sábado, 24 de novembro de 2012
E a grande noticia da semana é...
... que a Ana está grávida. A nossa Ana do Alentejo, como é conhecida cá em casa, tem um bebé na barriga, que há-de vir conhecer-nos lá para a primavera do ano que vem. Esta família está cheia de sorte e já gostamos muito dele. Ou dela, pois claro, que a mim palpita-me que vai ser uma rapariga. Beijinhos, querida Ana
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Era uma vez uma máquina de lavar roupa
Durante muito tempo foi assim: à sexta feira a mãe enchia os alguidares de água e detergente e, durante toda a manhã, lavava a roupa da semana. As mães dos outros meninos faziam o mesmo. Vivíamos no Alentejo, o 25 de Abril tinha acontecido havia poucos anos, o FMI estava quase a chegar e pouca gente tinha dinheiro para luxos. Depois o meu pai fez uma surpresa à minha mãe e apareceu lá em casa uma máquina de lavar roupa novinha em folha que nos deixou todos orgulhosos e mais ainda à minha mãe, com certeza, que lavar a roupa da família toda à mão não havia de ser nenhuma pêra doce.
Hoje em dia não nos passa pela cabeça não ter uma máquina de lavar roupa. Ou aquecer a água do banho no fogão porque não há esquentador. Temos a vaga noção de que haverá casos desses, mas na verdade estão sempre muito longe de nós. Preocupam-nos, mas esquecemo-los logo a seguir, no meio dos ritmos alucinados das nossas vidas onde não falta (quase) nenhum electrodoméstico.
Neste caso, a realidade não me deixou esquecer tão facilmente. Era preciso arranjar uma máquina de lavar roupa para a mãe das gémeas, porque é inverno, porque há muita roupa que se suja e, sobretudo, porque as técnicas da Segurança Social acham que uma máquina de lavar roupa numa casa é essencial para que uma família de risco não ultrapasse ainda mais as fronteiras do risco.
E a máquina de lavar roupa lá está, já em casa. Um post no Facebook fez milagres. Apareceu uma em segunda mão em Odivelas, outra em vila Franca de Xira, outra ainda em Lisboa. E houve até quem telefonasse a oferecer-se para dar uma nova, comprada de propósito para as gémeas. Não foi preciso, que o problema já estava resolvido. Mas valeu a pena. Porque há quem se preocupe e isso é sinal de que nem tudo está perdido. Que, quando é preciso, ainda temos capacidade de desligar dos nossos dias.
Hoje em dia não nos passa pela cabeça não ter uma máquina de lavar roupa. Ou aquecer a água do banho no fogão porque não há esquentador. Temos a vaga noção de que haverá casos desses, mas na verdade estão sempre muito longe de nós. Preocupam-nos, mas esquecemo-los logo a seguir, no meio dos ritmos alucinados das nossas vidas onde não falta (quase) nenhum electrodoméstico.
Neste caso, a realidade não me deixou esquecer tão facilmente. Era preciso arranjar uma máquina de lavar roupa para a mãe das gémeas, porque é inverno, porque há muita roupa que se suja e, sobretudo, porque as técnicas da Segurança Social acham que uma máquina de lavar roupa numa casa é essencial para que uma família de risco não ultrapasse ainda mais as fronteiras do risco.
E a máquina de lavar roupa lá está, já em casa. Um post no Facebook fez milagres. Apareceu uma em segunda mão em Odivelas, outra em vila Franca de Xira, outra ainda em Lisboa. E houve até quem telefonasse a oferecer-se para dar uma nova, comprada de propósito para as gémeas. Não foi preciso, que o problema já estava resolvido. Mas valeu a pena. Porque há quem se preocupe e isso é sinal de que nem tudo está perdido. Que, quando é preciso, ainda temos capacidade de desligar dos nossos dias.
sábado, 27 de outubro de 2012
Mau feitio
Tudo começou com um apetitoso croissant a espreitar da caixa do pão mesmo antes de irmos jantar. Pedrinho viu e pediu, mamã recusou e começou aí uma das maiores birras de que há memória, com o meu bebé lindo e maravilhoso transformado num monstrinho furioso a quem nem o novo carrinho da avó Gracinha -com a sua música pavorosa, mas que já tem feito milagres - conseguiu acalmar. A coisa foi de tal ordem que senhor Pedro levantou a mão e pimba, bofetada na mamã. Seguiram-se dois segundos de silêncio, durante os quais se evitou o pior, ou seja, uma palmada na mão do Pedro. Em contrapartida, ficou de castigo, sem chucha e sem acesso ao carro da avo Gracinha até parar com a choradeira e pedir desculpa à mamã. Demorou bastante, mas lá se decidiu, já com a Madalena a anunciar que não aguentava mais tamanha gritaria e que ia contar tudo ao papá. Como lá em casa não gostamos de queixinhas, combinámos que seria o próprio Pedro a contar, coisa que ele fez, alegremente, no dia seguinte. Também disse que nunca mais se portava mal, promessa que entretanto já tratou de quebrar. E se isto é assim com dois anos, temo o pior quando tiver em casa um adolescente de voz fininha e barba a despontar, na idade do armário e teimoso que nem uma mula.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Na Floresta da Preguiça
É um livrinho maravilhoso, sobre uma floresta atacada por máquinas que tudo derrubam e levam pela frente, onde mora uma preguiça que dorme, dorme, dorme... Todos os dias o lemos. Primeiro eu, depois Madalena, que já sabe de cor o texto. Pedrinho vai passando as páginas.
