quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Socorro, tenho uma adolescente de cinco anos em casa

Mamã, hoje o almoço foi, tipo, um prato  bué grande, que eu odeio, com aquela cenoura, tipo, cortada, sabes? e o lanche foi pão com doce, que eu também não gosto nada, que nojo, mas eu disse à Lena e ela disse yeah, e foi buscar-me pão com manteiga e esse eu comi todo.

E pronto, estamos assim.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Na aula de piano

Dona princesa teve a sua primeira aula de piano no Palácio com a professora Ivana. A mamã ficou cá fora, no jardim, a envergonhar a família porque, de vez em quando, subia para uma cadeira e espreitava pela janela. Madalena, muito atenta, lá estava, dedinhos nas teclas, compenetrada a desenhar claves de sol. É o meu orgulho, esta rapariga.
Nessa noite, ao serão, tirámos da caixa o piano do avô António e démos música à querida dona Helena, a nossa vizinha de cima, que suporta estoicamente as brincadeiras no andar de baixo. Nos intervalos, dona Princesa mostrou ao mano como era um piano à séria e as notas de música que tinha aprendido com a professora Ivana. Só não se lembrava muito bem de como se chamavam, mas isso, naturalmente, era um pormenor sem importância.
E, antes de dormir, anunciou: mãe, não te esqueças que eu quero ir ao ballet e quero ter uma sapatilhas e um fato de bailarina.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Madalena, menina corajosa

Doma Madalena lá foi, sozinha, corredor fora, a mochila numa mão, a gatinha apertada na outra. Abriu a porta da sala, ainda olhou orgulhosa para o papá e depois entrou. Sem choros. O pai foi-se embora, coração apertado com a valentia da sua menina. Daqui para a frente, espera-se, acabaram-se os medos de ir sozinha para a sala e não haverá mais lágrimas quando a deixarmos à entrada da escola, às nove da manhã.
Esperemos que seja mesmo assim, porque me fico de rastos quando a deixo infeliz, mesmo sabendo muito bem que daí a poucos minutos estará a brincar com as novas amigas, já esquecida da tristeza matinal. "Gosto muito da escola nova, mãe. Temos leite com chocolate e vamos três vezes por dia ao recreio, é muito bom."

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Quem tem filhos tem cadilhos, ai tem, tem

Se ela não tivesse cinco anos e ele três, eu dizia que tinham combinado tudo. Mada foi a primeira a falar comigo ao telefone: estamos aqui no escorrega, mãe, gostava muito que estivesses aqui. Depois veio o Pedrinho e, muito telegráfico, declarou: eu quero a mãe aqui. A Inna riu e jurou que estavam óptimos e felizes, mas eram cinco e meia da tarde e à minha frente uma página inteira esperava por mim para ser preenchida.





segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Setembro que grande mês *

 "Se te sentires muito infeliz, voltamos para casa mais cedo." Foi com esta promessa que a convenci a sair de casa para o primeiro dia na escola nova. Estava uma pilha de nervos e durante algum tempo não se lhe viu um sorriso. Eu e o pai ficámos com ela toda a manhã em que durou a apresentação, juntos assistimos a uma peça de teatro organizada pelos meninos mais crescidos, fizemos jogos no recreio, explorámos a sala nova, elogiámos os desenhos e a plasticina e dona Princesa, quando deu por ela, já sorria e brincava. Ainda lhe perguntei se estava muito infeliz, mas não, não estava, anunciou, e por isso não se falou sequer em voltar para casa mais cedo. Depois fomos as duas às compras, coisa de raparigas, com direito a almoço no Mc. Donald's antes de regressarmos a casa, e o primeiro dia de escola acabou por se passar sem grandes dramas. Até porque entretanto descobrimos que a Maimuna e a Teresa, da escola antiga, estão na mesma sala, o que lhe aquietou os medos de estar num sitio onde não conhecia ninguém e não tinha amigas para brincar.
Quanto a nós, os pais, tivemos o primeiro embate com a escola pública. Muito mais impessoal que o antigo infantário - é verdade que estamos ainda no princípio - mas, pelo menos para já, com competência, boa vontade, e gente simpática e interessada.

