terça-feira, 11 de maio de 2010

Ir à Avenida e não ver o Papa

E lá fomos nós ver o Papa. Descemos à Avenida, instalámo-nos confortavelmente num banco que, milagre, encontrámos vago, e tratámos de esperar pacientemente a passagem do Papamóvel a caminho do Terreiro do Paço para a missa. O problema é que o sitio era tão confortável, que dona Mada adormeceu ferrada, o senhor Pedro ressonou o tempo todo no marsúpio, e eu só não lhes segui o exemplo porque, enfim, uma mãe tem certas responsabilidades e, além disso, estava decidida a ver o Papa. O trânsito estava cortado, havia imensa gente à espera, outros tantos a descer para a Baixa de bandeirola em punho a caminho da missa, havia polícias espalhados por ali prontos a travar algum mirone mais entusiasmado, enfim, a Avenida estava magnífica. E estava eu a matutar em todos estes pensamentos plenos de profundidade e a lutar contra o sono, quando começam a aparecer as motas da polícia a anunciar a vinda de Bento XVI. Levanto-me um bocadito assarapantada, agarro nas crias, agarro no telemóvel para tirar uma foto, atrapalho-me com as teclas, ai, ai, onde raio é que eu carrego para aceder à máquina fotográfica, ai, ai, lá consigo, precisamente quando o papamóvel está a passar, carrego no botão e, azar dos azares, aquela coisa tem a memória cheia e não permite tirar nem mais uma foto. E entretanto o Papamóvel passou, com o seu ilustre passageiro, que já só consigo ver de costas.
E pronto, foi assim. Voltámos para casa e fomos ver o senhor na televisão. Mais cómodo e seguro.

1 comentário:

Oficinas RANHA disse...

ahahahah
Tiravas uma foto ao senhor na televisão?
Ana Cristina