E "tudo é verde, tudo é vida, na Floresta da Preguiça".
Obrigada, Ana.
sábado, 13 de outubro de 2012
Bruno
Quando conheci o Bruno ele ainda não era um actor famoso, não aparecia nas novelas da TVI nem se deixava fotografar à noite, no Bairro, com miúdas fãs dos Morangos com Açúcar. Foi há mais de dez anos e vivíamos numa casa que mais parecia um chalé, ali para os lados da Morais Soares. As reuniões de condóminos eram de chorar, às vezes a rir, às vezes nem por isso. Cada um com a sua pancada, cada um a puxar para seu lado, o Bruno sempre calmo e divertido e simpático para toda a gente, a aturar sem se queixar as maluquices das velhotas do prédio. Eu vivia no primeiro direito, ele no segundo. Um dia convidou-me para ir à estreia de uma das suas peças. Não fui, já não me lembro porquê, se calhar porque nessa noite estava a fechar. Ou era Outubro e havia orçamento do Estado. Ou andava tão cansada por fazer milhentas coisas ao mesmo tempo, que pura e simplesmente só me apetecia dormir. Quantas coisas boas já deixei de fazer por isso. Quantas horas não estive com os meus filhos porque me atrasei a escrever um texto e cheguei a casa muito tarde. Quantas vezes me deprimi porque não consegui uma notícia, porque uma outra não me saiu como eu queria, porque o tempo não me chega para tudo, porque me chateei com uma merda qualquer sem a menor importância. Quanto stress, quanta correria.
Ontem, num dia de particular stress - ou não estivéssemos nós em Outubro -, fiquei a saber que o Bruno morreu. Deu-lhe um fanico, o coração falhou-lhe e morreu. Ainda há dias falei com ele. Tem o mesmo nome de um colega meu e liguei-lhe por engano a pedir o contacto de um deputado qualquer. Ainda nos rimos um bocado com isso.
Às vezes penso que me pode acontecer o mesmo. Acho que todos pensamos. Antes punha-me a pensar que era uma chatice se acontecesse e não tivesse as minhas coisas todas organizadas. Agora já não sou só eu mais as minhas coisas desorganizadas e penso é que não posso deixar que uma coisa dessas me aconteça. E que obrigar-me a ter mais alguma qualidade de vida é meio caminho andado para o evitar.
Ontem, num dia de particular stress - ou não estivéssemos nós em Outubro -, fiquei a saber que o Bruno morreu. Deu-lhe um fanico, o coração falhou-lhe e morreu. Ainda há dias falei com ele. Tem o mesmo nome de um colega meu e liguei-lhe por engano a pedir o contacto de um deputado qualquer. Ainda nos rimos um bocado com isso.
Às vezes penso que me pode acontecer o mesmo. Acho que todos pensamos. Antes punha-me a pensar que era uma chatice se acontecesse e não tivesse as minhas coisas todas organizadas. Agora já não sou só eu mais as minhas coisas desorganizadas e penso é que não posso deixar que uma coisa dessas me aconteça. E que obrigar-me a ter mais alguma qualidade de vida é meio caminho andado para o evitar.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
E quando é que Outubro chega ao fim?
Desde há uns bons anos, praticamente desde que começei a trabalhar e decidi mergulhar nesse maravilhoso mundo que é o jornalismo de economia, que Outubro é um dos meses mais complicados. E a razão, está-se mesmo a ver, tem a ver com o Orçamento do Estado, que é apresentado lá para dia15, dividindo o mês em antes do OE e depois do OE. São semanas muito sofridas, primeiro a antecipar o que ai vem, olhando todos os dias para a concorrência a ver o que descobriu que a nós nos passou ao lado, depois a esmifrar o projecto-lei, a descobrir o que muda, o que fica, e o que está nas entrelinhas. É um sofrimento, mas, ao mesmo tempo, uma excitação e uma animação. Ou seja, vendo a coisa do ponto de vista profissional não é necessariamente uma coisa má, pelo contrário. E no entanto, quando o mês chega ao fim, só apetece ir de férias ou, em alternativa, dormir vários dias seguidos.
Posto isto, eis-nos em pleno mês de Outubro. Ainda estamos na segunda semana e já ando com insónias, a ver as primeiras páginas do dia seguinte no jornal da meia-noite e, o pior de tudo, a chegar a casa a horas vergonhosas, ou seja, nunca antes das nove da noite. Miúdos já jantados, colados à televisão, cheios de birras porque ambos qurem os mimos e a atenção da mãe. Resta uma hora de brincadeira antes de, cheia de pesos na consciência, os enfiar na cama, no meio de muitos choros e protestos, e de os conseguir pôr a dormir, vencidos pelo cansaço.
Afinal, quando é que Outubro chega ao fim?
Posto isto, eis-nos em pleno mês de Outubro. Ainda estamos na segunda semana e já ando com insónias, a ver as primeiras páginas do dia seguinte no jornal da meia-noite e, o pior de tudo, a chegar a casa a horas vergonhosas, ou seja, nunca antes das nove da noite. Miúdos já jantados, colados à televisão, cheios de birras porque ambos qurem os mimos e a atenção da mãe. Resta uma hora de brincadeira antes de, cheia de pesos na consciência, os enfiar na cama, no meio de muitos choros e protestos, e de os conseguir pôr a dormir, vencidos pelo cansaço.
Afinal, quando é que Outubro chega ao fim?
sábado, 6 de outubro de 2012
Pedrinho foi ao Benfica
P.S.: Para que fique para a história, o Benfica ganhou por 2-1 ao Beira Mar.
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