segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Mas se calhar é o avô...

Desta vez, dona Mada não se amedrontou. Nem sequer se agarrou à saia da mãe, como no ano passado. Pelo contrário, recebeu o Pai Natal - e as prendas que ele lhe trouxe - de braços abertos e sorriso rasgado, observou com muita atenção e no fim ainda se despediu dele com um beijinho.
Pedrinho, esse manteve-se a uma distância prudente, ligeiramente escondido atrás do Rui, onde se refugiou mal a ilustre figura fez a sua aparição. Ainda assim, não se coibiu nada de estender o bracito quando lhe chegou a primeira prenda.
Já o Pai Natal, ainda não se sabe bem porquê, foi acometido de um tal ataque de riso, que se lhe embargou a voz e pouco ou nada foi capaz de dizer. De fato vermelho, óculos escuros, luvas e barba branca mal amanhada, lá distribuiu os presentes o melhor que conseguiu, recebeu um biscoito de agradecimento, mais um beijinho de dona princesa e, pouco tempo depois foi substituído pelo avô Manel que, logo por azar, quando ele chegou tinha ido a casa da prima Silvina.
Já esquecido da visita, Pedrinho mergulhou nos muitos presentes e dedicou-se, metodicamente, a rasgar embrulhos, os dele e os de toda a gente. Madalena também, mas ainda a remoer a visita do Pai Natal. Porque é que ele tinha uma fitas a segurar a barba?, insistia ela. Ora, aquilo não era nada, disfarçávamos nós. Era, era, eram fitas. Ficou um bocadinho a pensar e depois saiu-se com a frase deste Natal: Mas se calhar é o avô...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

De quem é que gostas mais?

"A Bela gosta muito do Monstro. E tu, qual é a pessoa de quem gostas mais?" A frase estava num livro novo que lemos à hora do jantar e, mal acabei de fazer a pergunta arrependi-me, que não gosto nada dessas coisas de colocar os miudos perante dilemas destes. Afinal não havia problema. Se por acaso ainda pensei que ela hesitasse entre o papá e a mamã, por exemplo, depressa me desenganei: "É do Mohamed", respondeu-me.

O Mohamed, para quem não sabe, é um coleguinha da escola, lindo que se farta, que a rapariga tem bom gosto.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

É Natal, é Natal, parte 2

E chegou finalmente o dia da festa de Natal da dona Princesa, que foi também o dia da sua estreia em palco. Na pele de um anjinho pintor estaria certamente nomeada para um óscar de melhor actriz, não se desse o caso de os senhores de Hollywood andarem tão distraídos. A classe, a simplicidade, a competência com as quais, com largos traços de pincel, se dedicou à tarefa de pintar o céu, deixaram a audiência em suspenso e a mãe num vale de lágrimas. A seguir houve música, bolinhos, prendas para os papás e a visita inesperada da Paula, que fez parte da equipa de educadoras da Mada desde o início e que este ano mudou para outra escola. No fim, quando voltávamos para casa, a nossa artista de palmo e meio, muito emocionada, confessou: "Mamã, sabes do que é que eu gostei mais da festa?" "Não, querida, o que foi?" "Foi a parte da Paula."

É Natal, é Natal

Camisola branca (comprada de manhã, à pressa, na loja dos senhores chineses, porque descobrimos que não havia nenhuma daquela cor que lhe servisse), calças de ganga, muito aprumadinho, senhor Pedro teve a sua primeira festa de Natal na escola e portou-se à altura do que exigiam os acontecimentos. Subiu ao palco com a mãe para pôr o burrinho no presépio, depois levou um dos Reis Magos com o pai, bateu palmas com a música e devorou bolinhos e sumo.
Já está integradíssimo na turma da professora Tina (de pé à esquerda na fotografia), com os novos colegas que nós ainda não conhecemos, e não se chateia nada quando o deixamos. Há dias andou à tareia com outro menino porque resolveu tirar-lhe a chucha e chegou a casa com uma marca de dentes na bochecha, mas feliz da vida e já esquecido do contratempo. Tudo normal, tudo dentro do melhor espírito natalício...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fome, muita fome...

Gosto de tocar à campainha, para os ver aos dois, cabecinha fora da porta, a espreitar enquanto subo as escadas. Pedrinho é o mais entusiasta e brinda-me sempre com grandes abraços e sorrisos. Hoje, no entanto só tive direito aos sorrisos. Mal entrei tratou de me puxar para a cozinha, mais exactamente para o armário da cozinha, de onde começou a tirar o seu prato. Traduzindo a coisa por palavras, e já que ele mantém o seu restrito vocabulário que se resume a 'papá', o que ele queria dizer era: tenho fome, por isso despacha-te e ajuda-me a pôr a mesa. E eu ajudei. Levou um prato para ele, outro para a mana, depois os talheres, os copos, os guardanapos, e quando cheguei à sala de jantar, lá estava tudo arrumado, em frente ao lugar de cada um deles. E Pedrinho de pé, a olhar impaciente para mim, que me atrevera a não lhe levar imediatamente a sopa. Com birra pelo meio, de fúria contra a lentidão da mãe em servir o jantar, comeu rapidamente uma sopa gigante, bife com couscous e uma banana. Depois anunciou que queria ir brincar. E foi.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Avós

A passear em Castro no dia da Nossa Senhora da Conceição. Desta vez não falhámos e embora a procissão já não seja a mesma, os homens já não cantem à alentejana lá atrás e as pessoas sejam obrigadas a seguir em duas filas, muito ordenadas, foi bom estar cá neste dia. O papá, a trabalhar, só chega amanhã, mas já estamos com saudades dele.

sábado, 26 de novembro de 2011

Dona Mada foi ao futebol

Na Luz com o papá (certamente antes de o Benfica ter marcado).

Uma pérola por dia # 13

Que achas, Madalena, fico bonita, pergunto-lhe eu, exibindo a minha nova boina, acabada de comprar. Claro mamã, responde-me, ficas a parecer uma cozinheira.

(Perante uma resposta tão honesta, se calhar o melhor é desistir da boina...)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

As fotografias de Dona Floripes

Havia muitas fotografias a deslizar no rio em que se tornou a nossa rua no fim de semana, mas ainda resgatámos algumas. Numa a Dona Floripes estava de fato de banho, na praia, com uma amiga. Noutra aparecia na Avenida da Liberdade, com um dos seus cães, numa Avenida da Liberdade de há muitos anos, ainda sem a multidão de carros que hoje tem e com as copas das árvores a meia haste, longe das alturas que agora atingem. Mas havia muitas outras, a maioria de animais, que sempre foram os melhores amigos da dona Floripes.
Além das fotos, havia livros. Romances de cordel, o livro da quarta classe, mais livros de escola, listas telefónicas. E roupas. E o crochet que nunca foi terminado, ainda com a agulha espetada no novelo de linha. E a velha poltrona.
As coisas que não escorriam no rio de água da rua estavam enfiadas no contentor que o novo dono do prédio requisitou para o lixo. Eram os restos da vida da Dona Floripes, que ainda não morreu, mas que foi despejada da casa onde viveu a vida toda, primeiro com a mãe e depois com pombos, gatos e cães, tantos que até ela lhes há-de ter perdido a conta.
Pensámos em lhe devolver as fotografias, mas depois desistimos da ideia. Dona Floripes, vive agora num rés-do-chão, o que lhe facilita a ida à rua, mas há-de sentir falta do seu 4º andar sem elevador com uma vista deslumbrante sobre a cidade e os seus amigos pombos que a visitavam todos os dias.
E também há-de sentir falta das suas coisas, que não pôde levar porque a casa agora é muito mais pequena.
Com oitenta anos, Dona Floripes já não precisa de saber que as suas fotografias andam a navegar pelo bairro. Há coisas em que somos muito mais felizes na ignorância.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Domingo à tarde

Domingo chuvoso, em casa e sem televisão. Que melhor forma de ocupar o tempo senão fazendo biscoitos? E foi assim que nós os três lançámos mãos à obra, enquanto o pai dormia tranquilo no sofá, provavelmente ainda a sonhar com sacos de supermercado cheios de iogurtes e comida de gato.

Escolhemos uma bela receita de biscoitos de azeite, colocámos os aventais, os bancos de cozinha devidamente preparados para os pasteleiros mais pequenos alcançarem a bancada e lá fomos nós. Pedrinho experimentou comer um bocadinho e depois, há que admiti-lo, não achou assim grande graça, preferindo retirar-se para o quarto dos brinquedos.

Mamã e dona princesa regalaram-se e fizeram biscoitos com as letras da família todas, uma operação comandada por sua magestade, naturalmente. Este que está aqui na foto, como se pode constatar, é o biscoito destinado ao Rui, mas há muitos mais. Ficaram talvez um bocadito duros, resultado de uns minutinhos em excesso no forno, mas para principiantes não nos saímos nada mal.

Aqui fica a receita, para o caso de quererem experimentar:

Biscoitos de Azeite
250 gr de farinha sem fermento
100 gr de açucar
1 dl de azeite
4 colheres de sopa de leite
raspa de limão

Juntar tudo até se conseguir uma bola que dê para moldar, com uma consistência próxima da da plasticina, e depois é dar asas à imaginação e ignorar eventuais bocadinhos de cuspo que possam seguir juntos. Dez minutos no forno, ou menos, se forem pequeninos, e já está. Bom apetite.

Como se não bastasse sermos auto-excluídos...

... agora somos também tele-excluídos. Por outras palavras, além de andarmos a pé, que o carro continua na oficina - os senhores alemães da WW que estão a fabricar a peça que falta devem achar que com a nossa crónica falta de produtividade, mais semana menos semana, é igual -, agora também não temos televisão. Ou melhor, ter até temos, e com uma bela imagem. O que lhe falta é o som. Não se ouve nada. Um zumbidozinho sequer. Nada.

Auto-excluídos e tele-excluídos, a família, ainda assim, safa-se muito bem. Fomos de táxi à piscina, e voltámos de autocarro, uma grande aventura para dona princesa, que quis logo telefonar à avó Gracinha a contar a novidade.

Depois fomos a pé ao supermercado, desta vez uma grande aventura para o papá que teve de carregar os sacos de volta para casa.

Vimos as notícias na net e passámos muito bem sem os telejornais. Também não houve doses maciças de nodis, winxs e hóquei em patins na benfica tv, desta vez com uma belíssima desculpa. E à noite, depois de deitados os rebentos, vimos um grande filme no computador, cortesia da querida Catarina que nos abasteceu de DVD.

Em suma, não estamos assim tão mal e o único desgosto foi não termos podido ir ao Alentejo no fim-de-semana.

domingo, 13 de novembro de 2011

Porque as verdades são para serem ditas...

... é com alguma dificuldade que reconheço que o meu filho diz papá. Só papá. Eu digo-lhe que diga "mamã" e ele responde-me com um sonoro e cantado "papá". Que repete até à exaustão. Tirando isso, recusa-se a pronunciar qualquer outra palavra.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

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Hoje, o pai e a mãe vão ao cinema. É um grande dia, algo que já não acontecia desde há uns bons meses. Obrigada avó, mais uma vez.

domingo, 6 de novembro de 2011

Fim-de-semana de sonho

Tudo começou com uma pintura de cabelo caseira, para poupar tempo e não só, que o país está em crise. O homem cá de casa comprou a tinta no supermercado e eu apliquei enquanto preparava as malas para o nosso fim-de-semana anual de comemoração. Meia hora depois, quase desmaiei de susto, perante a cabeleira vermelha reflectida no espelho, resultado de um engano na embalagem, que dizia uma coisa, mas lá dentro tinha outra. A menina do atendimento ao cliente lá teve de me aturar, coitada, mas além de prometer que me iam reembolsar o dinheiro da compra, a verdade é que a pobre nada mais podia fazer.