Para Pedrinho, os tempos também são de novidade. No primeiro dia depois das férias subiu a escada da escola a correr para ver a sala nova e os colegas novos e mostrar os brinquedos que levava. Ficou feliz, sem uma lágrima, mas agora, passada a novidade, descobriu de repente que a mana já não está na mesma escola e chora baba e ranho quando o deixamos de manhã. Só hoje percebemos o que se passava, porque estava com um ar tão triste que lhe perguntei se estava infeliz e me explicou que sim, e que queria a mana. Foi um choro tão grande que quase agarrámos nele e fomos todos para casa fingir que ainda estávamos de férias.


* Título roubado a um livro da Odette de Saint Maurice que li quando era miúda. Nesse tempo Setembro ainda era de férias, a antecipar o regresso às aulas, e o que eu sonhei com aqueles livros e com as férias da família Macedo.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Férias, férias de Verão

Um dia de viagem, outro de Alentejo, muito bom, com direito a piscina, outro ainda de viagem, mas também muito bom, e ao 4º dia, a primeira borbulha e uma ida ao centro de saúde. Diagnóstico: varicela. Prognóstico: borbulhas, borbulhas e mais borbulhas e medicamentos a dobrar, já a pensar no mano que com 90% de certeza também deverá ficar na mesma. Por enquanto ainda não há sinais, mas, para não ficar em desvantagem, Pedrinho resolveu passar o 5º dia de férias a vomitar-se todo repetidas vezes.
E pronto, estamos nisto.
Mas claro que nem tudo é mau. Temos um relvado cheio de sombras mesmo aqui atrás para brincar, os pais podem ir, à vez, dar um mergulho na piscina, e os meninos da casa do lado já todos tiveram varicela. Além disso, o médico autorizou idas à praia desde que de manhã muito cedo ou já ao final do dia e com o sol a pôr-se.
Hoje, 6º dia, fomos. Chegámos pouco depois das 8:30 e às 10:00 já estávamos de volta a casa.  E não, não há-de ser uma completamente inoportuna varicela que nos há-de estragar as férias. Quando muito, acalma-nos um bocadinho o ritmo, o que não é necessariamente mau.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

E agora, mamã?

Mada ficou a chorar na escola. Não queria, queria a mamã, e nem a promessa de lá estar muito cedo para a ir buscar a deixou mais animada. Acabou por ficar, o mano também na sala dela, para lhe fazer companhia com um CD que tinha levado para ouvir com os amigos.
A princesa está preocupada. Não o diz, mas está uma pilha com a expectativa de ir para uma escola nova, com professores novos e coleguinhas que não conhece. Ninguém vai querer brincar comigo, disse-me hoje de manhã, muito séria.
Hoje foi o seu último dia no infantário onde está desde os15 meses, ainda mal sabia andar e poucas palavras dizia. A única educadora que teve foi a Susana - que lhe chamava princesa e a enchia de mimos e presentes no aniversário - e também se deu sempre muito bem com as auxiliares. A Paula Rodolfo, a Lena, a Mara. Madalena gostou de todas e todas gostaram muito dela.
Eu também gostei. Sempre a deixei lá com a certeza de que estava bem, de que seria bem tratada e de que me telefonariam imediatamente se ela precisasse de mim, como algumas vezes aconteceu. Não é fácil deixar um filho assim, nas mãos de outras pessoas, por isso esta segurança não tem preço.

Os últimos dias seja do que for são assim, chegam sempre com uma pontinha de nostalgia e deixam-nos de coração apertado porque não sabemos se o futuro vai ser tão bom como o passado. Dona princesa não sabe explicar, mas, com os seus cinco anos, já percebeu isso.