começa mal nos vê a preparar para sair de casa e se não lhe fazemos a vontade e a deixamos ir a pé, termina inevitavelmente numa birra descomunal)
Nã quéio (esta se calhar devia estar no primeiro lugar do top, mas de tanto a ouvirmos já não lhe ligamos grande importância. A não ser quando vem acompanhada de uma birra, o que também acontece com frequência).
Mamã (a toda a hora e a todo o instante, mas sobretudo quando me vê com o irmão ao colo)
Papá (idem)
Picina (é a grande paixão da casa da praia, já que praia propriamente dita não lhe agrada por aí além - gosta da areia e da fazer bolinhos para o papá, mas do mar não se aproxima de maneira nenhuma)
Sopinha não (sopa não combina com calor e ninguém a convence do contrário)
Massa carninha (o apetite, esse continua intacto)

terça-feira, 15 de junho de 2010

De férias para os Algarves

Todos os anos a cena se repetia: saíamos de casa satisfeitos da vida, cantávamos todas as cantigas de que nos lembrávamos, mas à chegada a Mértola já a energia começava a diminuir. Quando começavam as curvas da serra algarvia, a caminho de Monte Gordo, era a desgraça total e não havia comprimido para o enjoo que resolvesse o problema. Imagino os coitados dos meus pais, com o Renaul5 cheio com as parafernálias todas do campismo e sem as maravilhas actuais do belo do ar condicionado, a terem de parar de dez em dez minutos para amparar os vómitos dos rebentos. Dona Madalena tratou agora de fazer justiça aos avós e, ainda que as curvas hoje em dia já não sejam o que eram, nem a auto-estrada nos livrou da estreia. A coisa foi de tal ordem que não me deu tempo para saltar para o banco de trás. Tivémos de a mudar toda no parque de estacionamento das portagens e a viatura ficou impregnada de um odor que me abstenho aqui de descrever e que ainda hoje, depois de os restos terem sido devidamente removidos, se nota ligeiramente no ar. Pequenos precalços de início de férias. Para já, temos uma semana inteirinha de praia e piscina pela frente, na primeira incursão a quatro da família maravilha no reino dos Algarves.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

And the winner is...

Ricardo Salvo, pelo seu comentário nesta foto do Pedro.

Ritinha

O Pedro foi o primeiro a visitá-la no hospital. O Pedro e os pais, naturalmente. O Pedro não viu grande coisa, é certo, porque tinha acabado de almoçar e, como toda a gente sabe, a essa hora o sono é uma batalha dura de vencer. Mas esteve lá e isso é que importa. E foi o primeiro primo a dar as boas vindas à Ritinha, acabada de nascer, ainda com aquele ar ofendido de quem foi obrigada a sair de um lugar tão quentinho e confortável. Muito pequenina, mas linda, do alto dos seus quase três quilos e quatro horas de vida, pronta para esta aventura extraordinária que a espera. Bem-vinda, Ritinha. Parabéns Sofia, Bruno e Tiago.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

E se de repente...

... fossemos uma família com horários normais? Se eu entrasse às nove e saisse às cinco, e o pai também, e fossemos buscar a Madalena à escola com passagem pelo escorrega anter de irmos para casa? E se tivessemos tempo para brincar e fazer dezenhos e ler livros e depois tomar banho, e jantar, todos sentados à mesa?
Cada vez que a vou buscar à escola, agora que estou em casa, penso nisto e dá-me um aperto no coração, porque sei que daqui a uns meses este privilégio se acaba e não vou ter, em cada final de dia, aquele sorriso maravilhoso dela a correr para mim mal me vê, para me abraçar e saltar para o meu colo.
Gosto muito da minha profissão, mas há alturas em que me apetece largar tudo só para poder ter estes momentos.

sábado, 5 de junho de 2010

Parabéns a você

Adora cantar os parabéns e de vez em quando oiço-a, baixinho, muito afinadinha, a cantarolar "pra menina Manena, uma salva de palmas", enquanto brinca com as bonecas. Desta vez as velas e as palmas foram para o Rui, que ganhou um bolo de chocolate.

