quinta-feira, 31 de julho de 2014

Casamento

A Manuela e o Carlos cristalizaram algures na minha memória no dia do seu casamento. Foi o primeiro casamento a que fui e lembro-me perfeitamente dela, vestida de noiva, com um vestido branco tão bonito. E da cerimónia na igreja, do copo de água no monte dos pais dela e da romaria de convidados à casa onde os noivos iriam morar, toda a gente a entrar no quarto e a deixar notas em cima da cama de colcha cor-se-rosa. Eram presentes, mas era também para dar sorte e um futuro onde nunca faltasse o dinheiro. E lembro-me de nós os três na igreja, do meu vestido aos quadrados rosa salmão provavelmente feito pela mãe, das meias de renda até ao joelho feitas pela avó Teresa. E do Rui com o nariz partido – andava sempre com o nariz partido, o meu irmão pequeno –, da Zézinha de repente grande de mais, porque naquele ano tinha crescido tanto, tanto e estava muito mais alta do que eu.

No fim-de-semana encontrei-os no Alentejo. A Manuela e o Carlos, ambos de cabelos brancos, as minhas memórias a quebrarem-se em mil bocadinhos e eu sem ser capaz de fazer as contas aos anos que passaram entretanto.  

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Madalena nos avós

Quando a fui levar ao autocarro ia com uma lagriminha no canto do olho e o receio de que, no abraço da despedida, se arrependesse e ficasse por cá. Nada disso. Subiu animadíssima os degraus da camioneta, de mão dada com a avó, deixando-me cá em baixo encolhidinha e tristonha, e sentou-se no seu lugar à janela, para não perder pitada.
Madalena está de férias e foi passar uma semana ao Alentejo a casa dos avós. Foi a primeira vez que ficámos tantos dias longe dela e a preparação foi longa e demorada, mas a aventura tem corrido muito bem. Liga-nos várias vezes por dia, a contar o que anda a fazer e pelos relatos, está uma verdadeira princesa, com todos os seus desejos a serem imediatamente atendidos pela avó e pelo avô.
Só na quarta feira é que me disse ao telefone que estava com muitas, muitas saudades. E hoje foi a vez do mano, que ficou em Lisboa, anunciar, logo de manhã, que está com saudades da Madaiena ao ponto de ir buscar uma fotografia da mana para nos mostrar.
Quanto ao pai, hoje quase tivemos uma crise matrimonial só porque me esqueci de lhe mostrar uma foto dela que a avó mandou para o meu telemóvel, pelo que está tudo dito.
Sabemos que é bom para ela, para ficar mais independente, e bla, bla, e bla, bla, mas estamos cheios, cheios de saudadinhas da nossa pequena maravilha.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pedrinho e as coisas que há na piscina

Pedrinho foi com a escola à piscina e voltou muito satisfeito. Gostou muito, brincou muito com os amigos, afundou e a Maiana foi salvá-lo. As piscinas a que eles vão são mesmo muito pequenas e eles tem sempre pé, por isso não nos preocupámos com o salvamento. Mas ainda perguntámos: "Então e as professoras vão com os meninos para dentro de água?". Resposta: "Sim, a Maiana vai. Ela tem fato de banho. E tem maminhas. Há meninas que não têm maminhas, mas a Maiana tem." E assim ficámos informados e o papá com um daqueles sorrisinhos parvos.



sábado, 12 de julho de 2014

A nossa matemática

Mada a ver televisão vem perguntar-nos o que significa "o dobro". Lá lhe explicamos e depois fazemos um teste: então e agora diz lá qual é o dobro de dois? Quatro. E de quatro? Oito. E de oito? 16. E de 16? 32. E nós, já de boca aberta: E o dobro de 32? 64. E de 64???? É cem e qualquer coisa, já não me lembro bem... E como é que tu sabes isso tudo, perguntamos nós, eu e o pai, já com a certeza de que estamos mesmo perante um verdadeiro génio matemático, que nos responde do alto dos seus seis anos. E ela: Sei por causa do 2048, claro. Sim, claro. O jogo que ela e o pai andaram a jogar furiosamente no meu telemóvel durante as férias em Cabanas, o que mais havia de ser ?...