E foi assim que parti para Quiaios de cabelo vermelho. Quiaios é um sitio que ninguém sabe muito bem onde fica (nem nós), mas onde há um hotel muito agradável, coladinho ao mar, com uma piscina aquecida e um parque infantil interior que o Pedro e a Madalena adoraram.

Só não tem é lojas decentes que vendam tinta para o cabelo na cor que eu uso, o que nos obrigou a algumas excursões aos supermercados das redondezas. Também não tem restaurantes, o que nos levou à Figueira para o jantar, bela cidade em tempos governada por Santana Lopes, onde a nossa viatura decidiu avariar por volta das onze da noite.

Coisita pouca: a chave recusou-se pura e simplesmente a entrar na ignição. Muitas tentativas depois, rendemo-nos à evidência e telefonámos para o seguro. Antes, verificámos que não tinhamos connosco a carta verde. E que também não conseguiamos encontrar o documento do carro. Enfim, nada que não tenhamos conseguido ultrapassar.

Passada uma hora, o senhor Guilherme lá chegou, com o seu reboque, e teve a amabilidade de não nos pedir nenhum dos documentos. Chamou também um táxi de um amigo para nos levar ao hotel e lá voltámos para Quiaios, ao som de música cigana, com um senhor no rádio a gemer "lili, gosto tanto de ti, ai, ai, ai, ai, ai, ai".

Compreensivelmente, a meio do caminho, o nosso taxista parou o carro, foi buscar qualquer coisa ao porta-bagagens e anunciou que ia ali e já vinha, desaparecendo depois pelo pinhal a dentro, deixando-nos a mim e ao Sérgio a braços com um incontrolável ataque de riso. Voltou visivelmente aliviado e sem nenhuma caçadeira de canos cerrados na mão, como chegámos a temer.

O fim-de-semana, esse continuou animadissimo. Os senhores da seguradora deram-nos um carro de aluguer, mas tivemos de comprar uma cadeirinha para a Madalena porque a dela custava muito a sair do nosso carro.

Também conseguimos comprar a tinta para o cabelo com a cor adequada, mas não serviu de nada, apesar de eu a ter aplicado imediatamente.

Em contrapartida, demos belos passeios à beira-mar. E visitámos a serra da Boa Viagem. E a Figueira. E dormimos a sesta na marginal da Figueira. E nadámos juntos numa piscina quentinha. E vimos episódios das winx. E o pôr-do-sol no mar. E brincámos muito, coladinhos uns aos outros durante quatro dias. Foi muito bom.

Já eu, continuo com o cabelo vermelho.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

20 meses de Pedrinho

"Em média, com 1 ano e 8 meses, uma criança diz mais ou menos uma dúzia de palavras diferentes."

Bom, isto é o que dizem os livros, porque cá em casa as palavras resumem-se a três, a saber: carro, mamã e cá, esta última sempre que quer que lhe dê alguma coisa e sempre a soar um bocadinho em tom de ordem.

Pedrinho acha que não precisa de dizer mais nada porque consegue fazer-se entender na perfeição sempre que é preciso.

Além disso, diz a orgulhosa mamã, não fala mas canta. Ah pois é: ontem fui dar com ele a trautear a valsa Danúbio Azul, a acompanhar um livro musical que ganhou há uns dias e que se tornou, desde então, o seu brinquedo favorito. Na, na, na, na... e palminhas no fim para o grande artista.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sabedoria de dona princesa

Dona Mada a contar as novidades da escola...

"O Muhamed hoje bateu na Ester quando ela acordou. Agora já não sou amiga dele. Ela chorou muito e depois foi brincar sozinha. É assim a vida."

... e a refilar com o mano que desata num berreiro depois de ela própria ter acabado de fazer uma birra:

"Ai, ai, agora começa o outro a chorar"

domingo, 23 de outubro de 2011

Minha rica filha do seu rico pai

E hei-la que volta, a chuva, depois de um verão que entrou por Outubro a dentro e nos trazia já fartos dos sapatos e das roupas frescas. Hoje choveu à séria e o cheiro da terra molhada invadiu a cidade. Dona Madalena e senhor Pedro inauguraram a nova estação com uma tosse cavernosa que nos obrigou a acordar várias vezes por noite e amanhã teremos de os levar à escola pela primeira vez os dois debaixo de uma chuvada. O carrinho-para-dois não será muito prático, porque não temos capa para a chuva, mas dona Mada há-de ter solução, com certeza. Como já me dizia um dia destes, em que saímos mais atrasadas, "mamã, vamos de táxixe". "Não pode ser filha, que custa muito caro", disse-lhe eu, na minha saga de a fazer entender o valor das coisas. E ela: "o meu papá leva-me, o meu papá tem muito dinheiro."

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Não me chateiem, por favor

Pedrinho já dorme na cama grande, um colchão enorme para ele, onde pode dar umas valentes braçadas e de onde já caiu várias vezes a meio da noite. Oiço-o a resmungar e lá vou, disparada, mas quase sempre o vejo já a voltar para a cama, com um ar muito chateado. Às vezes precisa de uns miminhos, claro, que isto de ter uma cama sem grades é uma grande novidade. Ainda assim, e ao contrário do que eu temia, não se pira de lá quando o deito e fica sossegado, ainda de olho aberto, quando fecho a luz e lhe digo boa noite. Gosta tanto da cama nova, que hoje de manhã, depois de beber o leite, voltou para lá sozinho, deitou-se e adormeceu mais um bocadinho. É mesmo o menino do papá...

Elogios

Madalena, muito satisfeita, porque o Rui conseguiu pôr a televisão a funcionar quando nós já pensávamos que só nos restava comprar uma nova: "Mamã, o Rui é um arranjador!"

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Das Winx

São a mais recente paixão da Madalena: as Winx. A coisa é de tal ordem, que até o Pedrinho já se converteu, pois a mana decidiu que o Noddy já não é para ela e ele, de tanto ver, resignou-se.

As brincadeiras agora têm fadas, asas, feiticeiras e feiticeiros do circulo negro. E têm a música das Winx. E os nomes das fadas. Ela é a Stella (a loira), eu a Bloom (a ruiva), o pai é o Sky e o Pedrinho é o Brandon.

Lá na escola, a Susana e a Bela também já têm nomes de personagens das Winx e de vez em quando alguém se cruza connosco nas escadas e pergunta, "então, hoje és a Madalena ou a Stella?"

Quer roupas das Winx, sapatos das Winx, carros das Winx (até agora sem sucesso, felizmente) e insiste em pintar as unhas e pôr baton nos lábios, que depois mantém entreabertos e sem chucha, para não estragar a maquilhagem.

As birras também têm as Winx na origem, porque ela quer ver todos os dias mais episódios e negoceia muito bem a coisa: "Vês dois e depois desligamos a televisão, está bem?" "Não, porque eu tenho três anos e por isso tenho de ver três". E pronto, perante esta lógica da batata, o que é nós podemos fazer?

sábado, 1 de outubro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sabe-muito

 Pedrinho continua pouco falador, mas a nós nem nos passa pela cabeça a informação que já acumulou. Hoje descobri que conhece, um a um, todos os personagens do Noddy e que faz apenas uma pequena confusão, perfeitamente normal e compreensível, entre o Sonso e o Mafarrico, os "muito maus", como lhe explica a Madalena.

Também conhece tim-tim por tim-tim a história de "O Meu Balão Vermelho". E os bonecos do jogo dos animais, que tem um elefante, uma girafa, um macaco, entre vários outros, incluindo uma raposa.

Pedrinho gosta de livros e de televisão. E de se pôr à frente da televisão enquanto a mana vê as Winx. E até, mesmo, de vez em quando, de lhe desligar a televisão, o que a deixa chateadíssima.

Pedrinho faz desenhos e pinturas e pega nos lápis com todo o jeitinho. Também abre e fecha todas as portas e janelas que apanha. E os armários e gavetas. E o caixote do lixo, onde às vezes acha que é uma boa ideia guardar os brinquedos.

Também já aprendeu a lavar os dentes e esfrega até fazer espuma. Depois engole aquilo tudo, mas isso pouco importa, que o principal está feito. E a seguir é ir para a caminha. Enquanto eu ponho a fralda à mana e a deito, no meio de muita converseta, ele bebe o seu biberão sozinho, chama-me para que eu o arrume, vira-se para o lado esquerdo (sempre dormiu para o lado esquerdo) e adormece, com a luz acesa e a irmã ainda a tagarelar.

Pedrinho fez 19 meses e tem o sorriso mais doce, os beijinhos mais molhados e o abraço mais ternurento para a sua mamã.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

E ao 16º dia...

... Pedrinho ficou na escola sem chorar. Saiu do colo da mamã directamente para o da Marta, bracinhos estendidos e ar resignado. Dissemos-lhe adeus e, ao contrário dos dias anteriores, o seu choro não nos perseguiu enquanto descíamos as escadas. Gostei e não gostei ao mesmo tempo, feliz por o ver satisfeito, e um bocadinho receosa de tanta independência do meu rapazinho.

Mais em baixo, na sala azul, mais uma manifestação de independência. Dona Mada e seus amigos, equipados a rigor de bibes e chapéus iguais, preparavam-se para a primeira visita de estudo das suas vidas. Iam descer as escadinhas até aos Restauradores, para assistir a uma apresentação do Toy Story na estação dos CTT. Muito sérios e compenetrados, de mãos dadas numa fila organizadíssima, lá os vimos ir. Na volta, como ela me contaria mais tarde, já ao jantar, subiram "num eléctrico que era um elevador", almoçaram "peixinho com batatinhas" e dormiram "muito, muito", que isto de estar na escola às nove da manhã em ponto, mais as emoções fortes do passeio, há-de ter tido o seu efeito.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A escola, ai a escola...

Começou bem, mas acabou-se. Agora chora convulsivamente quando o deixamos na escola. Chora daquela maneira só dele, quase em silêncio, muito triste, muito triste, as lágrimas a escorrerem-lhe à cara abaixo. Depois, quando nos vimos embora, estende os braços e cai o carmo e a trindade. Saio com o coração nas mãos, a sentir-me horrível de o deixar ali e muito embora me garantam que o choro passa logo, que está bem, come bem, dorme a sesta que nem uma pedra.Lá o deixo com a Inês (a educadora) e com a Marta (a auxiliar), ainda sem saber se ele vai gostar delas e se elas lhe vão dar todos os beijinhos que ele precisa e que eu não estarei lá para lhe dar.
Desço as escadas e ainda espreito a sala azul, onde dona Madalena, já de bibe, brinca com os amigos. Feliz e cada vez mais independente. Deixar os filhos ir à vidinha deles não é fácil, não...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

É óbvio, não é?