Lixo

Cá em casa, o ritual de colocar o lixo lá fora foi sempre um momento difícil. Odiado, mais exactamente, com diálogos do género hoje é a tua vez, não é nada que ontem fui eu, vai tu que isso é tarefa de gajo, tens muita piadinha, tens e outros mimos semelhantes. A verdade é que em regra quem vai é o Sérgio, sempre muito a contragosto. Às vezes lá fazemos a coisa a meias. E sem meias nem sapatos, como na última sexta-feira. Tudo muito normal, portanto, não se desse o caso de ser quase meia noite, estarmos os dois no patamar das escadas do prédio, ele de boxers e descalço, eu descalça mas felizmente um pouco mais vestida e, atrás de mim, a porta de casa ter acabado de se fechar com grande espalhafato. Lá dentro, dona princesa e seu mano dormem. No forno está, quase pronto, o bolo que acabei de fazer para oferecer ao Rui, que no dia seguinte faz anos. Não temos chave, não temos telemóveis, não temos dinheiro, não temos uma radiografia para tentarmos abrir a porta à má fila e lá fora a rua está deserta. Também não temos vizinhos que nos deixem entrar em casa para usarmos as escadas de incêndio e entrarmos pelas traseiras. Claro que não há ninguém. É véspera de fim-de-semana, quem é que fica em casa? Nem a vizinha do primeiro andar, do alto dos seus oitenta e muitos, nem a Joana, do segundo, nem o casalzinho barulhento do terceiro nem, muito menos, os amigos brasileiros do quarto, que trabalham à noite e nunca chegam antes das cinco da manhã. Estamos fritos. Não conseguimos dizer nada um ao outro, cada um de nós ocupado a elaborar complicadas estratégias para resolver o problema, durante aqueles que foram, provavelmente, os cinco minutos mais longos da minha vida. Dentro de casa, os miúdos continuavam a dormir. Se algum chorasse, acho que teria arrombado a porta em dez segundos, que uma mãe em pânico consegue fazer coisas impensáveis.
Mas de repente, milagre, abre-se a porta e aparece o namorado da miúda do terceiro, que nós não conhecíamos de lado nenhum, mas que nos salvou deixando-nos usar a escada de incêndios e que só se salvou de um abraço apertadinho e emocionado porque eu estava mais preocupada em entrar em casa para me certificar de que as crias estavam bem.
E pronto, foi assim. A noite de sexta-feira perfeita.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

coisas que me irritam mesmo muito...

... são aquelas amigas que dizem mal das melhores amigas quando falam com as outras amigas. comigo, neste caso. Estão a ver o filme? É assim uma coisa que me provoca brotoeja no corpinho todo e me faz querer fugir a sete pés. Como diria a minha avózinha, "ouve dos demais, escuta de ti". E tenho dito.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

dois anos

Dona Madalena fez xixi no bacio pela primeira vez. E comeu a sopa sozinha. Toda e sem derramar (quase) nada. Está quase a ir para a universidade...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

três meses

O Pedro cresceu 10 centímetros desde que nasceu, já vai nos 5,390 kg e fala pelos cotovelos. Temos grandes conversas os dois, cheias de sorrisos que me deixam derretida. Continua a acordar uma vez durante a noite, para o seu petiscozinho, mas adormece quase de seguida e já não lhe dá para grandes conversetas nocturnas. Adora tomar banho, derrete-se com a irmã, detesta ficar sozinho e se está chateado com a vida acalma-se quando o ponho a ouvir música. Ainda não segura muito bem a cabeça, mas faz imensa ginástica, com os braços e com as mãos, como se assim pudesse falar comigo. Segue-me com o olhar, para onde quer que eu vá, e dá-me os sorrisos mais lindos do mundo. É o menino da mamã e a minha paixão por ele tem vindo a crescer, a crescer, ao longo destes três meses. Agora já não consigo imaginar a minha vida sem ele.

