segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Verdade ou consequência?

Em casa dos primos do Algarve, já metidos na cama, mas a lutarem contra o sono.

Pedro para o Ricardo: verdade ou consequência? Verdade. E o Pedrinho, inpiradossimo: É verdade que tu gostas da Madalena? Naooooo!!! Então vais ter de dar um beijinho no rabo da tua irmã. Aiiiii. Aqui já era a pobre da Ana, que, em desespero, tentava dormir, enquanto os outros três, Pedro, Ricardo e Madalena, prosseguiam imparáveis. Era quase uma da manhã quando, finalmente, adormeceram.

Eu jogava a estas coisas nas férias, mas tinha aí uns 12 ou 13 anos. Estes miúdos estão a começar um bocadinho cedo, não estão?

domingo, 17 de agosto de 2014

"Mãe, porque é que os 'senhores do vento' nunca mais chegam?"

E no primeiro dia de férias, auto-estrada do Sul, já no Alentejo, e pimpa, um furo. Assim, sem mais nem menos, um barulho que parecia um helicóptero a sobrevoar a viatura, toca de encostar à berma, e lá estava o pneu em baixo.
Vá de tirar toda a gente do carro e subir para o talude - coisa que, até esse dia, eu nem sabia que existia -, Pedrinho em choro, porque ia a dormir descansado da vida e o obrigaram a sair da sua cadeira, e nós os quatro ali, enquanto os carros passavam a 200 à hora e faziam estremecer tudo.
Para ajudar à festa, foi preciso chamar os senhores do seguro, porque faltava uma coisa simpática chamada porca de segurança, essencial para mudar o pneu e que os senhores da última garagem onde fomos resolveram guardar para si, vá-se lá saber porquê. Enquanto esperávamos pelo reboque, resolvemos chamar também os senhores da Brisa, para nos virem sinalizar o carro, benditos telemóveis com internet que nos dão estas informações todas.
E foi assim que assistimos ao pôr-do-sol na auto-estrada do Sul, sentados numa valeta, embrulhados nas toalhas de praia que era o que havia ali mais à mão para enganar o frio da bela noite de Agosto. E entretanto, nada de aparecer ninguém.
Madalena contou estrelas, quis saber qual era a do Zorbas e as das outras pessoas da família já transformadas em estrelinhas. Pedrinho choramingou e comeu bolachas. Mamã e papá, silenciosamente, chamaram vários nomes aos senhores da garagem onde fomos no ano passado, aos senhores do reboque que demoraram uma hora a vir e aos "senhores do vento", como dizia a Mada, que também demoraram mais de meia hora a dar o ar da sua graça.
O resto da viagem fez-se no reboque, o carro atrás e nós à frente, meninos no colo dos pais - "podem esperar por um táxi, mas ficamos aqui todos mais uma hora", avisou o moço do reboque, natural de Grândola -, com cintos de segurança que teimavam em não funcionar - "não vale a pena, que nós já vamos à multa de qualquer maneira" - e com um condutor que segurava o volante com os cotovelos enquanto ligava para meio mundo através dos seus dois telemóveis. Nunca ultrapassou os 80 quilómetros, vá lá, e, de castigo, ouviu o Pedro cantar o repertório completo da "Galinha Pintadinha". Comigo a ajudar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Pedrinho, o despachado

A Tamara foi para a Ucrânia e decidimos mandar alguns brinquedos para a neta pequenina. A ideia foi boa, a concretização difícil. Pedrinho e Madalena aceitaram de bom grado, mas depois descobriam, repentinamente, que todas as sugestões que eu dava não podiam ser, porque eram, precisamente, os seus brinquedos favoritos. Mada lá desencantou um peluche, mas o Pedro não se conformava. Até que encontrou a solução ideal: levantou-se a correr e foi buscar o Noddy. O Noddy? Sim. Mas tu gostas tanto no Noddy. Gosto, mas tenho dois. E lá foi, feliz, à vidinha dele.

