segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Contingências

Aquela curvinha na anca, que o pai inveja sempre que tem de andar com ela ao colo durante algum tempo, desapareceu completamente. Estou basicamente direita e as únicas (a única) forma que me resta é mesmo para a frente, uma barriga que parece não parar de crescer, muito empinada e direitinha. "É um rapaz, de certeza", garanta-me o senhor da mercearia ali da Luciano Cordeito, do alto da sua sabedoria com mais de 70 anos. "É um rapaz, porque espetam as barrigas das mães e fazem-lhes a cara mais bonita. Além diso, por trás nem se nota que estão grávidas", conclui. Saio desta conversa improvável a pensar para onde ficará ele a olhar e firmemente decidida a evitar espreitar de lado para os reflexos das montras, que me devolvem uma autêntica baleia, um bocadinho maior a cada dia que passa.
Faltam 10 para o fim do prazo, mas o rapaz, depois das ameaças da semana passada, não parece disposto a sair de onde está. As contracções pararam completamente e, tirando o meu estômago lembrar-se disso de cinco em cinco minutos, quase conseguia esquecer-me que estou grávida. A verdade é que não tive praticamente nenhum daqueles sintomas chatos da gravidez, que não vou aqui enumerar para não enfastiar o estimado leitor, mas que incluem coisas interessantes como pernas inchadas e hemorroidal. Se não fossem os onze quilos a mais e o formato baleia, eu seria definitivamente uma grávida feliz.

1 comentário:

Oficinas RANHA disse...

Não estás nada uma baleia!!!!!! Estás uma materioska super-giraça, embora com um ar cansadito...
Rita