terça-feira, 25 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

a simpatia em pessoa

Sai de casa ainda meio a choramingar, mas quando chega ali à Leitaria Triunfo já vai a derramar charme para as velhotas da vizinhança. Nem o senhor da CDU escapa ao sorriso do rapaz e larga a chávena do café de propósito para o vir espreitar à rua. É um sucesso, este miudo. Vai passear com a avó Graça e derrete-se para toda a gente, vai ao Alentejo e dispara boa disposição para todo o lado. É a antítese da mana, que na idade dele mantinha sempre aquele seu ar grave e sério e primeiro que lhe conseguissemos um sorriso para uma fotografia era uma carga de trabalhos. O Pedrinho é assim e palpita-me que há-de ter tanta energia que nos vai cansar só de olhar para ele. É a simpatia em pessoa, dizem as primas lá do Alentejo e, para quem não sabe, lá para aquelas bandas esse é um grande elogio.

sábado, 22 de maio de 2010

sobrar de enfeitada

Estava eu a pôr o meu pézinho no Metro, enfarpelada na roupinha nova que pouco a pouco já me vai servindo, quando toca o telemóvel. Recuei, previdente, e ainda bem, porque daí a poucos segundos já estava disparada por aí a cima, pronta a ultrapassar todas as marcas e a subir a colina a duzentos à hora, mais coisa menos coisa. Tudo porque dona Madalena decidiu ficar com febre cinco minutos depois de eu sair, o mano estava num berreiro descomunal e a avó-baby-sitter achou melhor avisar-me, antes que o caldo entornasse de vez. Com o barulhinho de fundo que se ouvia pelo telefone, nem foram precisas muitas palavras para me fazer voltar para casa rapidamente.
E pronto, foi assim que acabou, ainda antes de ter começado, a minha noite de copos sem copos, de jantar no Chiado e conversa com os coleguinhas de turma, de quem ando cheia de saudades.
Um pormenor engraçado é que nessa noite não houve mais febre, nem no dia seguinte, nem nos outros a seguir. Ainda bem...

o homem perfeito

Família de passeio às Amoreiras onde dona Madalena se ia estrear na junk food com uma ida ao McDonald's e mamã planeava comer um cheeseburger antes de dar início à sua semana saudável. E foi aí, neste contexto, que se assistiu ao seguinte diálogo:
Ele - Olha, vai ali a Barbara Guimarães.
Eu, muito desinteressada - ai, é, ah...
Ele - está gorda.
Eu - mais do que eu?
Ele - muito mais.
E assim seguimos, tranquilamente, em direcção ao McDonald's.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cromos cá de casa

Não me bastava já as sessões da Benfica TV, agora pai e filha têm mais um programa de televisão favorito: a extracção das bolas do Euromilhões, lotaria e afins. Pois é: as minhas duas encomendas divertem-se a adivinhar os números que vão saido, o pai a ver se sai a sua chave habitual que ele, como sempre, se esqueceu de registar, e a filha a treinar os seus conhecimentos de matemática que por enquanto se resumem ao número sete. Mal começa o genérico do programa, já dona Madalena está aos pulinhos e gritar "bolinhas, bolinhas" e depois papa aquilo tudo com toda a atenção, tal qual como o seu progenitor, tão iguaizinhos um ao outro nestas coisas, que até chateia.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cromos da bola

Prenda para o Pedro: a caderneta de cromos do Mundial deste ano, o mesmo ano em que ele nasceu. Entretanto, o pai e a mãe divertem-se a comprar as carteirinhas e a colar os ditos, com a colaboração da mana Madalena, que ajuda a colar no sítio e ainda passa o dedinho por cima para se certificar que ficam bem coladinhos. Se alguém tiver para a troca, faça o favor de dizer que nós já temos um molhinho de repetidos.