terça-feira, 24 de junho de 2014

Querida tia Júlia

Os primos estavam todos ali, no álbum de fotografias da tia Júlia. Naquele tempo éramos pequenos, viamo-nos muitas vezes nas férias e a Macheira era uma visita obrigatória, mesmo para os que vinham de França ou da Alemanha. Crescemos e foi cada um para seu lado, mas a tia manteve-nos ali a todos, por isso espreitar agora o álbum dela foi também um regresso muito bom àquelas férias. Foi um regresso triste, porque não a voltaremos a ver a acenar-nos no seu pátio cheio de vasos de flores, mas as lembranças são muito boas. As lembranças do terraço dela, de onde se via a serra, dos figos secos e do folar algarvio e das brincadeiras com as meninas da Macheira que também só voltei a ver agora, passados mais de trinta anos. As lembranças das quadras sobre a família que escrevia para o Campaniço e para o jornal de Alte, dos livros que me deu e que ainda guardo lá em casa,  do saco do Algarve e do vestido bordado para a pequena Madalena, que ela via tão poucas vezes, mas de quem falava como se a visse a crescer todos os dias. E, também, as memórias das suas visitas ao Alentejo na Feira de Castro, com a sua filha tão bonita, loirinha e de olhos azuis, e das cartas que trocava com a minha mãe, nos tempos em que ainda se escreviam cartas, querida irmã, como tens passado, eu cá vou como Deus quer, na apanha do figo, da alfarroba, do que fosse, que era preciso ganhar a vida para criar a filha. Uma vida de canseiras, um amor encontrado tarde e perdido cedo. Era uma das minhas tias mais queridas e é lá, no seu pátio cheio de flores, a acenar-me, que a quero recordar sempre.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pequenas constatações

Eis as novidades das nossas férias de Junho enunciadas por ordem aleatória:

A mini-casa-da-praia continua óptima.
O Pedro já tem pé na piscina dos crescidos e a Madalena já nada por lá sem braçadeiras.
A Praia de Cabanas foi atacada pelo mar e está mais pequena. Se continuar assim, é certinho que em Agosto não cabe lá toda a gente.
As bolas de Berlim continuam a 1,20 euros (são indicadores importantes, há que admitir).
O Pedro está a falar cada vez melhor, mas dragões continuam a ser “gagões” e os tubarões “balaiões”.
A Madalena está fã do Mundial do Brasil e conhece de cor os cromos que já tem na caderneta e as bandeiras dos países.
O Pedro brinca sozinho e inventa bonecos e passos de dança com os dedos (onde é que já ouvi uma coisa parecida?).
A praia está cheia de conquilhas e quem vier em Julho bem pode apanhá-las, que já estarão óptimas. Temos feito grandes petiscos, por isso, se há algum alerta sobre o consumo de bivalves, por favor não nos contem.
A Madalena está uma grande jogadora de “2048”, só ultrapassada pelo pai (eu não tenho treinado, porque não me dão oportunidade).
A praia do Cabeço continua a ser um segredo muito bem guardado. 
A brincadeira deste início de Verão é o “Pedro beijocas”, com o dito a correr atras da mana a gritar “anda mor, anda mor”.
A tareia de Portugal no Mundial foi ligeiramente desagradável, mas só o pai é que viu o jogo, enquanto o resto da família aproveitava a piscina vazia. À noite compensámos com gelado de chocolate e figo em frente à ria.
Não temos lido jornais (só o Record, mas esse não conta).
Ainda não fomos ao Ideal, mas vamos.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Neste blogue também se faz crítica de restauração...

... por isso vamos lá falar do novo Mercado da Ribeira:

Eu, que só queria era comer umas sardinhas assadas, dei por mim neste sítio da moda, cheio de marcas da moda, muito giro e  muito bem decorado, mas, naturalmente, sem sardinhas assadas. Tinha, pelo contrário, uma multidão de gente. Filas enormes para tudo. Empregados suados e mal dispostos à beira de ataques de nervos, provavelmente de pé há horas e a tentar ser chiques, porque o sitio é chique. E tinha, também, gente a discutir por causa de uma cantinho numa mesa corrida, senhoras loiras e com malas carérrimas quase a arrancar cabelos umas às outras por causa de duas cadeiras que cada uma delas jurava que tinha visto primeiro. E turistas sentados no chão, com fatias de pizza e hambúrgueres de peixe, que provavelmente tinham desistido de esperar por um lugar e fizeram eles muito bem.
Tudo isto para dizer que o novo Mercado da Ribeira não me encheu as medidas. A comida é boa, sim senhor, mas cara e longe de compensar as filas e os apertões e o tempo de espera. O conceito é muito giro, o local está muito engraçado, e espero que os senhores do mercado propriamente dito, que continuam por lá, estejam também a ganhar  alguma coisa com aquilo.
Quanto a mim, não digo que não volto, mas daqui a uns bons tempos, quando a coisa tiver passado de moda. Tão cedo não me apanham por lá.

(foto daqui)