terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pesos na consciência

Pomos o despertador para as oito e todos os dias dizemos é hoje, é hoje que vamos sair da cama cedo, chegar à escola da Madalena às nove e pouco e ir daí direitinhos para o trabalho. Pura ilusão, claro, que o despertador toca sempre, mas as horas acabam sempre por resvalar. Ou porque ela chora (e como chora), ou faz cocó e temos de lhe mudar novamente a fralda (não torçam o nariz, que isto é um "baby blog", por isso é suposto falar destas coisas), ou porque acontece outro imprevisto qualquer e pronto, mais uma vez chego ao trabalho já depois das dez.
E a correria continua, as horas parece que voam no relógio e quando dou por ela já passa das sete e eu ainda queria fazer mais umas vinte coisas, pelo menos, mas tenho de vir para casa, que a Helena supostamente sai às sete e meia e contam-se pelos dedos de uma mão os dias em que até hoje conseguiu cumprir o horário. Saio a correr e apanho o primeiro taxi que me aparece, já de consciência pesada, porque a Madalena ainda não jantou, porque quero que ela tome banho antes de comer, porque o resto das pessoas fica e eu piro-me airosamente. Cheia de pesos na consciência e sem me permitir lembrar que estive lá nove horas e que devia haver limites para tudo, até para o tempo que passamos enfiados no trabalho, como se trabalhar nove ou dez horas por dia, quando não são mais, fosse a coisa mais normal desta vida, tão normal que já não se questiona. E logo nós, nesta bela desta profissão, em que deviamos questionar tudo...

3 comentários:

Oficinas RANHA disse...

Como te percebo... Como qualquer mulher que foi mãe te deve perceber... Merda de sentimento de culpa...
(Mas, sinceramente, acho que atenua, com o tempo...)
Beijinhos grandes, Rita

Cougar disse...

Se o modelo social não fosse masculino, ou seja se em vez de parcer bem ao chefe não fosse ficar no trabalho até às tantas (como os homens até agora podiam fazer...)e se fosse feminino...todos e todas tinhamos direito, nestas fases tão críticas, a trabalhar em regime de meio tempo ou menos dias na semana...e NÃO HAVIA NINGUÉM COM CULPA!!! É por essa razão que continuo a lutar, para que quando a Madalena e o irmão forem eles pais, os modelos sociais permitirem a conciliação trabalho família!!! Sente-te sempre bem, porque o que está mal não és tu "ó SUPER MÃMÃ".. mas sim este modelo masculino que felizmente começa a mostrar-se impraticável para as famílias que lutam pelo equilíbrio e educação das crianças!!! (Futuros trabalhadores/as)

Mayra disse...

Sei perfeitamente o que falas, sou mãe do Salvador que tem a mesma idade da tua Madalena e trabalho numa empresa de Construção Civil e Obras Públicas, sou engenheira e trabalho só com homens, desde que o Salvador nasceu, nunca mais fui a mesma no trabalho, antes ficava por lá até as 20h (hora que o pessoal do exterior se reune todo na empresa) e hoje saio as 18h, sinto o mesmo que tu, o tal peso na consciência, parece que estou a dever algo a alguém por trabalhar apenas 8 horas por dia, mas quando já estou em casa com ele, deixo esse sentimento para trás, ele vale mais do que tudo na minha vida.
Também tenho um blog, "Mami do Salvador" vou tentar saber o teu enderço para te mandar um convite para o poderes passar por lá e conheceres o Salvador ok?
Bjocas