São mais de 500 cromos, a 60 centimos cada carteirinha de cinco, sendo que os repetidos começam a acumular-se, porque os senhores da Panini não são parvos e querem fazer render o peixe. Ai, ai, que já me começo a arrepender...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ir à Avenida e não ver o Papa

E lá fomos nós ver o Papa. Descemos à Avenida, instalámo-nos confortavelmente num banco que, milagre, encontrámos vago, e tratámos de esperar pacientemente a passagem do Papamóvel a caminho do Terreiro do Paço para a missa. O problema é que o sitio era tão confortável, que dona Mada adormeceu ferrada, o senhor Pedro ressonou o tempo todo no marsúpio, e eu só não lhes segui o exemplo porque, enfim, uma mãe tem certas responsabilidades e, além disso, estava decidida a ver o Papa. O trânsito estava cortado, havia imensa gente à espera, outros tantos a descer para a Baixa de bandeirola em punho a caminho da missa, havia polícias espalhados por ali prontos a travar algum mirone mais entusiasmado, enfim, a Avenida estava magnífica. E estava eu a matutar em todos estes pensamentos plenos de profundidade e a lutar contra o sono, quando começam a aparecer as motas da polícia a anunciar a vinda de Bento XVI. Levanto-me um bocadito assarapantada, agarro nas crias, agarro no telemóvel para tirar uma foto, atrapalho-me com as teclas, ai, ai, onde raio é que eu carrego para aceder à máquina fotográfica, ai, ai, lá consigo, precisamente quando o papamóvel está a passar, carrego no botão e, azar dos azares, aquela coisa tem a memória cheia e não permite tirar nem mais uma foto. E entretanto o Papamóvel passou, com o seu ilustre passageiro, que já só consigo ver de costas.
E pronto, foi assim. Voltámos para casa e fomos ver o senhor na televisão. Mais cómodo e seguro.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Malucos

O Benfica - ou mais exactamente Oscar Taquara Cardozo - marca o segundo golo, eu olho para o lado, e onde é que está o meu homem? Pois bem, está agarradinho ao vizinho da esquerda, o senhor gordo, de bigode e olhar bovino que o acompanhou durante os jogos ao longo do campeonato. Estão os dois emocionados e estou capaz de apostar que, olhando bem, há uma ou outra lagriminha ali a escorrer. Afinal, o Benfica está a doze minutos de ser campeão e a partir dali é preciso um azar do tamanho do mundo para a festa não se fazer na Luz. Decido que o melhor é fingir que não acabei pura e simplesmente de ser ignorada e junto-me aos 64 mil e não sei quantos malucos que enchem o estádio e berram a plenos pulmões: Campeões, campeões, já somos campeões.
Passaram os doze minutos e o Benfica lá ganhou o título tão suado tão suado que só se resolveu na última jornada, mas não faz mal, isso não interessa nada e ala que se faz tarde, todos para o Marquês comemorar a coisa que não se sabe quando é que voltam a repetir a proeza. Ao que consta, foram 200 mil, mais do que são esperados para assistir amanhã à missa do Papa em Lisboa, que berraram e se embebedaram até altas horas, sob o olhar atento de Bento XIV, que acompanhou a festa da família benfiquista do alto do mega cartaz instalado na parede do hotel Fenix.
Nós rumámos a casa da tia Alexandra a dar de jantar aos petizes, mas vimos o fogo de artifício mais tarde, sentados na nossa varanda, os miúdos já de fralda mudada e enfiadinhos na cama. Foi uma bela festa, o grande acontecimento do ano em que tu nasceste, querido Pedrinho. Que interessa se as bolsas estão a cair, se o país está à beira da banca rota e se estamos todos prestes a ficar sem o 13º mês? o Benfica é campeão e, vão ver, no próximo mês aposto como os índices de confiança dos consumidores disparam por aí acima. Não há melhor do que isto para levantar o moral dos portugueses.