Família pronta para sair de casa, atrasada como sempre, e dona Madalena já vestida e calçada, mas ainda estendida na cana, revista das Winx na mão, a fingir que lê (e que bem que ela finge...). Mamã diz-lhe, pela enésima vez, que temos de sair, que já devia estar na escola há que tempos. Ela, já com um ar muito enfadado, responde, na sua lógica imbatível: "Mas tens de ver que eu não quero ir para a escola!"
Foi, naturalmente, mas, como sempre, alegrou o meu dia.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Coisas que ultimamente se ouvem muito cá em casa

"Olha, tu não vais acreditar" (Por tudo e por nada)
"Quero contar-te uma coisa a ti" (Quando a quero deixar no quarto a dormir e ela me quer lá mais um bocadinho)
"Eu não acho" (Também por tudo e por nada, quando me quer contrariar)
"Não é justo" (Quando a tento convencer a comer sopa, por exemplo)
"É uma supresa" (Diz muito baixinho, como se fosse contar um segredo)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

1º dia de escola

 Pedrinho foi à escola. Ficou apenas duas horas, mas sentiu-se em casa. Apropriou-se logo de um carrinho, trocou brinquedos com os novos colegas, comeu bolacha maria, correu pelo terraço, e ficou apenas ligeiramente aflito quando se deu conta que nem eu nem o pai lá estávamos, mas não houve lágrimas. Saímos apenas por meia hora e quando voltámos já ele estava instalado à mesa, pronto a almoçar. Não almoçou, mas amanhã se calhar já fica mais tempo. E no dia seguinte fica o dia inteiro. E mais uns tempos e está a entrar no avião, rumo à universidade em Singapura ou noutro sítio esquisito qualquer. O meu menino...

domingo, 11 de setembro de 2011

2001

Há dez anos, Pedro e Madalena, vocês eram ainda apenas projectos. Projectos de futuro, mas de um futuro incerto, que eu não sabia quando aconteceria. Nesse tempo eu viajava, várias vezes por ano, sempre que o trabalho o exigia, saía de casa dois dias ou duas semanas e para trás ficavam apenas os gatos. E aquela era só mais uma viagem ao Brasil, uma semana no Rio de Janeiro a acompanhar os novos investimentos de uma empresa qualquer da qual já me esqueci o nome. Saí de Lisboa no último avião que levantou voo antes de fecharem o espaço aéreo, ainda sem saber que nos Estados Unidos o céu estava a cair em cima da cabeça de toda a gente. Ainda nas salas de espera do aeroporto, vira um pequeno avião a embater contra uma torre e achei que era um daqueles que transportam executivos sem tempo ou sem pachorra para estar nas filas de trânsito. Já no autocarro, em direcção à pista, um amigo telefonou-me a contar que qualquer coisa se passava, mas nessa altura ninguém sabia ainda o que era. Depois, entrei num voo de sete ou oito horas onde só as caras de choro das hospedeiras deixavam antever que alguma coisa de grave se tinha passado. À chegada ao Rio, a aterrar no cockpit, o piloto apontou para um Boeing estacionado na pista e falou-me dos aviões caídos, mas já  só no hotel, de nariz colado à CNN, percebi a dimensão da coisa. E disparei para o telefone, a ligar à minha mãe, que do lado de cá do Atlântico me atendeu num enorme choro de alívio.
Dez anos depois, não se pode dizer que muita coisa tenha mudado no mundo, mas o meu mundo, esse é novo.  Já não viajo como dantes, nem pouco mais ou menos, e vocês são agora os meus principais projectos. Sem vocês nada faria sentido e percebo agora plenamente o choro da minha mãe quando naquele dia 11 de Setembro lhe liguei do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um bairro que é uma aldeia

Hoje foi dia de vacina para o Pedrinho. Antes de irmos para o centro de saúde, uma passagem pela farmácia, para comprar a Prevenar, que o nosso sistema nacional de saúde não comparticipa, e mais uma conversa surreal sobre o Calvin. Não tem passado por lá ultimamente, não senhor - costuma esgueirar-se pela porta e passar a noite no escritório, na cadeira da doutora -, mas já tinham tido notícias dele: "esteve cá hoje uma médica do hospital dos Capuchos, que nos disse que ele tinha lá estado".
O nosso gato é assim. Ele é conversa de café, ele é conversa de farmácia, ele é conversa de leitaria... A leitaria da dona Elvira, aqui à frente de casa, é, aliás, o local onde se concentra a maior fatia dos admiradores do Calvin. "É o gato mais inteligente aqui do bairro", comentava hoje o sr. Ramos - o cliente mais assiduo, sempre a dar na cervejola. "E é que é mesmo", concordava outro vizinho, que eu nem conhecia, mas que me contou que o Calvin já tem ido à casa dele, um segundo andar no outro lado da rua.
E pronto, é assim. Eu, que detesto viver numa cidade em que as pessoas não se cumprimentam umas às outras, ando feliz da vida: graças ao meu adorado gato, toda a gente me conhece e mete conversa. Mesmo que não seja pelos meus lindos olhos, mas sim graças às aventuras malucas do Calvin, este bairro já me parece uma aldeia.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Calvin na neurocirurgia

"Está? Daqui fala do Hospital dos Capuchos."
"De onde?"
"Do Hospital dos Capuchos, serviço de neurocirurgia"
"Ah..."
"Queria falar com o dono do Calvin."
"Sou eu..."
"Pode vir buscá-lo?"
"Bem... sim, eu vou. Acha que posso entrar com o carro?"
"Pode, pode, diga ao segurança que vem buscar um gatinho à cirurgia"
E o gatinho lá estava, muito satisfeito consigo próprio, vigiado por duas enfermeiras. Ainda refilou um bocadinho, mas depois acomodou-se no carro e aceitou vir para casa. E desconfio que ainda acenou amavelmente ao segurança quando saiu do hospital.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Vocabulário

A novidade é que ele agora diz mamã. E diz muito bem dito. Ma-mã. E repete, repete, saboreando a palavra. Mas, naturalmente, só diz quando lhe apetece. Depois de um período em que praticamente só dizia carro, foi um grande avanço linguístico. Também diz Á quando quer água, mas na verdade não sabemos se está mesmo a querer dizer água, ou apenas a reclamar por não lha darmos rapidamente. Antes dizia Calvin, mas perdeu o interesse, embora continue em grandes brincadeiras com o gato, ao mesmo tempo que lhe vai perturbando o sono. E pronto, está feito o balanço do riquíssimo vocabulário de senhor Pedro ao completar 18 meses de idade.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Regresso às aulas

Logo no primeiro dia e já fomos de táxi. Madalena e mamã, atrasadíssimas como sempre, ela de vestido branco e sapato azul, roupa toda queque escolhida pela própria, gatinha e chucha que a ansiedade era muita. Quase um mês e meio depois, o regresso à escola, aos amigos de quem ela andava há que tempos a dizer que tinha saudades, à Susana e à Paula, que este ano foi substituída pela Bela, a nova auxiliar. Mudou da sala amarela para a sala azul, tem 24 coleguinhas em vez de nove, já vai fazer as refeições ao refeitório e está a aprender a comer de faca e garfo. Continua a dormir a sesta mas prescindiu definitivamente da fralda durante o dia, agora que foi para uma sala de meninos crescidos. Ainda fez um beicinho quando a deixei lá, mas o desgosto ficou-se por aí. Dona Mada entrou oficialmente no jardim de infância.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pedrinho, o provocador

Está na fase das provocações. Dizemos-lhe que não, que não pode, e ele olha-nos pelo canto do olho e faz o que bem lhe apetece, com um sorrizinho maroto na cara. Quase sempre finjo que não vejo, ou olho para o outro lado, a fugir à provocação, que isto de estar sempre a dizer que não acaba por banalizar a coisa. Às vezes, porém, lá tem de ser e hoje levou mesmo um piparote na mão porque insistia em mexer na porta do forno, onde eu tinha acabado de enfiar um bolo. Fiquei à espera que desatasse no berreiro do costume, mas não. O rapaz ficou ofendido. E a soluçar baixinho. O queixo a tremer, as lágrimas a escorrerem-lhe à cara abaixo, mas nem um pio, só um olhar zangado e tão infeliz, tão infeliz, que me deu uma dorzinha no peito e tive de o mimar até mais não. Passou-lhe o choro, mas também não voltou a tocar no fogão. E eu lembrei-me das descrições que a avó Gracinha faz do pai dele bebé, que se escondia atrás do sofá para ninguém o ver chorar.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Jesus

No Alentejo, uma vizinha da avó, muito assídua na Igreja, mostrou à Madalena uma imagem de Nossa Senhora no telemóvel e perguntou-lhe: "é a mãe de quem?" Perante uma avó cheia de orgulho, dona princesa não desilude e responde, muito decidida, "é a mãe do Jesus".
O pai, que assistiu ao diálogo, mal teve oportunidade, e já sem as amigas da avó a assistir, continuou o interrogatório: "E o professor dos jogadores do Benfica, como se chama?" E ela logo: "É o Jesus".
E pronto, é assim que o homem cá de casa ensina a filha a questionar as coisas, mais exactamente, tudo o que tenha a ver com religião, compromisso solenemente assumido perante o padre Victor, que aceitou baptizar a Madalena apesar de ela ter um pai que não quer saber da Igreja para nada.

domingo, 14 de agosto de 2011

Férias em alentejano

Dona Princesa regressou cheia de gerúndios. O Pedro está chorando. Ou dormindo. Nós estamos comendo gelado. Ela está vendo o Noddy na televisão. O Alentejo é assim, cola-se-nos à pele e deixa destas marcas. Mesmo na pequena Mada, que tanto de gosta de ir na carrinha do avô para o Algarve, em viagens que duram horas e em que não saem do mesmo sítio, e que se pela por uma ida ao monte, onde brinca na terra com o mano sem que ninguém a chateie. Dona Mada que este ano já dividiu com o Pedro o seu "quarto das costuras", como andava a exigir há que tempos, e que se aproveita da avó para passar manhãs inteiras a comer bolinho e a ver desenhos animados na televisão.
A nossa semana de Alentejo passou a correr, como sempre, mas soube a descanso e a paz, e a comidinha boa, boa, e a banhos de piscina com a planície em pano de fundo. E mimos, muitos mimos. E saudades. E promessas de regressarmos em Setembro.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Andarilho

Para se levantar ainda precisa de uma ajudinha, mas qualquer coisa que esteja à mão lhe serve. Depois disso, de braços abertos e mãos estendidas para garantir o equilíbrio, faz grandes caminhadas. Verdadeiras maratonas, aliás, para quem até aos 17 meses preferiu gatinhar com toda a elegância e destreza, competindo com a mana nas corridas pela casa. As calças rasgadas nos joelhos e os ditos esfolados e calejados prometem agora ser definitivamente remetidos para a história. Pedrinho está rendido às vantagens da bípedia e até já consegue comer, bater palminhas e transportar coisas de um lado para o outro ao mesmo tempo que ensaia grandes passadas. À noite, feliz e orgulhoso dos seus feitos, ainda dá mais umas voltitas de pé na cama, com dona princesa, farta do barulho que ele faz, a dizer-lhe que durma.

domingo, 7 de agosto de 2011

Alguns factos importantes sobre as nossas férias nos Algarves

Pedrinho pela-se por um banho de mar; Madalena aventurou-se este ano, sempre bem agarrada a um dos pais e à sua bóia, e está uma profissional.

Madalena está fã de bolas de berlim e o Pedro também, embora as dele sejam sempre devidamente acompanhadas de uma espessa camada de areia.

As manhãs na piscina foram boas, boas, boas e, além dos belos dos banhos, deram para os rebentos brincarem e até para os pais lerem o jornal.

Pedrinho, com o seu charme, arranjou duas baby-sitters, Mariana e Beatriz, que o mimaram até dizer chega e o passearam por toda a piscina. Também se tornaram grandes amigas da Madalena, embora ela, uma vez ou outra, tenha tido de as meter na ordem, tal era a profusão de beijinhos com que insistiam em a mimosear.