P.S Já não se aguenta com tanto boneco e peluche e carrinho e avião e winx, e sininho e afins, mais os jogos e os livros e os legos, que são a paixão do momento. Andamos há que tempos a arranjar coragem para deitar mãos à obra, mas não tem sido fácil. Destas férias não passa, fica aqui registado, para toda a gente saber.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Casamento

A Manuela e o Carlos cristalizaram algures na minha memória no dia do seu casamento. Foi o primeiro casamento a que fui e lembro-me perfeitamente dela, vestida de noiva, com um vestido branco tão bonito. E da cerimónia na igreja, do copo de água no monte dos pais dela e da romaria de convidados à casa onde os noivos iriam morar, toda a gente a entrar no quarto e a deixar notas em cima da cama de colcha cor-se-rosa. Eram presentes, mas era também para dar sorte e um futuro onde nunca faltasse o dinheiro. E lembro-me de nós os três na igreja, do meu vestido aos quadrados rosa salmão provavelmente feito pela mãe, das meias de renda até ao joelho feitas pela avó Teresa. E do Rui com o nariz partido – andava sempre com o nariz partido, o meu irmão pequeno –, da Zézinha de repente grande de mais, porque naquele ano tinha crescido tanto, tanto e estava muito mais alta do que eu.

No fim-de-semana encontrei-os no Alentejo. A Manuela e o Carlos, ambos de cabelos brancos, as minhas memórias a quebrarem-se em mil bocadinhos e eu sem ser capaz de fazer as contas aos anos que passaram entretanto.  

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Madalena nos avós

Quando a fui levar ao autocarro ia com uma lagriminha no canto do olho e o receio de que, no abraço da despedida, se arrependesse e ficasse por cá. Nada disso. Subiu animadíssima os degraus da camioneta, de mão dada com a avó, deixando-me cá em baixo encolhidinha e tristonha, e sentou-se no seu lugar à janela, para não perder pitada.
Madalena está de férias e foi passar uma semana ao Alentejo a casa dos avós. Foi a primeira vez que ficámos tantos dias longe dela e a preparação foi longa e demorada, mas a aventura tem corrido muito bem. Liga-nos várias vezes por dia, a contar o que anda a fazer e pelos relatos, está uma verdadeira princesa, com todos os seus desejos a serem imediatamente atendidos pela avó e pelo avô.
Só na quarta feira é que me disse ao telefone que estava com muitas, muitas saudades. E hoje foi a vez do mano, que ficou em Lisboa, anunciar, logo de manhã, que está com saudades da Madaiena ao ponto de ir buscar uma fotografia da mana para nos mostrar.
Quanto ao pai, hoje quase tivemos uma crise matrimonial só porque me esqueci de lhe mostrar uma foto dela que a avó mandou para o meu telemóvel, pelo que está tudo dito.
Sabemos que é bom para ela, para ficar mais independente, e bla, bla, e bla, bla, mas estamos cheios, cheios de saudadinhas da nossa pequena maravilha.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pedrinho e as coisas que há na piscina

Pedrinho foi com a escola à piscina e voltou muito satisfeito. Gostou muito, brincou muito com os amigos, afundou e a Maiana foi salvá-lo. As piscinas a que eles vão são mesmo muito pequenas e eles tem sempre pé, por isso não nos preocupámos com o salvamento. Mas ainda perguntámos: "Então e as professoras vão com os meninos para dentro de água?". Resposta: "Sim, a Maiana vai. Ela tem fato de banho. E tem maminhas. Há meninas que não têm maminhas, mas a Maiana tem." E assim ficámos informados e o papá com um daqueles sorrisinhos parvos.



sábado, 12 de julho de 2014

A nossa matemática

Mada a ver televisão vem perguntar-nos o que significa "o dobro". Lá lhe explicamos e depois fazemos um teste: então e agora diz lá qual é o dobro de dois? Quatro. E de quatro? Oito. E de oito? 16. E de 16? 32. E nós, já de boca aberta: E o dobro de 32? 64. E de 64???? É cem e qualquer coisa, já não me lembro bem... E como é que tu sabes isso tudo, perguntamos nós, eu e o pai, já com a certeza de que estamos mesmo perante um verdadeiro génio matemático, que nos responde do alto dos seus seis anos. E ela: Sei por causa do 2048, claro. Sim, claro. O jogo que ela e o pai andaram a jogar furiosamente no meu telemóvel durante as férias em Cabanas, o que mais havia de ser ?...