domingo, 9 de maio de 2010

sábado, 8 de maio de 2010

Alerta Madalena

Pedro num berreiro no quarto, eu na casa de banho a tentar lavar os dentes e dona Madalena preocupadissima com o mano, atrás de mim e puxar-me pela camisola: "Mamã, mamã, Pedinho chora, quéio, quéio, quéio. Leitinho mamã." Não há-de ser por ela não se conseguir explicar que ele vai passar fome.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Basta juntar leite

Dia de visita à enfermeira Cristina, para as vacinas dos dois meses e para verificar o peso e o comprimento do rapaz. Distribuiu sorrisos, chorou furiosamente quando, à traição, lhe espetaram com duas seringas e saiu de lá já quase a dormir no sling e com uma mamã toda satisfeita com os seus 5,035 kg, conseguidos totalmente à base de maminha de duas em duas horas. É um orgulho, este meu filhote.

Perguntas parvas

Eu, com aquela voz melosa de mãe babada - Quem é a menina mais linda do mundo, quem é?
Ela, com ar resignado - Manena, papá, Pedinho

domingo, 2 de maio de 2010

Madalena, a telefonista

A vítima costumava ser o Abílio que, graças às suas iniciais, vem sempre à cabeça da lista telefónica do telemóvel e que durante uns tempos ainda me ligava de volta de vez em quando, para saber o que eu lhe queria, mas às tantas fartou-se. É que a Madalena, sempre que apanhava o telemóvel à mão, tratava de lhe telefonar e lá tinha eu de dar a desculpa habitual. Entretanto a rapariga está mais entendida nas artes telefónicas e já não vai ao primeiro da lista. Dá-se ao luxo de passar o polegar pelo ecran tactil e depois, não sei com que critérios, lá elege a próxima vítima. Desta vez foi a Maria Ana, que teve a honra de um sonoro "olá" e de trocar umas palavritas com dona princesa, ao mesmo tempo que ia ouvido os sons de fundo aqui em casa, ou seja, eu a conversar. Tudo isto à minha frente sem que eu percebesse, porque pensei que ela estava a brincar ao faz de conta. Esta rapariga está um perigo. Tenho de ter cuidado com o que digo quando ela está de telemóvel na mão, que nunca se sabe quem está do outro lado.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quem é, quem é?

Eu - Madalena, olha lá, quem é este aqui na fotografia?
Ela, sem hesitar - Pedinho.

(Sérgio, Maio de 1975)

Generosidade de mana

Olho para o miudo e há ali qualquer coisa que não bate certo. Olho com mais atenção e descubro: está com a chucha da mana na boca e, aparentemente, isso explica por que razão parou com o berreiro. Venho a correr da cozinha, obviamente já tarde demais. "Madalena, esta chucha é a tua, não é a do mano", digo-lhe. "Pedinho chorar, chucha Pedinho", explica ela, continuando a fazer-lhe festinhas na cabeça para ele não recomeçar a chorar. E o que é certo é que ele se calou. Está feito, não vale a pena pensar mais no assunto e que a chucha dela não é esterilizada há que tempos, que ela está constipada e que ele só tem dois meses e é suposto ter cuidado com estas coisas. Não há-de ser nada.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mamã cansada e a precisar de dormir

Acabo de lhe dar banho, respiro fundo e sento-me no tapete a fazer um intervalinho. Ela olha para mim, com um ar muito sério e diz: "cansada, mamã. Caminha, mamã". Fecho a porta do chuveiro para ela fazer splash, splash, mas desta vez não me livro dos pingos, porque a abro logo a seguir só para encher de beijinhos a minha filha linda e maravilhosa que acabou de me mandar descansar. Coisa mais linda...