Os fins de tarde na praia, às vezes até às nove da noite, foram do melhor que há, já sem a confusão de gente que em Agosto invade o Algarve - quando estavam todos a sair, a correr furiosamente para conseguir jantar num restaurante antes das onze da noite, estávamos nós a chegar, com o areal à nossa espera.

Ir a Ayamonte comprar caramelos e regressar de barco continua a ser tão bom como dantes, quando ainda não havia ponte e íamos no Renault 5, com a diferença que agora acabaram-se as intermináveis filas para entrar e temos o barco quase só para nós.

Gostamos cada vez mais de Cabanas e da casa da praia e da nossa praia preferida, onde ainda se consegue estacionar em Agosto. Para o ano lá estaremos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Directamente da Ucrânia

"olá. Eu já po Ukrania. Bijo da Madalena e du Pedro. Eu soldadi."

E agora, o que é que a gente faz sem a Inna durante um mês inteiro?
Avós, socorro!!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Efeméride

Pedrinho, a um dia de completar 17 meses, começou a andar. Cá em casa nenhuma das máquinas estava com bateria (lamentável, porque temos duas de fotografar e uma de filmar), mas o momento encontra-se devidamente registado num filme ranhoso feito com o telemóvel, que ele há-de gostar muito de ver quando crescer. Cá por mim, não me vou esquecer dos olhinhos a brilhar, a boca aberta de orgulho e os gritos de riso e satisfação. A mana foi a mentora do evento, porque, apesar de já estar mais do que na hora de os dois irem dormir, resolveu que queria fazer uma roda no chão com toda a gente a jogar à bola. Pedrinho inspirou-se e pronto, já está. Daqui para a frente, que ninguém se atreva a chamar panhonha ao rapaz.

sábado, 23 de julho de 2011

A música que se ouve cá em casa

Está aqui
(estou com demasiado sono e não consegui descobrir como se põem vídeos no blogue)

Pedrinho continua a não andar, mas dança muito bem, as duas mãozinhas fortemente agarradas às do seu par, uma pernoca a subir, depois a outra, o ombro a abanar ao seu ritmo, que pode não ter nada a ver com o da música, mas não faz mal.

Madalena é grande dançarina, de vez em quando até fecha os olhos para melhor se concentrar na música e inventa grandes coreografias. Em regra também exige um par, que se o mano tem ela também tem que ter.

Um e outro andam perdidos de amores pelos Aristogatos (obrigada Marina, obrigada David). Já viram o filme até à exaustão, mas do que mais gostam é mesmo das músicas, especialmente daquela que diz que "toda a gente, toda a gente, quer a vida que um gato tem".

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Aftas...

... ou, para ser mais concreta, estomatite aftosa. São aftas e mais aftas, espalhadas pela boca pelo queixo e também já um pouco pelas bochechas. Pedrinho é valente e só de vez em quando é que choraminga. Nas últimas noites, tem sido a um ritmo de duas em duas horas, mas hoje já deverá fazer uns horários um bocadito mais decentes, graças a uma pomada nova que lhe receitou a médica da Estefânia. Entretanto, recusa-se a comer sopa e tudo o que seja quente e aproveita para se lambuzar de iogurtes. Disseram-nos que a coisa é contagiosa, portanto é provável que esta história tenha continuação...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Breve levantamento

Pedrinho diz mamã. E carro. E gat. E Calv. E ág. E mais nada.
Andar, népias.
Tardenho no falar, tardenho no andar, diz a avó do Alentejo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O nosso engenheiro dos carros

Pedrinho, 16 meses. Não anda, mas gatinha que nem um louco por todo o lado, seja em piso mais agreste, seja na relva, seja na areia da praia. Sobe para cima do sofá, sobe as escadas do escorrega (quando eu não estou a ver), sobre e desce do meu colo a alta velocidade. Também se põe de pé com grande destreza e caminha com uns belos passinhos desde que tenha onde se agarrar. Sózinho e em equilibrio é que nada feito. Às vezes, quando está numa das suas brincadeiras favoritas de me pôr e tirar os óculos escuros, esquece-se dos medos e equilibra-se na perfeição durante uns segundos, mas logo a seguir manda o rabiosque ao chão.
Com a médica a garantir que está tudo bem e que temos de esperar que lhe apeteça, lá me convenci que o meu filho é apenas um bocadinho panhonha nestas coisas do andar, e que compensa noutros lados.
Querem um exemplo? Pois fiquem sabendo que senhor Pedro levanta o bracinho para eu lhe pôr o termómetro, baixa-o e fica calmamente à espera que o dito comece a apitar e a anunciar os resultados da medição.
E há mais: tem um jeitinho de mãos de fazer inveja, é perito em abrir portas, em encaixar peças de legos e em meter o nariz em todas as gavetas da cozinha.
Também me ajuda muitas vezes a (des)arrumar as gavetas do quarto dele, que têm um sistema de abertura à prova de bebés que ele há muito tempo decifrou.
E não dou mais exemplos, para não dizerem que eu sou uma mãe babada e chata, porque o meu pimpolho é um verdadeiro artista engenheiro.


Troca de galhardetes

Hoje, na hora de dormir e de se apagar a luz, entre um beijinho e um abraço a ver se eu não me vinha embora: Mamã, tenho muita sorte, tenho uma mamã e um papá, e eu toda derretida: oh filha, eu é que tenho sorte, que tenho uma filha tão maravilhosa. Uma filha e um filho, corrigiu-me dona princesa, imediatamente antes de um forte e inevitável ataque de beijinhos.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sua real majestade dos tempos modernos

Hoje de manhã foi restaurada a monarquia lá em casa. Um rei, uma rainha, um prícipe muito bem pronunciado (e olhem que não é das palavras mais fáceis) e, naturalmente, uma princesa: "Olha, rainha, eu sou uma princesa. E tenho uma varinha mágica [a chucha]." "E o que vais fazer com ela?" Uma pequena hesitação e, depois, a resposta óbvia: "Vou fazer uma sopinha".

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Conservadora

Rapariga que é rapariga, gosta de uma roupita nova, não se chateia nada de experimentar, verificar o que é que combina com o quê, enfim, essas coisas perfeitamente normais. Já o mano, até para se vestir de manhã reclama, achando, provavelmente, que é uma pura perda de tempo e que bem podia andar de pijama o dia todo que dava no mesmo. Enfim, hoje à tarde metemo-lo na cama a dormir a sesta e tratámos de ir pintar as unhas e experimentar a nossa roupa de praia do ano passado, a antecipar a ida até aos Algarves na próxima semana. E estávamos nisto, quando eu resolvo vestir o meu biquíni preferido, agora que, passados três anos, consigo enfiar-me novamente dentro dele. O comentário de dona princesa foi directo e sem papas na língua, como sempre: É tão pequenino, mamã, se calhar é para mim...
E pronto, o biquíni preferido fica na gaveta por mais uma Verão. Para o ano logo se vê.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dúvidas existenciais

A Madalena descobriu hoje o livro que a tia ofereceu no Natal, cheio de fotografias do avô António com os seus netos. E o livro, naturalmente, foi a leitura da hora do jantar. Ela sabe muito bem identificar o avô nas fotos, mas não consigo perceber o que vai naquela cabecinha. "Eu não conheço o meu avô António, mamã", dizia-me hoje. Já lhe expliquei uma vez que o avô teve de se ir embora, que não está cá connosco, mas que gostamos muito dele, mas depois não sei o que mais lhe hei-de dizer e fico apenas a torcer para que não faça mais perguntas.
Não faz, porque, afinal, tem apenas três anos, mas desconfio que ela sabe que há aqui qualquer coisa estranha, só que não sabe bem o que é.
Um pouco como aconteceu com o Zorbas, que estava muito doente, "foi ao médico dos animais", e não voltou. Ontem disse-me que agora só tem um gatinho, o Calvin. Não fala no Zorbas, mas eu sei muito bem que ela se lembra dele.
Como é que se explicam estas coisas a uma bebé?

terça-feira, 21 de junho de 2011

Na hora da caminha

Pedro e Madalena, pijamas vestidos, história contada, preparam-se para dormir. Apaga-se a luz, fecha-se a porta e ficam os dois sozinhos. Pedro reclama. Choraminga. Quer mais um bocadinho de colo, mas os pais mantêm-se irredutíveis. Madalena, coitada, vê-se obrigada a resolver o problema: "Pedro, não chores que a mamã vem já", começa por dizer. Não chega. É preciso dourar a pílula. E lá vai ela: "Não chores. O papá e a mamã foram passear no Alentejo e nós ficámos os dois aqui". Ele, já mais calmo, perante tal exposição dos factos, ainda choraminga, mas é definitivamente calado com a belíssima interpretação de um medley, que inclui As pombinhas da Catarina e Eu perdi o Dó da Minha Viola. Pedrinho não resiste e adormece mesmo.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Vicente

O mano da Laurinha já saiu da barriga da mamã. É giro que se farta e hoje ele e a mana deixaram-me com uma lagriminha no olho e cara de parva a olhar para o computador só de os ver num belo vídeo feito pelo pai deles. Fico assim quando vejo bebés. Dá-me logo a vontade de ter outro, o que é perigosíssimo...


Livro de cabeceira

(prenda do papá, que tem olho para literatura infantil.)

A gramática perfeita de dona Princesa

De manhã, na caminha dos papás, ela e o mano a beber leitinho, mamã a curtir a calma, papá ainda virado para o outro lado a ver se dorme mais uns segunditos:
- O papá hoje não quer saber de nós, digo eu. E ela, armada em mandona e sempre a apoiar a mãe: - papá, sabe de nós!
Se ele ainda tinha esperanças de dormitar, perante uma ordem destas, claro que as perdeu imediatamente.

sábado, 4 de junho de 2011

Eu quero

Se ele tem alguma coisa na mão, é certinho, certinho, que dona Madalena há-de querer brincar com aquilo, seja lá o que for. E se ela resolve brincar com um determinado brinquedo, um livro, alguma coisa que trouxe da cozinha, onde há sempre muitas preciosidades, senhor Pedro há-de tentar tirar-lha. E, apesar de ainda ser bem mais pequeno, não se fica. Empurra a mana, a mana empurra-o a ele, gritam um bocadinho um com o outro, ele, se consegue escapulir-se, gatinha para bem longe, ela vem fazer queixinhas à mamã. Ou então vem ele, a chorar furiosamente, em tom de grande drama. E são assim os nossos dias. "Eu quero" é a expressão que mais se ouve nesta casa. Depois, volta e meia há birras, ele porque está quase a entrar no tempo delas - o período que os pediatras, oficialmente consagram às birras é entre os 18 meses e os três anos - ela porque está quase a sair, ou pelo menos assim o esperamos nós, que começamos a perder a paciência para amuos e choros.
Hoje à noite a coisa foi de tal calibre que suspeito que os vizinhos do quarto andar hão-de ter pensado que alguém estava a ser torturado aqui no rés-do-chão. São dez e meia da noite e finalmente conseguimos enfiar os dois na cama. Agora vamos ali enfiar-nos no sofá a ver um filme e se algum se atreve a chorar mais uma lagriminha que seja, vamos ter sarilho. Ai vamos, vamos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Três anos

Foi uma festa de aniversário a três tempos. Começou com o avô a fazer sardinhas assadas para o almoço no jardim, continuou pela tarde com um lanche para as amigas e prolongou-se até à noite, com um jantar para os amigos do Alentejo.
Dona Mada esteve radiante, no seu vestido "muito branquinho branquinho" criação da mamã e, já me garantiu, teve a melhor festa de anos da sua vida, tal e qual como o Ruca no livro com a história do aniversário. Não ganhou um dinossauro, mas, pasme-se, teve direito à sua primeira Barbie (responsabilidade da Madrinha) e a uma nova amiga, a Rosinha, que já foi hoje com ela para a escola. Também ganhou vestidos giros, giros, um pijama que agora não larga nem por nada, baldes para levar para a praia, um puzzle novo que fez com o papá em poucos minutos, dois serviços de chá musicais e mais roupa, mais brinquedos e mais mimos, muitos, muitos mimos e muita atenção, que, afinal, não é todos os dias que se faz três anos.
Ai que orgulho, que orgulho...

