sexta-feira, 17 de julho de 2009

Avô

A primeira memória que tenho, de todas as minhas memórias de criança, é com o meu avô. Estamos no Monte, estou de mão dada com ele e na outra mão seguro uma cadeira pequenina de que gostava muito. Não me lembro de mais nada e nem tenho a certeza que esta seja uma memória real. Chamava-se Antero e morreu aos 78 anos, tinha eu 21 meses, pouco mais do que a Madalena tem agora. Por isso só sei dele o que me conta a minha mãe, que era um doce com a minha avó, a quem fez nove filhos, e que de vez em quando bebia uns copitos, quando vinha à vila montado na burra branca. Não há muitas fotografias, por isso o meu avô tem na minha cabeça um rosto que eu lhe criei, qualquer coisa entre os olhos da minha mãe e o sorriso do tio Manel da Horta. Era um velhote alentejano que eu nunca conheci, mas que vive ainda nesta minha primeira memória de criança.

Os avôs são preciosos, querida Madalena, mesmo quando já não andam por cá. Nós somos um bocadinho deles e as lembranças que nos deixam são também bocadinhos de nós, por isso devemos mante-las vivas. E, por isso também, eu e o papá vamos contar-te muitas coisas sobre o avô António, que agora tem uma árvore da casa da Várzea.

3 comentários:

mãe disse...

Madalena,
A mamã tem toda a razão. Os avós são especiais na vida e no coração das crianças.
Um forte beijinho para todos.
Um especial ao Sérgio
Catarina

carla.mateus.silva disse...

é verdade Madalena,os avós são muito importantes,é pena que não possam ás vezes ficar por cá mais tempo,junto a nós.
beijinho grande

Oficinas RANHA disse...

Porque fizeste um comentário no nosso blog vim aqui espreitar. Já sei quem são.
Lamento a vossa perda. E mando um abraço especial para o Sergio.
Daqui um beijinho da Ana Cristina (deves lembrar-te, a enfermeira...)