Dois meses cheios de sorrisos

Sobretudo para a mana, mas não só. Se está bem disposto, abre a carinha toda e distribui sorrisos à esquerda e à direita, qual estrela de cinema a desfilar, coisa que dona princesa nunca fez, sempre muito forreta nestas coisas do social, e que por isso me deixa ainda mais eufórica (parece que há estudos que provam a influência dos risos das crias nas hormonas já de si desconjuntadas das mães).
O Pedro faz hoje dois meses (dois??!!) e está um rapaz crescido, que se porta lindamente nas minhas aulas de pós-parto - fica muito calminho na sala dos bebés e não entra nos coros de choros que fazem as mães interromperem os exercícios e irem a correr.
Continua a acordar uma a duas vezes durante a noite, para um petiscozito, mas em regra adormece quase de seguida e eu também, porque as cólicas aparentemente estão muito mais calmas.
Continua pequenino e miudinho, sobretudo quando comparado com os amiguinhos das aulas, quase todos com cara de lua cheia e já lançados no belo do biberon. Cá em casa não há dessas coisas, há maminha da mãe e é aproveitar que é muito bom. Ele não se queixa e eu gostaria que fosse como a irmã, que até aos cinco meses não quis outra coisa.
Dois meses? Mas como, quando?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A mãe de todas as birras

O tio Brazelton já nos tinha avisado que a coisa chegava lá pelos dois anos e que de repente o nosso anjinho havia de se transformar num diabinho e que só nos ia apetecer pregar-lhe uma bela palmada no rabo. Dona princesa resolveu adiantar-se e um nadinha antes do segundo aniversário presenteou-nos com a maior birra de que há memória cá em casa e que consistiu, basicamente, em dez ou quinze minutos (perdemos-lhe a conta) a berrar furiosamente. Não dizia porquê, não dizia o que queria, não queria o pai, não queria a mãe, não queria a chucha e a única coisa que lhe saía era "nã quéio, nã quéio". E eu,que nunca a tinha visto assim (o Brazelton sabe mesmo destas coisas), quase temi que lhe tivesse dado algum peripapo. Nada disso. Foi apenas a birra mor, a mãe de todas as birras, e logo no fim-de-semana em que fomos para o Alentejo, com mais uma data de gente em boa idade para procriar e que com esta fita toda vão de certeza pensar duas vezes (ou mais) antes de se meter numa destas. Não sabem o que perdem, claro, que, finda a birra, a Madalena continuou linda e maravilhosa como sempre, com uns pais orgulhosissímos do rebento e deles próprios: é que conseguimos manter a calma e deixámo-la resolver a coisa sózinha e sem grandes dramas (nem palmadas). Terminada a birra, jantou lindamente, como se não fosse nada, e foi tranquilamente para a cama, como de costume.

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril sempre

A bisavó da Madalena e do Pedro tem 94 anos e só desde o ano passado é que não vai à Avenida da Liberdade no 25 de Abril. Dantes ia sempre, diz ela. Ia e de vez em quando aproveitava para gritar "viva a república", que afinal o desfile dá para tudo e para todos e para o que cada um quiser. Este ano a avó Graça não foi, mas o Pedro e a Madalena lá estiveram. Ele a dormir, embalado pela Grandola Vila Morena, ela a olhar para tudo e para todos com aqueles olhos dela sempre tão curiosos com o mundo. Cada um no seu carrinho, o pai com um, eu com o outro, a nossa família de quatro lá desceu até ao Rossio, ao lado do carro da junta de freguesia de Corroios, que ia distribuindo cravos vermelhos acompanhados de Zeca Afonso em altas doses de decibéis. E eu, que agora me comovo por tudo e por nada (o baby blues não perdoa), dei por mim à beira das lágrimas só de pensar em como a minha vida mudou para melhor nos últimos dois anos e em como me sinto feliz, feliz, como nunca antes me senti, apesar das noites mal dormidas, das olheiras até ao umbigo e das doses de ansiedade quando me ponho a antecipar como é que isto vai ser quando voltar ao trabalho. Gostava de chegar aos 94 como a avó Graça e de todos os anos lá ir, descer a Avenida de cravo vermelho na mão.

p.s.: no ano passado foi assim.