Teimosa, eu?

Dona Princesa tem o hábito delicioso de vir sozinha até à cama dos pais quando acorda de manhã. Peço-lhe sempre que entre e feche a porta, para o Pedro não acordar, mas hoje não lhe apeteceu. Nem foi por nenhuma razão em particular, apenas não lhe apeteceu, nem sequer quando lhe pedi que voltasse atrás para fechar a porta. Ficou ali, de pé, a barafustar, depois a choramingar, depois a chorar baba e ranho, e eu às tantas já cheia de pena dela, mas a tentar não ceder perante tamanha teimosia. Até que, perante a evidência de que o Pedrinho ia mesmo acordar, lhe disse que então íamos as duas fechar a porta. Saí da cama, com toda a paciência, agarrei-lhe na mão, levei-a até à porta, mas nem mesmo assim ela se resolveu a fechá-la.
Se isto é assim agora, que dirá quando tiver 15 anos? Ai valha-me Deus...

domingo, 22 de maio de 2011

Piscina

À falta de praia, que neste fim de semana o papá está de plantão, colocámos a piscina no jardim a substituir o banho do fim do dia. Dona Mada e Senhor Pedro adoraram a coisa, brincaram até mais não poder, ela pôs-lhe champô a ele, ele molhou-a a ela, riram que nem uns perdidos e eu com eles e a Dona Helena a assistir, da varanda do primeiro andar.
Houve choros na hora de sair, mas lá os convenci e quando já estavam os dois sequinhos e vestidos, tive a infeliz ideia de ir também mudar de roupa. Foram dois minutinhos, talvez três, o suficiente para o Pedro conseguir ir novamente para o quintal e eu ir dar com ele, todo satisfeito da vida, de novo enfiado na piscina, desta vez com a farpela completa. A Dona Helena, da sua varanda, apreciava a coisa e aplaudia.

domingo, 15 de maio de 2011

Praia

Foi o primeiro dia de praia do ano (cá em casa estas datas são sempre comemoradas) e o primeiro em que senhor Pedro pôs a pernoca na praia e gatinhou para todo o lado. No fim, em vez de um bebé, trouxemos para o carro um pequeno croquete, que mal se sentou na cadeirinha adormeceu. Enquanto estivemos na praia, nenhum dos progenitores teve licença para se sentar, rebolou várias vezes na areia, gatinhou por todo o lado, inclusive sobre as toalhas dos pobres vizinhos que nos calharam em sorte, e obrigou o pai a ficar tempos e tempos com ele na beira do mar, de pé na água, qual irredutível marinheiro que observa o oceano.
No meio de tudo isto, ainda arranjou tempo para comer qualquer coisita e infernizar a vida a Dona Princesa, que aterrou na toalha, debaixo do chapéu de sol, e se recusou a sair dali, não fosse distrair-se e aproximar-se demasiado do mar.
Quanto a nós, papá e mamã, esquecemo-nos completamente de colocar protector solar (já lá foi o tempo em que havia disponibilidade para esses luxos) e não tivemos grande tempo para comer e menos ainda para pegar nos livros que ingenuamente levámos (na verdade foi só um e quem o levou fui eu, vá-se lá saber porquê).
No final, exaustos e felizes, retirámos grandes ensinamentos destas duas horitas de praia:

1. nunca esquecer de encher os miúdos de protector antes de sair de casa. Lá torna-se impossível, sobretudo no caso do Pedrinho;
2. levar dois baldes, um para cada um, para evitar os chamados dramas da coxinha, que tanta lágrima fazem escorrer;
3. deixar em casa livros, jornais e outros que tais, que voltam exactamente como foram.
4. acordar mais vezes às sete e meia da matina e ir para o sol da Caparica, que isto com eles é bom que se farta;
5. não marcar nada para esses dias à tarde, pelar razões óbvias.





quinta-feira, 12 de maio de 2011

Perfeito raciocínio matemático.

- A mamã tem dois tesouros, diz-lhe o papá.
- Eu sou uma tesoura, corrige-o ela.
- E a minha mãe, quantos tesouros tem?
Pensa um bocadinho, pouco, e responde: - três.
- E a avó Fatinha, quantos tem?
- Tem dois.
- O Einstein fazia isto com três anos, fazia? aposto que não, conclui o pai, a escorrer orgulho por todos os lados.

Miminhos

Faz festinhas à mamã, dá beijinhos muito molhados, com a boca toda aberta, encosta a cabeça no meu ombro e de manhã, depois do leite, volta a adormecer agarrado a mim por mais um bocado. Em suma, é só miminhos para a sua mamã, o meu maravilhoso.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Roupas usadas, parte dois

A N. tem 24 anos, duas filhas com um mês que choram muito, veio de Cabo Verde para estudar, mas teve de parar porque engravidou, tem um companheiro desempregado e vive algures ali para os lados de Loures. Tem também um belo sorriso, de rapariga corajosa e, ao mesmo tempo, de miúda, porque é exactamente isso que ela é. Veio a Lisboa num pé e voltou para casa no outro, porque deixou as filhas ao cuidado de uma vizinha. Não tinha ligado antes porque não tinha podido, porque os dias com as gémeas não são fáceis. Não quis lanchar, tinha mesmo de se ir embora, e no fim disse que era muito bom, que pelo menos nos próximos tempos não teria de gastar dinheiro em roupas, e que no Verão havíamos de nos encontrar para ela me trazer umas fotografias da Ângela e da Solângela. Hei-de gostar de as ver com as roupinhas de bebé da Madalena.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Uma pérola por dia # 12

- Mamã, não te vás embora, fica aqui a dormir comigo.
- Tenho de ir dormir para a minha caminha. E tu ficas na tua, está bem?
- Não, mamã. As mães que gostam dos filhos, ficam a dormir com os filhos...

(Não fiquei, mas a vontade que eu tinha era de a abraçar com muita força e conseguir parar o tempo durante um bocadinho. O que significa que a rapariga já domina perfeitamente a arte da manipulação. Estamos bem arranjados, estamos...)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Independência

Aos 14 meses e uns pózinhos, senhor Pedro decidiu que sim, que até lhe apetece comer umas coisas diferentes de sopa, mesmo que isso implique mastigar, mas só o faz pela própria mão. Dêem-lhe uma colher, ponham-lhe um prato à frente, e é um rapaz feliz. Leva que tempos naquilo, muito satisfeito com ele próprio, e recusa terminantemente qualquer ajuda. O que não vai parar à boca ou ao babete vai-se acumulando no chão, à volta da cadeira, o que é muito apreciado pelo Calvin, sobretudo quando é peixe, como hoje.
Já a mana, essa recusa-se é a comer sozinha, coisa que na escola faz na perfeição. E, segundo conta a Susana, até se gaba das mordomias que a mamã lhe permite. Um dia destes ainda se deixou entusiasmar pelo Pedro, que de vez em quando também insiste em beber o biberão sozinho, mas foi mesmo só uma vez. Ajuda, mãe, ajuda mãe, e pronto, não há nada a fazer. É a minha bebé. Eu às vezes quase que me esqueço, mas ela ainda é uma bebé.

sábado, 30 de abril de 2011

Ai, ai, ai avó...

- Mamã, estes ténis ficam mesmo bem com esta saia. E os ganchinhos também.
- Tantos ganchos, Madalena! Pareces uma árvore de Natal, digo eu.
- Sou uma Barbie, diz-me ela, toda satisfeita e ignorando as críticas.
- E quem te disse isso?
- Foi a avó Gracinha.

(Dona Princesa não tem uma única Barbie e que eu saiba nunca brincou com nenhuma...)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Roupas usadas

Há dias conheci no Metro a Ângela e a Solângela. Eram duas bebés gémeas, com 23 dias, cada uma no seu ovinho, que viajavam para Loures em hora de ponta com uma mãe a cair de cansaço e aflita para as transportar às duas. Dei-lhe uma ajuda a mudar de linha, fomos falando um bocado e, num impulso, perguntei-lhe se não queria roupas de bebé, que tenho imensas cá em casa que já não servem à Madalena nem ao Pedro. A mãe das gémeas disse que sim, que queria, que com duas as roupas nunca chegam, que é tudo muito caro. Deu-me o telemóvel, pediu-me que lhe desse um toque porque não tinha saldo e combinámos que havíamos de nos encontrar na semana seguinte.
Mandei-lhe um toque e uma mensagem, mas a mãe das gémeas nunca mais me disse nada. É muito provável que nunca venha a saber porquê. Se calhar arrependeu-se. Se calhar pensou que eu era uma maluca a preparar algum golpe. Ou que me estava a armar em boa por ela ser africana. Se calhar o marido não quis. Se calhar o meu impulso foi mesmo uma precipitação da minha parte. Nunca saberei, mas a verdade é que nestas coisas não perco muito tempo a pensar nos meus impulsos e sigo sempre a intuição. Desta vez, pelos vistos, falhou redondamente.

As roupas de bebé, essas continuam aqui, muito bem arrumadas e guardadas. Não gosto da ideia de as levar para a igreja ou para uma instituição qualquer. Preferia oferecê-las a alguém que precise delas e que tenha um rosto e um nome, porque todas as coisas dos meus filhos são preciosas. E porque não acho que seja vergonha nenhuma vestir roupas usadas - o Pedro e a Madalena já o fizeram muitas vezes e nunca lhes fez mal nenhum.

(Se alguém tiver uma sugestão, se conhecer alguém, mande um mail, por favor.)

O meu mês

- Um dia destes vais fazer anos e fazemos uma grande festa, digo-lhe eu para fazer conversa e a ver se a convenço a comer a sopa toda.
- Eu sei, responde-me. É em Maio. E a tia Xanda também. É o meu mês. Qual é o teu mês, mamã?
- É Dezembro, digo-lhe.
- Ai, é muito frio, explica dona princesa, a fingir que se arrepia.
- Quem te ensinou isso tudo?
- Foi a tia Xanda.

domingo, 17 de abril de 2011

Aventura a três

Papá em Frankfurt e senhor Pedro com um peripapo assim por volta das três da manhã. Coisita pouca, vista agora à distância de vários dias, mas um pavor para a mamã, sozinha em casa com as crias, que o vê de repente começar a tremer furiosamente, olhos meio fechados meio abertos, com uma pontinha de febre, mas nada que justificasse aquilo.
Vai daí, ala que se faz tarde e lá vamos nós para o hospital. Nos planos iniciais, dona princesa ficava entregue à vizinha de cima, que, coitada, ainda foi acordada, mas cedo se percebeu que seria impossível convencer a rapariga a ficar na cama. Assim sendo, lá rumámos todos à Estefânia, pijama por baixo, casaco por cima, a dizer ao senhor do táxi que passasse os vermelhos que o miúdo não parava de tremer e ele, muito calmamente, a parar a cada amarelo.
Saímos do hospital às sete e meia da manhã, depois de uma bateria de análises, um Rx, e consultas com dois médicos. Diagnóstico: uma infecção viral, vá para casa, dê-lhe uns supositórios e volte daqui a três dias se entretanto não passar. A temedeira era a febre a subir e os olhos meio fechados, meio abertos, claro, era o sono que o rapaz tinha, em plena madrugada, mas agora é fácil ver as explicações óbvias.
Dona Princesa, entretanto, portou-se à altura e foi vê-la a andar pelos corredores, gatinha numa mão, chucha na outra, a cantar o "balão do João" enquanto esperávamos que o Pedrinho decidisse fazer chichi para a análise.
Foi muito bom. Às oito da manhã estávamos de novo na caminha, eu aliviada, ela toda satisfeita porque tinha andado de taxi duas vezes numa mesma noite e o Pedrinho sem febre.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ma-ma-ma-ama

Quando está para aí virado, senhor Pedro fala pelos cotovelos. Faz brruuummm. Diz qualquer coisa que se assemelha muito a "água", mas ainda sai um bocadinho diferente e quando quer muito alguma coisa, ou quando está chateado, ou quando faz uma birra, diz Mamã. Ou, mais exactamente, ma-ma-ma-ma. Assim mesmo, repetindo as sílabas, para que não restem dúvidas.

Também começou a bater palminhas, coisa que nunca o tínhamos convencido a fazer. Agora, basta ouvir a palavra e já está. Também repete a gracinha quando está muito excitado com qualquer coisa, por exemplo ir passear à rua ou ver a Galinha Pintadinha no computador.

À noite, na hora de dormir, temos o momento de paz do dia. Sento-me no sofá do quarto, ele aninhado ao meu colo, a mana instalada na cama dela, e conto-lhes a história da noite. Depois uma canção para adormecer, Pedro na caminha dele, beijinho ao mano, beijinho à mana, durmam bem e até amanhã. Pedrinho, que tantas noites mal dormidas me deu, adormece quase de imediato e, tal como dona Madalena, só acorda nove ou dez horas depois.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tempo

Uma hora. Foi quanto passei hoje à noite com os meus filhos. Cheguei às nove, eles deitam-se às dez, é fazer as contas. A Madalena já tinha jantado, o Pedro ainda não e devorou um prato de sopa em menos de nada. Enquanto ele comia, ela chorava, porque queria colo, porque estava "triste" porque a Inna se tinha ido embora. Acalmou quando me sentei com eles no chão da sala dos livros e com dois brinquedos novos, um para cada um, resgatados da colecção do Natal que ainda estava guardada em cima do armário. Brincámos, lemos histórias, cantámos a canção do sport lisboa e Benfica, fizemos puzzles e de repente estava na hora.
Foi uma hora pequenina, mas foi uma hora boa.
A Madalena faz puzzles a alta velocidade.
O Pedro arruma as peças do lego na caixa uma a uma e depois volta a tirá-las meticulosamente. E rouba os brinquedos à mana. E vai buscar o outro comando da televisão para substituir aquele que eu acabei de lhe surripiar.
Se calhar fazem coisas que eu nem imagino. Se calhar há coisas sobre eles que eu não sei.
Passam mais tempo na escola, ou com a Inna do que comigo.
Os meus filhos pequeninos precisam de mim, eu preciso deles e não tenho mais tempo para lhes dar...

domingo, 3 de abril de 2011

Fim-de-semana no Alentejo

Dona Madalena foi ao parque com o Rui, brincou com a Cláudia e com a Inês, teve miminhos de toda a gente, muitos miminhos, tomou banho na banheira com o Pedro e inundou a casa de banho perante o olhar de desvelo dos avós, brincou às escondidas no quintal com o avô, ajudou a apanhar as alfaces na horta, foi à missa com a mãe e a avó, brincou com a Joana, telefonou para a avó Gracinha, ganhou bolachas da prima Silvina, comeu paio e quijinho fresco até fartar, teve mais miminhos de toda a gente e depois, na hora de vir embora, chorou durante dez minutos, até finalmente adormecer no carro, porque não queria vir para Lisboa, queria era ficar em Castro Verde com a avó e com o avô e, claro, com a mãe.

Senhor Pedro subiu e desceu várias vezes a Ladeira da Carreira, agarrou-se de pé ao galinheiro para espreitar as galinhas, desceu de cabeça o (enorme) degrau da cozinha sem se magoar, quase rasgou as calças de tanto gatinhar pelo quintal, deu voltas e voltas à casa, abriu todos os armários que havia para abrir, andou ao colo de toda a gente, tomou banho de banheira com a Madalena e ajudou a inundar a casa de banho, foi mimado e beijocado até dizer chega (ou não fosse aquele pescocinho completamente irresistível), jogou à bola com o Pedro e depois, na hora de vir embora, sentou-se na sua cadeirinha do carro e adormeceu ao fim de dois minutos.

Moral da história: temos de arranjar tempo para ir mais vezes ao Alentejo. Muitas mais.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Momento perfeito do dia

Oito da manhã, mais coisa menos coisa. Madalena acorda, salta da cama sozinha e vai ter connosco, que ainda estamos completamente adormecidos. Eu levanto-me, a cambalear e vou à cozinha buscar dois biberões de leite. Entretanto acorda ele e o pai lá tem de se arrastar para o trazer também para a nossa cama. Quando volto está a família toda reunida. Eu dou o leite à Madalena, o pai dá o leite ao Pedro e há uns minutinhos de perfeito silêncio, todos deitadinhos, quentinhos, tão bom, tão bom que eu e o Sérgio quase adormecemos novamente, cada um com o seu biberão na mão. Acaba-se o leite e claro que já ninguém dorme. É o momento da brincadeira, das cócegas, dos puxões de cabelo, dos gritos, do choro, do riso, eu no meio dos dois, a dar miminhos à vez e a resolver os inevitáveis litígios. É o momento perfeito do meu dia, aquele que me dá energia para dez horas na redacção, para ler e escrever todas as notícias sobre crise política e financeira que inundam os jornais. É o meu momento diário de felicidade.

Uma pérola por dia # 11

- Mamã, mamã, está aqui um "alerta pivete" muito grande, anuncia dona Madalena, em grande excitação. - Onde, onde, pergunto eu. - No rabinho do Pedro, informa ela.

domingo, 27 de março de 2011

Piscina

Domingo, nove da manhã. Ensonados, ligeiramente ranhosos, rabugentos da noite mal dormida, sem pequeno almoço que não há tempo para essas coisas, a família ruma a São Bento para pôr o pézinho na piscina. O pezinho e não só, que aquilo são aulas a sério, meia hora de exercício físico a cantar "salto eu e saltas tu e salta também o canguru".
Dona Madalena adora, está sempre na linha da frente para os mergulhos e não diz que não a nada. Pedrinho nem se fala. Schlap, schlap, schlap do princípio ao fim, sempre a dar à pernoca, sempre a bater os bracinhos, diversão em estado puro.
Saimos de lá já depois do meio dia. Os pais exaustos, eles exaustos, Pedro já alimentado, que ninguém quer arriscar uma choradeira de fome, Madalena a perguntar, de dois em dois minutos o que é o almoço.
E agora, o que é que fazemos? Vamos para casa cozinhar? Ná! Maquedonáldes com eles e é já, antes que a mãe lhe dê um ataque de arrependimento e se lembre que uma menina de três anos não deve comer porcarias.
E pronto, assim foi. A manhã de Domingo perfeita.
Para a semana há mais.

domingo, 20 de março de 2011

Adeus ou vai-te embora

Pedrinho aprendeu a fazer adeus.Ele, que não é nada dado a estas habilidades e que tem sempre qualquer coisa mais interessante para fazer, como correr pela casa a gatinhar, aprendeu a acenar e agota repete a gracinha até à exaustão. Não apenas com uma, mas com ambas as mãos e ao mesmo tempo.Depois brinda-nos com um daqueles seus sorrisos sedutores, cheio de orgulho nele próprio

sábado, 19 de março de 2011

Uma pérola por dia # 10

Dona Madalena:
Mamã, estou com uma fome de leão.

Mamã:
Que bom, filha, temos aqui uma sopinha muito boa. E onde é que aprendeste isso?

Ela:
É o Ruca que diz. Não quero sopinha, mamã

Pouco depois, já terminado o jantar:

Dona Madalena:
Hoje foi um dia cheio, mamã. Gostei muito de brincar com o meu amigo Francisco.

Desta vez já não lhe perguntei nada. Esta miúda é uma esponja, apanha tudo, percebe tudo e aplica as expressões apropriadas, no momento apropriado, sempre com a resposta na ponta da lingua. E isto é assim agora, que tem dois anos e meio - vou fazer três, diz, orgulhosa -, o que fará quando for grande, grande como o papá, como ela diz que vai ser?

terça-feira, 15 de março de 2011

Senhor Pedro emancipou-se

Há três dias que se mudou para o quarto da mana, que nos próximos tempos vai ser o quarto dos manos.
As camas ao lado uma da outra e eu em pânico, a pensar que ia ter umas noites ainda piores, que chorava um e chorava o outro, que para adormecerem ia ser o cabo dos trabalhos, que acordariam ambos ainda de madrugada, só para me infernizarem as manhãs.
Lá o mudámos porque já fez um ano e está na hora de ir à vidinha dele, pois claro.
Dona Madalena apoiou o projecto, ajudou a transportar a cama, deu directrizes, e mostrou-se uma mana muito responsável e atenciosa.
Na primeira noite juntos, dormiram até às oito da manhã, sem acordar uma única vez, um verdadeiro recorde. Na segunda foi até às sete, mas depois do leite matinal ainda bateram mais uma soneca. Ontem idem, apesar de uns resmungos nocturnos já não sei se dele, se dela.
Hoje deitei-os, ainda acordados, desliguei a luz e saí, fechando a porta. Ele choramingou um bocado. Que foi, Pedro,que foi?, perguntou-lhe ela. Ele resmungou novamente, mas já muito baixinho, e daí a uns minutos deixei de os ouvir aos dois, os meus filhos tão lindos, tão independentes.
O meu quarto está estranhamente vazio. Já não me lembrava como ele era sem uma cama de bebé.
Ao mesmo tempo, foi bom poder novamente ler o meu livro, de luz acesa antes de dormir sem ter um rapazinho de sono leve a reclamar de cada vez que eu virava uma página.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Estatísticas ou a consulta do primeiro ano

E lá fomos visitar a dra. Filomena.
No peso, 10,28o kg, o percentil é o 50.
Na altura, 76,5 cm, anda no percentil 60, mais coisa, menos coisa.
Perímetro cefálico, rebenta a escala: 48,5 cm e percentil 95
Enquanto esperámos que a médica chegasse, andou a limpar o chão com os joelhos e não parou um segundo que fosse.
Lá dentro esteve muito bem e até se riu com coceginhas quando ela lhe apalpou a barriga. O problema foi quando se viu, nuzinho como veio ao mundo, a ser colocado em cima da balança. Não gostou, odiou, berrou que se fartou até ficar vermelho que nem um pimentão (tal e qual a mana quando faz birras) e só se calou quando eu finalmente consegui vesti-lo e lhe dei colo.
A partir daí já não quis explorar o chão e não me largou nem por nada.
Saímos de lá com ordem para atacar o peixe e os ovos e praticamente todo o tipo de fruta. Comichoso como é senhor Pedro, tão exigente das suas sopinhas passadas, duvido que esteja muito interessado nisso.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Efeméride

Consegui voltar a vestir as minhas calças de ganga GAP compradas nos EUA em 2005 e que já não me passavam do joelho desde que fiquei grávida da Madalena. Três anos depois, voltaram a assentar que nem uma luva. O meu rabo está a voltar ao normal. Iupi, iupi.

domingo, 6 de março de 2011

Doze coisas sobre senhor Pedro agora que já tem um ano e é quase um homem

1. Dorme pouco. O menos possível, porque há coisas muito mais interessantes para fazer. Nos dias em que dorme de seguida até às sete da manhã, a mamã vai à janela mandar um foguete.

2. Dorme de rabo para o ar. Umas vezes porque é assim que, literalmente, cai na cama, depois de muito reclamar, outras vezes só porque sim e porque é realmente a sua posição preferida. Mudou, porque quando era mais pequenino, só dormia voltado para a esquerda.

3. Come bem, mas só sopas devidamente passadas. Recusa firmemente qualquer coisa que tenha de mastigar, como arroz, massa e afins. Curiosamente, pão e bolachas Maria marcham lindamente, sem se engasgar uma única vez.

4. Sabe muito bem como se chama, quem é o pai, a mãe, a mana, os gatos, a Inna. Dá a chucha, quando lha pedimos, brinca ao esconde-esconde sempre que arranja alguma coisa com que tapar a cara e sabe acenar e bater palminhas, mas só quando lhe apetece, ou seja, quase nunca.

5. Sabe quando está a fazer asneira, porque pára e olha para nós a ver como reagimos, mas ignora escandalosamente o "não", sempre a testar os limites dos progenitores.
Asneiras preferidas: enfiar-se no duche logo depois de um de nós ter saído (ou abrir a porta quando estamos lá dentro); brincar com os baldes do lixo e com o bacio da Madalena (em relação a este tem uma verdadeira atracção fatal, sobretudo quando ela acabou de o usar e eu ainda não tive tempo de o despejar); mandar ao chão o conteúdo das prateleiras da cozinha onde consegue chegar (hoje de manhã foi o frasco do mel que não resistiu).

6. Adora ver televisão. Fica sentado, muito sossegadinho, como se percebesse tudo do princípio ao fim. No topo das suas preferências está o Noddy, mas também gosta dos Aristogatos e de tudo o que lhe mostramos no youtube. Não tem licença para, tudo somado, ultrapassar a meia hora diária.

7. Tem uma estranha paixão pelos brinquedos que a Madalena tem na mão. Como ela, também estranhamente, padece do mesmo mal, de vez em quando a coisa dá para o torto e temos choradeira. Senhor Pedro não se fica, mas por enquanto ainda continua a ser fácil distraí-lo com outra coisa qualquer que esteja à mão.

8. Gosta muito de livros, sejam eles quais forem, e (até ver) não os destrói. Ainda há pouco dei com ele a ler, muito atentamente, um dos meus livros de culinária.

9. É um bem disposto, só chora quando tem fome, não quer dormir, ou o tiram das suas rotinas habituais, caso em que fica com um tremendo mau feitio.

10. A sua frase favorita é "dá dá dá". E nem mais nada. Nem "mamã", para grande frustração da dita.

11. Já veste roupa para 18 meses e pesa, pelas minhas contas, uns doze quilos. Na próxima semana há consulta na pediatra e acertamos as estatísticas.

12. Continua a dormir no quarto dos pais. Porque é mais fácil quando (frequentemente) nos acorda durante a noite e porque antecipamos uma tarefa difícil a de conseguir adormecer os meus dois rebentos no mesmo quarto.

sábado, 5 de março de 2011

Palhaçada na Pena


A escola de Dona Princesa foi invadida por dezenas de palhacinhos que desfilaram orgulhosamente pela Calçada da Pena. Cá em casa o traje foi preparado nas vésperas, mas foi um sucesso. A comoção foi de tal ordem que a nossa palhacinha deu-lhe para o choro e obrigou sua mãe a desfilar também (dada a conjuntivite, até nem destoou muito do conjunto). A verdadeira palhaçada, portanto.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Uma pérola por dia # 9

Mamã, és tão linda!
Gosto muito da minha mamã,

diz a minha princesa, indiferente à conjuntivite da mamã, que a faz parecer um palhaço só com um dos olhos pintados. Há lá melhor coisa para levantar o ego?

Uma pérola por dia # 8

Madalena - Estou tão feliz, mamã.
Mamã -Então porquê, filha?
Madalena - Porque tu chegaste!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Há um ano

... era sexta feira e eu tinha ido mais uma vez à MAC fazer um CTG. Passei lá a tarde, numa sala de espera a abarrotar de gente e uma chuva desgraçada lá fora. Ao fim do dia, a dra. Francisca anunciou-me que a coisa estava para breve e eu insisti que antes de me deixar internar tinha de ir a casa dar o jantar à Madalena. Por isso fui e voltei, duas horas depois, pronta para parir mas muito pouco convencida de que isso iria mesmo acontecer nas próximas horas. Ao mesmo tempo, a rezar para que eles se enganassem porque, afinal, tinha uma cesariana marcada para a segunda-feira seguinte.
O Pai ainda fechou o jornal e depois é que apareceu, estava eu muito calmamente à espera, aparentemente com contracções, mas depois nada. A noite arrastou-se chuvosa, muito, muito chuvosa e o dia que se seguiu também. Pedrinho nasceu mais de 24 horas depois de eu ter sido internada.
Foi há um ano que o vi pela primeira vez, tão lindo, tão enrugadinho, a primeira noite inteira sem chorar, ao ponto de eu, já em pânico, desatar a perguntar às enfermeiras se era normal (mal sabia eu o que me esperava...).
E bastou um ano para o meu bebé se transformar num rapagão loiro, lindo, apaixonado por mim, que se cola a mim que nem uma lapa (para desespero da mana) e me lança olhares de adoração e que eu amo, amo tanto e de forma tão incondicional, que até me faltam as palavras.
Foi mais um ano bom, muito bom, em que me senti a mais privilegiada de todas as mães.

Papá e mamã ao tapete

Literalmente. Ao tapete, sem apelo nem agravo, um e outro a correr para a casa de banho de meia em meia hora (ou menos). Poupamo-vos os pormenores sórdidos e só aqui se regista que, qual Holmes Place, qual quê, venha daí um vírus daqueles bem competentes e os resultados são muito mais rápidos e eficientes. Ao fim de dois dias em casa sem conseguir trabalhar e a dar graças aos céus por estar lá a Inna a cuidar do Pedro, a minha balança voltou aos 50, coisa que não acontecia desde antes de engravidar da Madalena. Lamentavelmente, na semana que se seguiu viajámos para o Alentejo e, como se sabe, a casa da mãe é um perigo para qualquer dieta. A balança, menos mal, continua ainda assim a marcar 51. O vírus parece ter ido, definitivamente, para outras paragens e, querida filha, se puderes não trazer mais coisas dessas da escola nos próximos tempos, o pai e a mãe ficarão muito agradecidos...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

E foi assim

Fomos ao cinema, adorámos o filme, antes jantámos sushi, apanhámos uma molha porque choveu a potes, namorámos no escurinho e andámos na rua de mãos dadas, coisa que ultimamente pouco tem acontecido porque as mãos andam sempre ocupadas com outras mãos ou com carrinhos que é preciso empurrar. Foi muito bom. Obrigada avó. Podemos repetir um dia destes, mesmo sem ser dia dos namorados e sem pretexto nenhum?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ups...

Hora do jantar. Sento-me no meio dos dois e vou enfiando colheradas, à vez, ora de sopa para o Pedro, ora de seja o que for para a Madalena, que ultimamente embirrou que não quer sopa e não há quem a convença. Pelo meio vamos conversando, cantando, contando histórias, enfim, o que calha. Hoje estava tão embrenhada numa conversa com dona Madalena sobre o que tinha feito na escola, que troquei as colheradas. Ela comeu, e nem notou, sopa do mano e ele livrou-se, mesmo à tangente, de experimentar arroz de ervilhas e peixe no formo.

Se eu não arranjo rapidamente maneira de dormir uma noite seguida, não sei onde isto vai parar...

Ordem de soltura

Vamos sair. Vamos jantar os dois e a seguir vamos ao cinema. O pretexto é o dia dos namorados, que cai sempre bem ter uma boa razão para convocar a avó para aturar dois diabretes que fazem tudo para não ir para a cama e ficar a brincar até às tantas. Bem sei que o dia dos namorados é um pavor, que anda meio mundo na rua, que não há lugar nos restaurantes e os cinemas estão a abarrotar. Não me importo. Vamos os dois namorar um bocado, comer comida japonesa e andar de mão dada na rua e quero lá saber do resto.

O problema agora é escolher o filme. Como ir ao cinema se tornou uma operação de tal forma rara, não podemos desperdiçar a oportunidade e temos de ir mesmo ver uma coisa que nos encha as medidas. Aceitamos sugestões, que ultimamente os meus olhos pousam pouco nas páginas dos filmes nos jornais.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Uma pérola por dia # 8

Avó Fátinha convida dona princesa para passar uns dias no Alentejo, enquanto os pais regressam a Lisboa. Ela, muito séria, informa que não pode ser porque:

Desculpa 1
"A avó Gracinha está à espera de mim"

Desculpa 2
"A avó Gracinha e a Ritinha estão à espera de mim"

Desculpa 3
"O meu irmão, o meu Pedro, fica sozinho"




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Uma pérola por dia # 7

Dona Mada para sua mamã que se dedicava à bela tarefa de a abraçar e mimar:
Uma princesa ao colo da mãe dela.

Aos papéis

A nossa Inna já está legal. Chegou hoje de manhã, depois de mais uma maratona no SEF, feliz, feliz, cara rosada, olhos a dar para a lágrima, a sorrir porque finalmente poderá ir à Ucrânia visitar a filha que já não vê há mais de um ano.

A autorização de residência, os papéis, como ela diz, custou-lhe 783 euros e muitas maratonas em serviços públicos, da Segurança Social às Finanças, do arquivo de identificação ao SEF das Portas de Benfica, um lugar indizível, frio como tudo e cheio de gente em sofrimento. Vêm de todo o lado, da Europa de Leste, da Índia, do Paquistão, do Brasil, de África e mendigam um documento milagroso num local cheio de funcionários mal encarados e antipáticos, que têm na mão as vidas deles. E suponho que também estão em sofrimento, porque ninguém pode ser feliz a trabalhar num sítio daqueles, que de Inverno é um congelador e de Verão se enche de moscas e cheiro a esgotos.

A Inna pagou, para se legalizar, bastante mais do que ganha num mês. E daqui a um ano terá de repetir a dose. Se passa por tudo isto para ficar por cá, nem imagino como será o seu país. Nós, com os nossos brandos costumes, nunca nos passa pela cabeça o que sofrem para ficar. E não sabemos que há lugares como o SEF das Portas de Benfica.

Afinal ele sabe

Sabe, mas só faz quando lhe apetece. E ontem apeteceu-lhe e toca de fazer um grande adeus à Inna, bracinho estendido, mão aberta, dedos muito espetados para a frente. Ficámos muito emocionadas as duas e a Madalena, que assistiu impávida e serena, olhou para nós sem perceber porquê tanto estardalhaço por uma coisa que ela própria faz tantas vezes. Pedrinho, muito satisfeito consigo próprio, continuava a acenar.

A minha esperança agora é que qualquer dia lhe apeteça também e comece a bater palminhas. É que o rapaz, em regra, tem mais o que fazer. Tem de gatinhar pela casa cada vez mais rápido, explorar os cantos ao sofá, empoleirar-se ao computador do pai e arrancar teclas e brincar com o rato, destruir os legos que a mana faz, enfim, muitas, muitas actividades mais interessantes do que bater palminhas ou sentar-se no colo da mamã a fazer o zé godinho.



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A minha leeeeeeeeeeeeeeeetra !

Agora anda nisto. Vai muito bem na rua connosco e de repente desta aos berros, satisfeitíssima, porque vislumbrou a sua letra. Na matricula de um carro, numa publicidade de rua, num graffiti que alguém pintou numa parede... seja onde for, onde houver um M, ela há-de dar com ele. o éme, a minha letra, diz toda orgulhosa. E nós, ao lado, mais orgulhosos ainda. Dona princesa, pouco mais de dois anos e meio, conhece (quase) todas as letras do alfabeto. A letra dela, a do pai, a da mãe, a do mano, a dos avós, das tias, dos primos, da Joana, da Inna, e por ai fora. Até o K, que como não tinha ninguém a quem ser atribuída, pensámos que seria mais difícil. Qual quê? K é a letra da Kitty, naturalmente.

A paixão pelas letras (sobretudo pela dela própria) é de tal ordem, que de vez em quando vai buscar um toalhete e dedica-se a limpar, laboriosamente, o tapete de borracha, em jeito de puzzle, com as várias letras e números que temos no chão do quarto dos brinquedos.

Já agora, e porque estamos em maré de elogios (coisa que nunca se vê neste blogue), temos de referir também os dotes matemáticos de dona princesa, que identifica na perfeição os números de um a dez. Com as cores tem tido alguma dificuldade, mas lá se vai desenrascando. E quando não sabe inventa: aquele carro é verde, aquele é azul, aquele... não lembro... aquele é da cor do Benfica.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Onze

Pedrinho faz hoje onze meses. Onze. A minha pergunta é sempre a mesma: como é que o tempo passa tão depressa? E, depois, vem logo a constatação: quero estar com ele mais tempo e não consigo. Quero ser a primeira a descobrir cada pequena coisa nova que ele aprende e não consigo. Quero ser melhor mãe, não quero passar dez horas por dia no trabalho, mas não consigo. A única certeza que tenho é que, nestes onze meses o meu amor pelo meu pequeno homem cresceu, cresceu, cresceu e o meu coração cresceu com ele.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Marcas de guerra

Pedrinho, dez meses e três semanas, bateu com a cabeça e ficou com um arranhão, com direito a sangue e muitas lágrimas e uma mãe a meter-se no primeiro táxi que lhe apareceu porque o queria ver antes de ele ir dormir. Estava bem, já na caminha mas ainda de pé, apesar do adiantado da hora, bracinhos abertos para a mãe desnaturada, que saiu de casa às dez da manhã e voltou às dez da noite.

Foi o primeiro arranhão, mas não foi a primeira queda, que esta coisa de se movimentar de pé agarrado aos móveis tem destes perigos, mas é demasiado aliciante. E senhor Pedro não pára. Gatinha atrás da mana, insiste em brincar com os mesmos brinquedos que ela e tem algumas actividades predilectas, como por exemplo tirar da estante da televisão a nossa colecção de DVD e espalhá-los laboriosamente pela sala.

Com tanta actividade física, claro que não tem tempo para se sentar no bumbo e aprender coisas tão básicas como bater palminhas. Isso é coisa de meninas, está-se mesmo a ver. Tão iguais e tão diferentes, os meus pequeninos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Para mim e para o meu mano, se faz favor

À conversa depois de mais uma leitura do livro "O Ruca faz anos" (é uma das leituras preferidas e já o lemos para cima de umas cem vezes, seguramente)
Mamã - Quando tu fizeres anos também fazemos uma festa, com bolinho e velas para soprar. E podes pedir uma prenda.
Madalena - Quero uma camisola da Kitty [olha que estranho...]. E uma malinha da Kitty [esta apanhou-me de surpresa. Tão pequenina e já sabe que uma rapariga não é nada sem a sua malinha]. E para o Pedro, um carrinho...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ai a minha cabeça...

Conversa à mesa, à hora do jantar.
Madalena - Mamã, esqueceu-me de contar-te uma coisa a ti.
Mamã - Ai sim? e o que foi?
Madalena, depois de um pequeno silêncio - Não Lembro. Lembras, papá?

(mais tarde acabou por se lembrar: queria contar-me que tinha comido amendoins com o pai, quando ele a foi buscar à escola hoje à tarde)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Chiu....

... não contem a ninguém e não falem muito no assunto para não dar azar, mas ontem à noite senhor Pedro dormiu sete horas seguidinhas sem pedir leite. Deitou-se às dez, dei-lhe biberão à uma e só voltou a pedir (exigir) comida às oito da manhã. Claro que aí acordou e já não o convenci a fechar a pestana novamente, mas pronto, não se pode ter tudo, não é?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pedrinho tem sempre razão

Que ninguém duvide que o homem pequenino cá de casa é um verdadeiro relógio. Suiço. Perfeito. Aquele estomago não falha nunca e eu, ao fim de mais de dez meses a acordar duas vezes por noite, já devia saber disso. Mãe de pouca fé, afinal, que duvidei do meu despertador privado e o troquei pelo relógio da mesa de cabeceira que me dizia que eram "apenas" três da manhã. Ora senhor Pedro tinha tomado um belo biberão de leite à uma, por isso ainda não eram horas de repetir. Vai daí, ignorando os gritos furiosos da nossa fera, lá lhe enfiei a chucha pela boca, mudei a fralda, embalei, cantei, sei lá o que é que eu fiz até que adormecemos os dois, ele exausto, eu exausta, abraçados um ao outro na minha cama, o pobre do pai recambiado para um mísero cantinho do colchão.
E só de manhã se fez luz: o relógio da mesa de cabeceira estava três horas atrasado. Três. Assim sendo, quando Pedrinho pediu leite estava dentro da hora habitual e, pobrezito, deve ter-se sentido o bebé mais injustiçado do mundo. Mas a principal conclusão é outra: mesmo contrariado, o rapaz ficou da uma às sete sem meter nada na barriguinha, o que só prova que os biberões nocturnos são mimo. Hábito e mimo que temos de desenraizar dê lá por onde der, que eu já não aguento estas noites mal dormidas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ups

Notícia matinal na escola de dona princesa: precisamente na sala dela, foi detectado um caso de varicela. E, como se já não bastasse, o feliz contemplado foi o André, ilustre sucessor do Nuno no coração da Madalena. Aliás, a caminha dele, na hora de sesta, é ao lado da dela.

Não faço ideia no que é que isto vai dar, mas tem todos os ingredientes para não dar coisa boa.

Porquê, mamã?

Vamos jantar, Madalena?
Porquê, mamã?
Porque já é tarde e tu estás com fome.
Porquê?
Já passou muito tempo desde o lanche. Anda, hoje é massa com peixe. Massa com letras.
E tem a minha letra?
Claro.
Porquê?
Tem todas as letras.
E a do avô também?
Todas.
Porquê?

E assim continuámos, num interminável e encadeado rol de porquês durante toda a refeição. Segundo os livros, a idade dos porquês é lá para os três, quatro anos, mas parece que cá em casa chegou mais cedo. É porquê por tudo e por nada e às vezes as perguntas nem sequer são assim tão fáceis como seria de prever vindas de uma menina com dois anos e meio.
Apetece-me guardar para sempre estas nossas conversas e tenho medo de as esquecer.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Gabriel

A Madalena e o Pedro têm um amigo novo cá no prédio. É o Gabriel e nasceu ontem à noite. Saiu da barriga da Joana, como diz a Mada, já a querer ir visitá-lo. Estamos muito contentes e até a Dona Helena do primeiro andar diz que há muito tempo não havia tantas crianças aqui no número quatro.

Bem vindo, Gabriel.
Parabéns Joana e Andrea

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Mamã

E aí está a primeira palavrinha do homem pequenino cá de casa: mamã. É certo que só lhe sai quando choraminga porque quer vir para o meu colo ou porque vou sair da sala onde ele está, ou porque não o tiro imediatamente da cama quando está de pé, de mãos estendidas para mim. É certo, também, que ainda tem de afinar a pronúncia, mas aquele ma-ma enche-me o coração de orgulho e deixa-me o estômago cheio de borboletas.

Princesa bom coração

Pequeno arrufo conjugal cá em casa, já nem me lembro porquê. Papá refila, mamã ensaia o inevitável amuo, que isto uma rapariga tem de marcar a sua posição com todos os meios ao seu alcance. Sento-me na cozinha, com o meu ar de sou a mais infeliz do mundo e de repente sinto umas mãozinhas a acariciar-me a cabeça e uma vozinha que pergunta: chateaste com o papá, mamã?

A resposta foram dois progenitores já completamente esquecidos do arrufo, a garantirem que não, que foi só uma pequena discussão sem importância, que o papá e a mamã gostam muito um do outro e, sobretudo, gostam muito dela, da nossa princesa com bom coração, como diz o pai.

E é que tem mesmo. Se o mano chora, é vê-la a perguntar logo Pedro magoou-se, mamã? e a ir a correr ter com ele. Se lhe cai a chucha lá vai ela apanhá-la e durante o jantar é capaz de se levantar várias vezes para apanhar os brinquedos que senhor Pedro vai mandando para o chão, só pelo prazer de os ver cair.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ano novo, agenda nova

Vistas bem as coisas, é apenas mais uma página do calendário. É verdade. Não amanhecemos diferentes, não ficamos de repente mais felizes ou infelizes. Acordamos no dia 1 e somos exactamente as mesmas pessoas, com a diferença que temos uma agenda nova. E é aí que o ano novo é importante: na agenda nova. Escolho-a com muito cuidado, aliás, sou mesmo uma mãos largas quando se trata de comprar agendas. Tenho 365 folhas novinhas pela frente, para preencher e mais umas quantas para aquelas notas que não são de nenhum dia do ano e isso deixa-me com uma sensação boa, de tempo para gastar, coisas para fazer, planos para inventar e levar (ou não) para a frente. Quando começo uma nova agenda, penso sempre que estou a começar qualquer coisa e que há um sem número de oportunidades que se abre à minha frente. É uma sensação boa.

(Já tenho uma agenda nova, só ainda não arranjei tempo para a começar a preencher com nada que não tenha a ver com trabalho. Por esse lado, portanto, tudo continua como dantes.)

sábado, 1 de janeiro de 2011

2011

Andei anos e anos a dizer que dessa é que era, que ficava em casa, que não estava para festas forçadas, que isto de ter obrigatoriamente de comemorar o ano novo não é para mim e este ano, pela primeira vez desde que deixei de passar a última noite do ano com os meus pais, fiquei mesmo em casa. E foi uma bela passagem de ano, com a minha família maravilha, o mais novo a dormir, amais velha a aguentar-se estoicamente e a bater panelas à janela com o pai e com a avó. Depois da meia-noite, uma pequena invasão de amigos, chá e sonhos e chocolates com licor de mel e conversa fiada e 2011 aí estava, quase sem darmos por ele. Só me faltou o fogo de artifício, mas não me importo nada de repetir.

Bom Ano Novo a todos os estimados leitores.